Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

14.10.11

Condomínio

Condomínio

 

Na leveza do andar

No brilho do olhar

A sensualidade a exalar

Faz meu coração suplicar

Para essa tortura terminar

Vou me mudar.

 

 

criado por Jair Antonio Pauletto    9:48 — Arquivado em: Pensamentos

13.10.11

Embriagado de amor

 

Embriagado de amor

 

Pensamentos sonolentos

Remetem ao momento

O instante de magia,

Presente todos os dias

Na lembrança mais guardada

Nascida na madrugada, acordada

Uma despedida apressada

Mal resolvida

Marcou uma vida

Ficou viciado,

Vive embriagado.

criado por Jair Antonio Pauletto    14:57 — Arquivado em: Miscelâneas

12.3.11

O Singular do Plural

O singular do Plural. 
 
Para matar a fome do meio-dia, basta atravessar a praça e seguir mais duas quadras. Sistematicamente, todas as sextas-feiras, almoço num restaurante que serve um camarão à milanesa como ninguém. Na última semana, acompanhado de um casal de amigos, enquanto falávamos da perspectiva do tempo manter-se bom para o final de semana, meu amigo repentinamente disparou um sonoro, “nossa, que ridículo!” direcionando o olhar para uma jovem que vinha do sentido contrário. Era uma linda jovem com um sorriso encantador, porém acima do peso embora eu seja um leigo no assunto poderia classificar, sem medo de errar, que a obesidade da moça era preocupante.
O que o meu amigo classificou como ridículo, pra mim foi algo cômico. Na camiseta justíssima que a moça vestia estava escrito “onda urbana” em letras enormes e repletas de lantejoulas. A inscrição ficava na altura do abdômen que “emergia” através de inúmeras e generosas camadas sob a camiseta, parecendo uma sequência de ondas a quebrar na praia. Confesso que achei a cena engraçada, um bom e humorado retrato da realidade da onda urbana de gorduras, dos fast foods e do sedentarismo que envolve grande parte dos brasileiros.
O assunto voltou a ser a previsão do tempo, mas eu fiquei intrigado com aquela reprovação do meu colega. Se não fosse a infeliz frase da camiseta e o excesso de peso talvez a jovem nem teria sido notada, eu, por exemplo, só percebi após o alerta. Afinal, assim como têm pessoas com excesso de peso em nossa volta, têm pessoas que não conseguem engordar e sofrem por se considerarem magros demais, inclusive, tenho uma amiga exageradamente magra que sofre com inúmeras piadas, especialmente nos dia de vento.
