Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

17.11.09

Aprenda a pedir Socorro.

 

Aprenda a pedir Socorro.

 

          Às vezes uma simples conversa pode tomar rumos inesperados e chegar a uma discussão, diversão ou mesmo numa informação. E foi assim que há alguns dias, conversando com um amigo, diante de uma porta de supermercado, que aprendi um pouco sobre o código Morse. Todavia, a principal lição não foi ter aprendido que três pontos, três traços e novamente três pontos significam SOS, um dos sinais mais usados e enviados em situações de emergência e certamente o mais famoso, mas sim conhecer os significados que popularmente lhe são atribuídos, entre eles, o Save Our Ship (salve nosso navio) e Save Our Souls (salve nossas almas). Quem me conhece, obviamente sabe que fiquei pensando sobre o último, pela simples razão de me fazer lembrar da eternidade, espiritualidade, algo que considero sempre muito misterioso, intrigante e fascinante, pra dizer o mínimo.

No entanto, com o avanço das comunicações este código caiu em desuso e os pedidos de socorro passaram a ser feitos com mais rapidez utilizando uma parafernália de equipamentos sofisticados que vão da telefonia móvel, rádio, internet e satélites. Contudo, por mais sofisticada que seja essa tecnologia, alguns desses sinais de socorro não são captados, especialmente os que se referem a emergências intimas e ficam sem atendimento. Falo de um tipo de pedido de socorro, um SOS que muitas vezes é mais um apelo para conseguir levar a vida e superar um obstáculo do que um risco de morte, mas que precisa ser igualmente considerado, pois no final pode evitar um acidente grave. Para isso, e na maior parte das vezes, tudo o que precisamos fazer é dedicar um pouco de atenção, uma palavra de carinho e estímulo para que a pessoa recupere as forças e siga sua jornada.

Embora os pedidos nem sempre sejam atendidos, pela incapacidade de entendê-los ou pela indisposição de atendê-los, acolher esse tipo de solicitação pode ser tão importante quanto salvar alguém naufragando em alto mar. Se por um lado temos dificuldade de estender a mão a quem pede, seja por medo da violência ou impossibilidade qualquer, do outro lado temos muitos necessitados incapazes de expressar um pedido de ajuda. São pedidos que não se manifestam por medo de demonstrar fraqueza, insegurança e outros sentimentos que consideramos negativos e, portanto, tememos dificuldade de expressar.

Apesar deste temor em expressar uma necessidade, os pedidos de socorro acabam sendo feitos, só que de forma mais sutil, mais discreta, exigindo maior sensibilidade e melhor percepção para captá-los. Esse tipo de atitude é muito frequente e é utilizada principalmente por pessoas mais próximas, uma vez que, inconscientemente, nos consideram conhecedoras de seus problemas e acham desnecessários expressá-los. Mas, quando não conseguimos perceber essa necessidade, acabamos ferindo gravemente a outra pessoa, fazendo com que ela se sinta abandonada, rejeitada, insignificante e desenvolva uma infinidade de pensamentos equivocados que a levam a seguir um caminho infeliz.

Na ausência de um claro pedido de socorro, devemos ter muito cuidado para não tornar a situação ainda mais grave, o que requer mais que sensibilidade e habilidade para identificar a necessidade do outro,  exige dedicação, carinho e amor. Talvez seja por isso que muitos relacionamentos sofrem constantes atritos, pois quem precisa de apoio pensa tê-lo solicitado, mas quem deveria prestá-lo não o fez por falta de percepção em identificar o sinal.

Portanto, nós temos a obrigação de prestar atenção e interpretar esses pedidos de socorro imediatamente, bem como ajudar com a maior brevidade possível. Neste sentido, lembro que lá na comunidade onde cresci, quando alguém adoecia e não conseguia cuidar de todos os afazeres da plantação, imediatamente toda a comunidade se unia para ajudar, algo perfeitamente natural, de modo que o doente não precisava pedir, ou seja, a percepção daquelas pessoas era tão afinada que logo agiam.