Definitivamente a jovem era gorda, contudo, linda e aparentemente feliz pelo que pude deduzir na fração de minuto que cruzei com ela. Entretanto, aquele episódio, aparentemente casual, retido na minha mente, passei o almoço todo observando a diversidade de pessoas que frequentavam aquele restaurante. Havia alguns padrões definidos, quanto ao modo de ser, de se comportar a mesa, a forma elegante das secretárias se vestirem, as diferentes tonalidades de loiro nos cabelos femininos, enquanto que nos homens se destacavam as gravatas coloridas e os ternos escuros e a constante atenção ao telefone dos apressados executivos. Fisicamente eram todos muito parecidos, os detalhes de cor, peso, altura não eram significantes, exceto as avantajadas barrigas masculinas que pareciam as das mulheres prestes a dar a luz.
Percebi que a pluralidade das formas físicas e padrões sociais de comportamento é tão natural que somos atores do próprio ambiente. Mas, ao aprofundar o pensamento percebi que existe uma singularidade em cada um de nós que nos torna raros e únicos. É esta singularidade que nos permite pensar de forma independente, concordar, discordar, sentir, compreender, interpretar ou julgar cada fato ou opinião de forma única. Compreender a relatividade dos acontecimentos é o desafio diário. Eis a física quântica desafiando os mais hábeis cientistas.
Dessa forma, é fácil compreender a expressão “que ridículo”, proferida pelo meu amigo, bem como a minha interpretação humorada quanto à combinação física e o figurino da jovem. O importante é que independente no julgamento ou interpretação que meu colega e eu fizemos, é que a individualidade permanece inabalada, a independência com que cada um trata sua vida é algo totalmente sagrado, que não merece nenhuma critica, afinal diz respeito ao próprio ser. Nossas opiniões dizem respeito a nós mesmos, a escolha de conduzir a vida é individual, singular e a pluralidade serve apenas para nos diferenciar, nos tornar mais raros.
Obviamente que a vida em sociedade nos faz reféns de alguns padrões dominantes, porém não limitam o crescimento pessoal, apenas desafiam nosso aprendizado. Descobrir o poder da individualidade e encontrar a conexão perfeita para fortalecer o processo de desenvolvimento pessoal e da humanidade é uma benção para qualquer vida humana. A individualidade é indissociável do livre arbítrio, esse poder absoluto de direcionar nossa vida é um presente divino que nos responsabiliza por todos os nossos atos. È a prova de que tudo o que fazemos é feito por nossa livre escolha, o que nos impede de atribuir aos outros nossos erros, frustrações e aborrecimentos.
A aparente uniformidade de comportamentos não deve nos impedir de perceber a nossa singularidade. O cotidiano pode nos proporcionar importantes reflexões, inúmeras oportunidades para despertarmos e aprendermos, como a da jovem que caminha por aí feliz, despreocupada com sua roliça silhueta. Esteja atento e perceba-se único. Boa semana.