Essa capacidade de se colocar no lugar do outro e perceber suas necessidades, atualmente, é algo raro, mas que precisa ser resgatado com urgência, mesmo que os pedidos de socorro sejam cifrados ou mal expressados. Se desenvolvermos a empatia, poderemos identificar os SOS alheios com facilidade e, conseqüentemente perceberemos que aquela pessoa que julgávamos chata, reclamona, e que tudo fazíamos para evitá-la estava apenas emitindo um sinal de socorro, pois sozinha não conseguia perceber a alegria de viver.

Aceitar ajuda e ajudar é importante para crescermos, pois nos oportuniza conhecer que a alegria em ajudar é a mesma de ser ajudado, porque este é o circulo da vida. Saber identificar, ter coragem de solicitar e principalmente de atender um SOS é o que nos faz melhores. Quanto à forma de comunicação, ela pode ser através do velho código Morse, um telefonema ou por meio de um grito da janela, o importante é ser claro e pedir ajuda sempre que for preciso, mas jamais se privar da alegria de poder ajudar. Fique atento, existem muitos pedidos de socorro sendo emitidos. Aproveite a oportunidade para exercitar, praticar. Descubra essa alegria. Boa semana

 

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16.11.09

Falsos Monstros.

Falsos Monstros.

Foi numa noite em que o sono me abandonou e nenhum livro conseguia me prender a atenção que resolvi socorrer-me à TV, que também não havia nada de bom pra ser visto, mas, mesmo assim parei num canal que exibia o desenho animado do scooby-doo.
Logo que inicia a trilha de abertura já se sabe como termina, uma vez que o final é sempre o mesmo, ou seja, o temível monstro que assombra o vilarejo ou a pacata família, na realidade não existe. Essa é uma fórmula que funciona muito bem para tornar o desenho do scooby um sucesso no mundo todo, já que o ser humano tem os mesmos impulsos e reações naturais em qualquer parte do planeta. Exemplo semelhante no mundo da televisão são as nossas novelas que, apesar de seguirem sempre o mesmo formato, conseguem prender a atenção de milhões de telespectadores brasileiros e de vários outros países.
Mas, nessa noite, ter assistido alguns episódios daquele cachorro atrapalhado e sua turma, foi muito relaxante e ao mesmo tempo instrutivo. O desenho me fez refletir sobre os intermináveis monstros que habitam o ser humano, sejam monstros verdadeiramente monstruosos, como os que são capazes de matar outro ser humano por um simples par de tênis, e muitos outros desta terrível espécie, ou os falsos monstros que ele mesmo (o humano) cria. São monstros inofensivos, mas tão temíveis como se fossem verdadeiros e fatais. A dificuldade em perceber esses falsos, ou melhor, inofensivos, já que para quem os possui, os cria e alimenta, causam tantos danos e temor, é como se realmente existissem. Esse medo relacionado aos monstros se inicia muito cedo em nossa vida e vai se modificando aos poucos. Assim, logo que crescemos um pouco, descobrimos que o temível bicho papão não existe, ficamos felizes e ousamos mais, a ponto de nos atrevermos a desobedecer às regras impostas pelos pais. Pois a ameaça maior passa a ser os pais, que são conhecidos e não o “imaginário” bichão papão, ou seja, quando se desmarcara o mostro se perde o medo e nos tornamos mais ousados. O mesmo acorre com o encanto do Papai Noel ou coelhinho da Páscoa que ganham outro significado quando nos tornamos conscientes da realidade.
Basta um pouco de reflexão para perceber que, seja na infância ou recentemente, podemosidentificar que vários daqueles falsos monstros que nos atormentavam, repentinamente deixaram de ter qualquer influencia em nossas vidas e, como num passe de mágica, deixaram sua monstruosidade de lado e se tornaram “inofensivos brinquedos de pelúcias”. No entanto, no momento presente ainda criamos, constantemente, novos monstros e alimentamos os velhos conhecidos. Os tememos tanto, que somos incapazes de nos rebelarmos, chegando ao extremo de confundi-los como guardiões de nossa prudência, segurança e conquistas. Alguns nos apavoram tanto que não temos coragem sequer de admitir sua existência, porém se quisermos nos transformar em pessoas melhores precisamos primeiramente identificá-los, estudá-los e gradativamente eliminá-los, mas acima de tudo deixar de produzi-los.
 Esses monstros que existem somente em nossas cabeças, representam o atraso e a própria ignorância no autoconhecimento.O efeito devastador que causam repercute na qualidade de vida, especialmente nos níveis de felicidade, uma vez que a felicidade habita um delicado jardim, no qual só há espaço para a suavidade das flores, a leveza dos pássaros e os sons primaveris, destoando completamente da brutalidade e agressividade destas criaturas devastadoras.
Somos capazes de criar monstros de várias espécies, divididas em famílias que vão da rejeição, preconceito, vaidade a motivação, auto-estima, vaidade. Esses monstros são inaceitáveis e devem ser combatidos constantemente e, a melhor forma que conheço para impedir que se proliferem em nossa mente é vigiar o pensamento constantemente. Identificar quais são os falsos monstros que nos impedem de avançar em nossa jornada evolutiva é fundamental para viver melhor. Se formos capazes de nos livrar das terríveis ameaças e medos que nos impomos, aumentaremos os níveis de bem estar e felicidade.
Uma vez livres desses temores seremos capazes de realizar verdadeiros milagres e superar qualquer obstáculo com confiança, naturalidade e conseqüentemente levarmos uma vida mais tranqüila e agradável. Os falsos monstros que criamos são muitos e tomam diferentes formas conforme a ocasião ou momento pessoal que estamos vivendo, portanto não podemos nos achar no direito de julgar tamanho e ferocidade dos monstros alheios, mas tampouco maximizar os nossos, pois, como nos episódios do Scooby Doo, no final não há monstro nenhum, exceto aqueles que criamos em nossa cabeça. Boa Semana.
 