 

criado por Jair Antonio Pauletto    20:04 — Arquivado em: Crônicas

27.10.10

Test-Drive.

Test-Drive.  

Recentemente precisei deixar meu carro na concessionária para uma revisão, o serviço se estendeu além do previsto e o custo também é claro. Entretanto, para amenizar um pouco a minha situação emprestaram-me um carro, modelo novo, recém chegado às lojas, porém ainda indisponível para entrega imediata. Resultado! lá estava eu circulando pelas ruas com um veículo exclusivo, o que obviamente chamava muita atenção aos olhos dos transeuntes e dos motoristas. Foi uma experiência interessante, me senti envergonhado e vaidoso ao mesmo tempo. Fiquei espantado como as pessoas são fascinadas por carros, alguns motoristas chegaram a cometer pequenas infrações exclusivamente para observar o carro.
Na porta das lojas, nos postos de gasolina, nas ruas e nas calçadas, muitos olhos se fixaram no tal modelo de veículo. O motorista, que neste caso era eu, não tinha importância alguma, um comportamento típico da sociedade atual que está mais voltada ao material que ao humano. Um comportamento que parecia ir além da curiosidade, do inusitado. Com todas as pessoas com quem falei, nos diversos lugares por onde andei, percebi claras manifestações do desejo materialista e em alguns casos até mesmo inveja e muita frustração. Confesso que pude sentir aquela energia desqualificada sendo direcionado pra mim o tempo todo, eu até tentava me apressar em dizer que o carro não era meu, mas.
Dois dias depois devolvi o carro sentindo-me aliviado, mas um pouco triste por ter que abandonar aquele conforto todo, contudo, mais uma vez pude confirmar que o ser humano se acostuma fácil ao conforto, inclusive eu. Além de alguns traços de vaidade que já estavam querendo instalar-se percebi que ainda sou facilmente contaminado por falsos valores. Foi uma experiência importante para compreender melhor o comportamento dos viciados em vaidade, àquelas pessoas que tudo fazem para chamar a atenção. São os que geralmente adquirem inúmeras posses materiais, somente para serem notados.
Ao entregar o carro, não pude deixar de perguntar o destino do carro após o término do período de teste drive, afinal, inúmeras pessoas ainda experimentariam aquele carro. O vendedor prontamente respondeu que o carro seria repassado por um valor abaixo da tabela para um dos funcionários da concessionária que estivesse interessado ou para alguma loja de veículos usados. Explicou que seria muito difícil vender esse carro pelo preço de mercado, justamente por ter sido um caro de teste drive. E pra concluir ainda brincou, dizendo que “esse carro é como aquelas jovens que ficam com vários rapazes e que depois ninguém mais quer pra namorar a sério”.
Fiquei duplamente chocado, primeiro pela comparação insólita e até mesmo vulgar e depois pela declaração machista, pois mal sabe ele que jovens “galinha” são desprezados tanto pelos rapazes quanto pelas moças. Esse é outro comportamento comum na sociedade atual, surpreendente para os mais velhos, mas natural para a maioria dos jovens. Penso que uma das razões deste comportamento seja a elevada carência efetiva dos jovens de hoje advinda dos mais diversos fatores. A ausência dos pais envolvidos em conseguir dar-lhes o sustento e tantas outras necessidades modernas, a precocidade intelectual e tecnológica disponível nos tempos atuais, entre tantas outras razões de cunho social, econômico e psicológico.
As carências afetivas não podem ser supridas através de relacionamentos fugazes e superficiais, tampouco confundir desejos instintivos e fragilidades emocionais com sentimentos reais. É muito frequente confundir desejo físico com amor, isto é, uma demanda do instinto que proporciona uma sensação fugaz de prazer com um sentimento que é algo muito mais consistente. A busca da satisfação afetiva através da satisfação dos instintos e sensações pode tornar-se um vício porque satisfaz momentaneamente. Como em todo o vício a satisfação é cada vez menor, necessita ser alimentado com uma frequencia cada vez maior sem, no entanto suprir verdadeiramente a real necessidade, provocando ainda mais a carência. É o mesmo que ocorre com os viciados em drogas que necessitam constantemente aumentar a dose e a freqüência para obter a mesma satisfação inicial.
Confundir prazer com satisfação afetiva é outro erro frequente, porém mais grave ainda é juntar prazer e carência como se fosse amor. Quando na verdade o amor é um sentimento que deve ser primeiramente identificado e fortalecido no próprio interior. Enquanto a carência afetiva nasce da falta de um afeto qualificado, seja consigo mesmo ou na relação com outra pessoa.
Não se suprime a carência sem um relacionamento afetivo profundo por mais intenso que seja o prazer, por mais aflorado que seja o desejo, tudo será apenas um paliativo que precisa ser constantemente renovado. Como um carro de teste drive que é sempre desejado por ser uma novidade, mas logo se torna comum e obsoleto. Serve apenas para alavancar as vendas, mas em seguida perde os encantos e ninguém mais quer, desvaloriza tanto a ponto de só ser vendido por um preço abaixo do valor de mercado. Boa semana.

 

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criado por Jair Antonio Pauletto    19:23 — Arquivado em: Artigos, Crônicas

19.9.10

Dirija sua vida!

Dirija sua vida!
 