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8.11.09

Propósito de vida.

Propósito de vida.
 
Uma das coisas boas do feriado é poder ver os amigos, reunir a família e matar a saudade que às vezes parece nos sufocar. No meu caso, reunir a família é viajar uns duzentos quilômetros até a casa dos meus pais, já que eles sempre têm “uma plantação para cuidar” e “animais para tratar”. Faço manha por eles me visitarem pouco, mas ao mesmo tempo tenho um imenso prazer em reencontrá-los, matar a saudade, respirar o ar do mato, descansar do caos do trânsito, enfim, da rotina agitada da capital.
O interior me faz recordar das coisas boas que vivi na época em que eu plantava milho, tomate, hortaliças. Foi num tempo em que eu precisava trabalhar na terra como todos os jovens de qualquer região do interior, aliás, muitos dos meus amigos e familiares ainda o fazem. No meu caso, “o destino” me impulsionou para seguir novos rumos, não apenas pela dificuldade e sacrifício que as atividades do interior exigem. A propósito, hoje eu sei que outras atividades, nas quais se “trabalha sentado e na sombra” nos consomem energia tanto quanto à do trabalho braçal de sol a sol. Enfim, a inquietude proveniente do meu intimo parecia inexplicável, era uma insatisfação constante, uma sensação de inadequação muito sutil que hoje, sei que foi algo ligado ao meu propósito de vida.
Esses tempos difíceis foram fundamentais não só para garantir a sobrevivência, mas para me ajudar a formar o alicerce moral, aliás, essa é uma das razões para atravessarmos tempos difíceis na vida, seja por questões de trabalho ou existenciais. Afinal, são as questões existências que nos empurram, seja para qual lado for. É a insatisfação interior que determina o tamanho da ação que iremos tomar e, em ultima análise, que caminho vamos dar a própria vida.
 A prosperidade, que é algo que vai além do que costumamos chamar de sucesso financeiro ou completo fracasso, são diretamente ligados ao propósito interior. Na verdade, há dois propósitos em nossa vida: um interior e outro exterior. O interior é o que dá o genuíno significado da vida, é o que diz respeito ao ser e não pode ser encontrado no exterior, ou seja, nas coisas que dizem respeito ao fazer. O significado exterior é o que fazemos e, portanto, não é o mais importante, pois nem sempre reflete o que realmente somos. Não há nada mais prazeroso que descobrir o propósito interior, pois é o que dá sentido completo a vida, entretanto, os dois são interligados de modo que um reflete o outro. Não se pode tratar de um sem mencionar o outro; não dá para medir o grau de satisfação com a vida sem considerar os dois, uma vez que existem pessoas que vivem em constante atividade e outras morrendo de tédio, mas ambas infelizes. Da mesma forma, existem as extremamente limitadas ao trabalho e as condições financeiras, mas felizes. Tudo está interligado pelo propósito de vida de cada um, embora o interno reflita no externo e, por isso, os dois devem estar alinhados.
O propósito interior precisa ser acessado, desperto, pois faz parte do projeto coletivo de todo o planeta; ele é imutável enquanto o exterior pode variar no decorrer do tempo e ser totalmente diferente para cada pessoa. Talvez tenha sido isso que me empurrou para a cidade, enquanto outros foram submetidos pela própria vida às mesmas condições e permaneceram trabalhando a terra, felizes, sem sentir qualquer manifestação de descontentamento ou outro desejo qualquer. Afinal, a satisfação pessoal é à base do verdadeiro sucesso, e esse advêm da descoberta do propósito interior, que por sua vez é obtido pelo despertar da consciência do que realmente somos.
Encontrar o propósito interior e viver alinhado com ele é o segredo para a satisfação exterior, o sucesso e a prosperidade. A verdadeira razão de viver é tornar-se um ser melhor e contribuir para a melhoria de qualquer forma de vida, do todo, porém, para que isso possa se tornar realidade é necessário despertar e desenvolver a consciência do nosso papel, alinhar os propósitos e trabalhar para torná-los realidade. É necessário ingressar neste estágio de consciência para não direcionarmos nossa vida somente ao trabalho, a condição financeira, ou a cuidar da família, tampouco só voltar-se à oração, o espiritualismo e a crença.
Assim, como não podemos deixar os animais sem os cuidados necessários, também não podemos viver sufocados pela saudade e desejo de visitar os amigos e familiares. Por outro lado, o inverso é ainda mais devastador, pois satisfazer todos os nossos desejos ou matar todas as saudades, talvez não seja somente algo impossível, mas também muito prejudicial ao nosso crescimento. Portanto, não me atrevo a criticar a vida caseira que algumas pessoas adotam, como a dos meus familiares que pouco me visitam, uma vez que estes parecem ter alinhado seus propósitos, ou talvez nem tenham despertado para essa necessidade. Contudo, meu dever é assegurar-me do meu verdadeiro propósito e buscar a concretização do mesmo, pois é descobrindo a verdadeira razão de ser de cada um, que construiremos uma nova terra. Boa semana.

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2.11.09

Lei de Murphy em ação.

Lei de Murphy em ação.