É terrivelmente desgastante, mas inevitável, termos que fazer escolhas constantemente. Não fazê-las já é uma escolha, deste modo fazemos escolhas o tempo todo. Seguir uma rotina, acatar uma determinação, cumprir uma ordem, fazer ou deixar de fazer algo prazeroso, tudo é uma questão de opção, de escolha. Algumas escolhas são óbvias como votar, por exemplo, que apesar de ser um direto, torna-se uma obrigação e para muitos um sacrifício. Deixar de votar causa tantas complicações burocráticas que o melhor a fazer é votar.
Escolher o candidato e a quem destinar o voto já é outro tipo de escolha, nesse caso, temos muitas coisas em jogo e torna-se importante fazer boas escolhas. Seguir a maioria, votar no mais simpático, no líder das pesquisas ou no candidato que promete soluções milagrosas nem sempre é a melhor opção. A escolha deve ser feita avaliando as condições e os benefícios que a eleição de determinado candidato pode trazer para a comunidade, o estado e o país. Enfim, escolher conforme a consciência, sem pressões, modismos ou influências vale para as eleições, mas principalmente para nossas escolhas diárias.
Fazer as escolhas certas nos deixa feliz, porém nem sempre é possível acertar, então, precisamos aproveitar a má escolha para refletir e aprender. Abdicar de escolher por um trauma de uma opção errada ou por medo é delegar o próprio destino ao outro. A idéia de não fazer escolhas é destrutiva, pois é sempre uma escolha errada. Deste modo, assuma a direção de sua vida e opte por ser feliz para desenvolver-se, crescer e tornar-se um ser humano melhor.
Escolhas felizes são feitas na ausência do medo, por isso, trate de abolir este sentimento e desenvolva a confiança e a fé. Ninguém pode fazer escolhas melhores do que nos mesmos, uma vez que ninguém nos conhece melhor que nos mesmos. Não entregue sua felicidade, alegria, sua oportunidade de aprender, ou seja, a sua vida a absolutamente ninguém. Aconselhe-se se for necessário, reflita, ore, mas faça a sua escolha conforme seu desejo, sua vontade, pois a condução da própria vida é indelegável.
Assim, como não somos donos dos desejos, das vontades e dos sonhos de quem quer que seja, não podemos delegar ou nos eximir das nossas escolhas, tampouco atribuir aos outros as nossas escolhas e ficar cada dia mais distante da própria felicidade. Comece a exercitar as próprias escolhas, a observar quantas pequenas escolhas fazemos todos os dias, em especial àquelas que nos empurram para uma rotina de estresse e sofrimento. Perceba que temos o poder de escolher outra opção, obviamente que para cada opção existe um bônus e um preço a ser pago, mas seja como for à escolha inconsciente geralmente é sempre a mais danosa. Faça escolhas conscientes, remete seu pensamento para o seu intimo e busque sua divindade para sentir a alegria de poder comandar a própria vida.
Escolha sorrir sempre e perceba o mágico efeito ao seu redor. Escolha ser otimista e veja a vida florir. Escolha o desânimo, o medo, a preocupação e veja os problemas crescerem e se multiplicarem. Escolha ser responsável, forte e confiante e verás que os problemas enfraquecem. Tudo é uma questão de escolha e cada escolha trás sua conseqüência, então, não deixe de experimentar e descobrir o poder de direcionar sua vida perceba que podemos nos aproximar da felicidade pelos próprios esforços. Movimente-se na direção da felicidade, do bem estar familiar, da prosperidade, da saúde física e mental. A escolha é sempre sua, as opções são inúmeras, seja sábio e opte por você.
No entanto, toda a escolha requer esforço, do contrário, não se chega a lugar algum. Não adianta acordar disposto a dirigir a própria vida, optar por ter um dia agradável e não fazer nenhuma mudança comportamental. Não adianta escolher a felicidade e não colocar um sorriso na cara, claro que nem sempre estamos dispostas, solidários e de bom humor, mas se escolhemos mudar e seguir nesta direção, é preciso esforçar-se para agir conforme o desejo e escolha.
Na correria diária nem sempre estamos dispostos a parar e juntar do chão uma moedinha de cinco centavos, porém se for uma nota de cem reais, não há correia que nos impeça de recolhê-la. Esse é um exemplo de esforço e recompensa e é justamente o que ocorre com as nossas escolhas. Fazendo boas escolhas, todo o esforço será generosamente recompensado. As verdadeiras boas escolhas são as que nos fazem felizes, sem envolver egoísmo, inveja e tantas outras mesquinharias humanas. Às vezes caímos no erro de pensarmos que as boas escolhas são apenas aquelas que nos facilitam a rotina, o trabalho ou causam um ganho imediato, no entanto são as que nos exijam trabalho e mudanças comportamentais profundas aquelas que trazem os maiores ganhos.
A relatividade das questões que determinam nossas escolhas não permite criticas as escolhas alheias, porém não posso deixar de lamentar a opção de não escolher. Espero que não se omitas de escolher e que suas escolhas sejam conscientes e felizes. Boa semana.

 

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criado por Jair Antonio Pauletto    21:25 — Arquivado em: Artigos, Crônicas, Miscelâneas, Sem categoria

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