Às vezes, mesmo que tenhamos feito tudo que julgamos correto para que algo aconteça dentro da conformidade, o resultado se torna algo totalmente danoso. São situações do dia-a-dia em que é difícil encontrar uma explicação lógica por, talvez, serem incompreensíveis para a maioria das pessoas, apesar de ocorrerem com muita freqüência. Diante do insucesso em remediar a situação, quem sabe a melhor solução seja apenas deixar acontecer e seguir em frente, pois, às vezes, quanto mais se mexe, remexe na situação pior ela fica e mais confusão e aborrecimentos nos causa.
Chamo isso de lei de Murphy* em ação, embora resista em admitir que isso possa ser verdade, não posso negar que fatos indesejáveis acontecem sucessivamente trazendo conseqüências desastrosas, apesar das tentativas em contê-las. Não gosto nem de pensar nessa lei, porém é difícil negar que, apesar de nos esforçarmos para que tudo tenha bom êxito, nem sempre conseguimos reverter à situação. Porém, sempre vale a pena procurar remediar os fatos e, por pior que o saldo final possa parecer, sempre sobra o aprendizado. Este aprendizado é extremamente importante, e possivelmente de tão importante e necessário, utiliza-se da lei de Murphy, para gerar as conseqüências que precisamos para aprender, porém é preocupante que raramente isso seja percebido e assimilado.
Aprendemos por inúmeras maneiras, uma vez que existem várias formas de transmitir e assimilar conhecimento, porém, nada é eficiente se não estivermos dispostos a aprender. No entanto, não podemos esquecer que aprender exige sacrifícios, renúncias que na maioria das vezes nos causam dor. Aliás, os aprendizados mais importantes na vida de uma pessoa ocorrem através da dor ou do amor, mas parece que a preferência geral é pela dor, não por masoquismo, mas por falta de percepção das oportunidades que o amor oferece. Esta equivocada “escolha” pela dor ocorre porque a porta que dá acesso ao longo corredor do amor tem a pintura desgastada pelas batalhas da vida e não parece tão atrativa quanto a outra porta que esta maquiada com as corres dos sonhos e ainda parece dar acesso a um atalho que nos conduz imediatamente à felicidade.
A opção baseada na aparência e no raciocínio imediatista nos assegura escolher a porta do atalho, mas logo nos primeiros passos percebemos que esta se reveste de um tortuoso caminho de dor, pois a verdadeira razão da vida é tornar-nos um ser melhor a cada dia, através do enfrentamento das adversidades que ela impõe, seja de ordem material, psíquica ou espiritual. O caminho a percorrer não tem atalhos nem armadilhas, pois Deus não é um sádico que nos prendeu num labirinto, Ele é sábio e nos proporciona experiências para crescermos e sempre que necessário nos submete a infinitas seqüências, até conseguirmos superar a adversidade e assimilarmos o aprendizado. Para esta caminhada dispomos da livre escolha e das características pessoais, as quais podem ser aperfeiçoadas ou adquiridas.
Assim, a revolta e a indignação diante de certos acontecimentos em nada contribuem, uma vez que imprevistos ocorrem para nos despertar e aperfeiçoar. A não aceitação apenas nos colocará novamente diante de uma sequência indesejada que só termina após efetuarmos o aprendizado. Essa enorme dor é desnecessária e perdurara durante todo o processo, mas torna-se gratificante e recompensadora assim que compreendemos, aprendemos o que necessitamos para o próprio desenvolvimento. Despertar para a dor desnecessária, fruto da persistência negativa, do orgulho, da vaidade e teimosia é algo que não tem nada a ver com capacidade intelectual, embora possa ser uma dedução lógica, mas é algo relacionado a autopercepção, a consciência de si mesmo, isto é, ao próprio desenvolvimento. Este processo é individual e solitário, no entanto só pode ser alcançado com a prática da caridade, da solidariedade e das interações com o próximo.
A verdade é que não somos vitimas de nada e nem de ninguém, somos totalmente responsáveis pelo nosso destino que é a felicidade, porém esta, segue etapas sequenciais que são pré-requisitos para que possamos desfrutá-la, afinal seja qual for o “reino dos céus" estará acessível a todos. O que nos diferencia é a distancia que ainda temos a percorrer.
Minhas batalhas com a lei de Murphy, ainda são freqüentes, mas estão cada vez mais curtas, uma vez que já acumulei experiência e força suficiente para enfrentar cada obstáculo com coragem e com alguma ponta de gratidão, pois me sinto mais feliz a cada vitória e um pouco mais distante da dor. É um processo de aprendizagem e crescimento lento, mas reconfortante e compensador, do qual, não podemos nos omitir mesmo diante de repetidas adversidades. Devemos persistir confiantes porque temos uma caminhada a fazer e um papel a desempenhar. Boa semana.
                                   
        *Lei de Murphy: "se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará”.
 

criado por Jair Antonio Pauletto    15:17 — Arquivado em: Artigos, Crônicas

18.10.09

Intolerância.

Intolerância.
 
Depois do terceiro chopinho a conversa fica mais leve e a mente se encarrega de voar, como a minha, que há alguns dias atrás foi parar lá na escola primária onde estudei. Na ocasião lembrei de um professor que lecionava religião cujo nome não recordo, mas fisicamente ainda poderia descrevê-lo como feio, magro, baixinho e com um enorme e bom coração, maior até que o seu próprio corpo. Ele tentava colocar nas nossas cabeças, nas dos rebeldes em especial, alguma coisa de religião. Tarefa nada fácil, pois na minha época ninguém reprovava nessa disciplina, porque éramos todos filhos de famílias extremamente católicas e o que nos ensinavam em casa ia muito além do conteúdo da aula.
Mas, retomando o assunto intolerância, aquele humilde professor de religião, quase trinta anos depois, surgiu na minha cabeça para me fazer perceber que sou intolerante desde aquele tempo. Lembrei claramente que não pude suportar uma infeliz colocação do professor, quando tentou nos mostrar a importância de estarmos sempre na graça de Deus, que dizia mais ou menos assim: “temos que estar sempre livres de qualquer pecado, pois imaginem se um dia acordarmos mortos, não haverá mais tempo para perdoar ou sermos perdoados”.
Diante dessas palavras de “acordarmos mortos” não agüentei e soltei uma baita gargalhada e repeti debochadamente várias vezes as palavras, acordar morto, acordar morto, que o pequeno professor se transformou num gigante expulsando-me da sala no mesmo instante e, é claro, no final do ano fui o único aluno que ficou com recuperação nessa disciplina, aliás, desconfio que ate hoje eu tenha sido o único ou certamente o primeiro. Esta lembrança possivelmente seja o fato mais marcante da origem da minha intolerância que, apesar de acreditar que esteja mais civilizada, ainda me incomoda em diversas situações.
A intolerância que é companheira do preconceito e da discriminação é algo inaceitável, porém existem ocasiões em que um pouco de paciência e compreensão são suficientes para resolver qualquer situação com calma e tranqüilidade, ou seja, de forma civilizada. Parece ser algo fácil de aceitar, mas na prática é algo muito difícil de ser aceita, compreendida e assimilada, basta observarmos o comportamento diante de uma fila que não anda ou de um atendente mal preparado.
No entanto, sem querer ser muito intolerante, mas já reconhecendo firmes traços deste mal, no sentido de impaciente, não consigo admitir qualquer intolerância quando se trata de diferenças de pensamentos e crenças. Neste sentido, certamente não sou intolerante, mas por outro lado não consigo tolerar a minha cunhada, por exemplo, que uma noite dessas, às 2h da madrugada me acordou com um telefonema perguntando se eu estava dormindo. Bem, no auge da minha intolerância, só podia responder: SIM, só estou te respondendo porque sou sonâmbulo. Hora, é óbvio! Se estou falando ao telefone é porque estou acordado, o que não significa que eu estivesse acordado antes do indesejável telefone tocar. Essa minha impaciente tolerância muitas vezes se manifesta sem eu mesmo perceber, o que me deixa profundamente irritado, quando em algumas situações veste-se de arrogância, presunção e insolência. Tudo isso, naturalmente, me remete a uma profunda decepção, quanto ao meu comportamento e desenvolvimento moral, mas persisto fortemente no propósito de me tornar mais compreensivo e paciente diante destas situações.
Sei que poderia ser muito mais difícil avançar se a minha intolerância fosse no campo das idéias ou da religião, algo que torna, os que a possuem pessoas extremante equivocadas em relação à individualidade e liberdade humana. O tênue traço que separa a discussão respeitosa da intolerância é a emoção, o que faz com que muitas pessoas, apesar de serem tolerantes com relação à política, sexo e religião, são extremante intolerantes com uma idéia qualquer de um familiar, amigo ou outro alguém.
Expresso essa minha falha de personalidade para comprometer-me publicamente em melhorar essa deficiência, mas principalmente para que possamos refletir e avaliar a infinidade de comportamentos indevidos que diariamente praticamos com os que nos cercam. São atitudes e pensamentos equivocados que manifestamos e silenciosamente vão se fortalecendo em nosso comportamento, impedindo que novas atitudes e ideias se manifestem, para que seja possível transformar velhas crenças em ações mais amplas, capazes de tornar a vida mais próspera e feliz.
A discussão sobre a intolerância é ampla e facilmente segue o caminho que aponta as falhas alheias, no entanto o mais difícil e o melhor a fazer é reconhecer e aprender a lidar com a própria intolerância. Boa semana. 

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