Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

29.9.06

Claro

SE QUISERMOS MODIFICAR UMA SITUAÇÃO, PRIMEIRO TEMOS DE MODIFICAR A NÓS MESMOS. E PARA NOS MODIFICAR EFETIVAMENTE, ANTES TEMOS DE MODIFICAR AS NOSSAS PERCEPÇÕES.

criado por Jair Antonio Pauletto    23:15 — Arquivado em: Miscelâneas

28.9.06

A Poltrona Certa


Não confundir, psicoterapia, aconselhamento, treinamento ou apoio psicológico com psicologia. Não presuma que esses profissionais saibam tudo sobre psicologia. Em geral, eles oferecem sua visão pessoal, suas crenças, seus princípios gerais da vida que geralmente não são muitos diferentes que os seus.
Pesquisas americanas mostram que a maior parte dos profissionais que se intitulam como “grandes terapêuticos” não utilizam os clássicos estudos de pesquisa em psicologia e que muitos desses até mesmo os desconhecem. A psicologia acadêmica baseada em pesquisas e estudos cientificamente comprovados tem sido deixada de lado. Conselhos providos desses profissionais são úteis tanto o quanto aos dos conselhos de um bom amigo.
Geralmente os ditos de “grandes profissionais” se dedicam mais ao marketing pessoal do que em contribuir com o desenvolvimento dos seus pacientes e da sociedade. As pesquisas ainda mostram que a maioria desses profissionais tiram suas referências dos velhos livros clássicos da teoria Freudiana, estudados na época da faculdade. E veja só!…Freud deixou de atualizar os seus livros a mais de 100 anos.
Não quero dizer que os bons profissionais não devam ser consultados, devem sim e sempre que necessário. Felizmente existem muitos profissionais sérios, mas como em qualquer área, selecionar um bom para cuidar da nossa saúde mental é uma tarefa tão importante quanto a decisão de começar um tratamento.
O inicio geralmente é uma decisão difícil para a maioria das pessoas. Falo isso com experiência própria. Depois de muita resistência e totalmente contrariado, marquei minha primeira consulta num consultório de psicologia. Mais de três décadas da minha vida havia se passado, contudo, a certeza de freqüentar um consultório de psicologia era o mesmo que estar usando um relógio e pagar para que alguém lhe dissesse as horas, era o pensamento que me acompanhou na primeira consulta.
E foi exatamente isto que falei à simpática e formal psicóloga que me atendeu no dia da consulta, isso é claro, depois de me refazer do impacto de encontrar uma sala muito diferente da qual imaginara nas minhas expectativas de paciente.
A sala era aconchegante e com uma decoração de muito bom gosto, mas havia algo que se diferenciava, que por ora, para minha grande surpresa, não havia Divã e sim, duas belas poltronas, uma em frente à outra. A distância entre uma e outra, era uns dois metros mais ou menos.
A psicóloga enquanto fechava a porta, gentilmente pediu para que eu ficasse a vontade e me sentasse. Agradeci e optei em sentar na poltrona que ficava de frente, assim eu não ficaria de costas quando ela fechasse a porta. Após a entrevista, e esclarecimentos de como seria o trabalho, sai do consultório com uma segunda consulta agendada, porém fiquei pensando se iria voltar ou não.
Uma semana depois, decidi que não iria faltar. Cheguei ao consultório, e ao entrar na sala, novamente deparei-me com uma surpresa; percebi que a poltrona que havia sentado na primeira seção não era a poltrona do paciente, e sim da psicóloga, assim como a caixa de lenços de papel e o enorme relógio, que estavam no móvel ao lado da poltrona passou a fazer sentido.
Cinco anos se passaram e mudanças aconteceram, como alguns conceitos, por exemplo. Sinto que a mudança ocorreu, ora, pelo aconselhamento psicológico ou pela decorrência do ritual das idas ao consultório ou pela evolução natural.
Como o filósofo Artur Schopenhauer escreveu: “A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.”

criado por Jair Antonio Pauletto    12:09 — Arquivado em: Miscelâneas

27.9.06

Quando o passado não passa.

Ele estava navegando por oceanos recém descobertos Ao navegar em uma baía ainda desconhecida reparou-se com uma sereia encantadora. A atração foi imediata, afinal sereias não aparecem toda hora, e como sempre acontece quando se vê uma sereia, ficou enfeitiçado. A sereia por sua vez também ficou encantada e convidou-o a tomar sol em uma praia mais restrita. A Sereia era o que de mais lindo e maravilhoso ele conhecera em toda sua vida. Ela o encantava não só pela beleza e elegância, mas também pelo ambiente que envolvia aquela linda criatura o fascinava. A brisa, as águas, o sol e a praia não eram os mesmos que das demais espécies do oceano. O cantinho da sereia era totalmente apaixonante e ele sentia que queria fazer parte daquele ambiente.
Eles atuavam no cuidado à vida marinha. Ela se dedicava a uma área específica, enquanto ele dedicava-se a preservá-la e prolongá-la. Ela estava cumprindo sua missão de Sereia, embora ainda não tivesse conhecido o verdadeiro amor. Suas experiências amorosas resultaram em três lindas sereias e algumas frustrações, mas para a realização pessoal ainda faltava-lhe um grande amor.
O Biólogo jamais vivera uma relação com tanta intensidade e encantamento, estava vivendo o sonho que sempre sonhara, mas sabia que não era sua missão nesta vida dedicar-se a Sereia, pois eram de espécies diferentes. O Ser Superior os criara com missões diferentes, e certamente estavam desempenhando-as de maneira satisfatória. Ele sabia disso, dedicara alguns anos da sua vida ao estudo desta matéria, porque fazia parte de sua missão. 

Ambos eram da mesma essência divina e já haviam vivido um intenso relacionamento, e esse passado agora, estava se fazendo presente neste encontro inusitado.
Abrir mão desta relação não era algo fácil, pois a intensidade das vivências passadas se manifestava com toda a força e ressaltava ainda mais o encanto que a Sereia lhe despertava. E, na mesma proporção que o conhecimento e a compreensão que ele tinha da vida dela e seu ambiente, também deixavam-na fascinada.
Sabiam que o passado sempre tem reflexo no futuro, e o presente devia ser aproveitado para superar o passado e garantir um futuro melhor. Mas, eles eram seres em evolução, com uma alma eterna e esperar nova oportunidade não era algo fácil de ser compreendido no estágio de evolução que se encontravam. O passado que deveria ter ficado para trás, atuava agora como propulsor de um sonho cada vez mais real e colorido, era preciso ter força, coragem e paciência para deixar de vivê-lo agora.
Entretanto, um sonho quando tem oportunidade de realização deve ser concretizado. Sabiam que tinham a eternidade para buscar a iluminação, então por que deixar o sonho para realizar depois? Esse era um esforço que não estavam dispostos a fazer, ou seja, a caminhada rumo a iluminação teria que ficar para a próxima encarnação.
Os sentimentos entre o casal eram intensos, e a preocupação com a felicidade do outro era o desejo de ambos. Esse desprendimento de abrir mão da pessoa amada era o sentimento que os unia. Não sabiam nomear esse sentimento, mas atribuíram-lhe o nome de amor. 

O amor faz parte do caminho para a Luz. Ou, será que para avançar nesta etapa do caminho haveriam de abnegar o amor entre os dois? Essa era uma questão que os intrigava.
Certamente havia uma resposta, mas como não a compreendiam. Decidiram então viver aquele amor, e o preço seria pago posteriormente. Sabiam que essa escolha os desviava da missão, e mais uma vez o passado não seria superado. Colocando-os novamente no circulo vicioso que haviam caído a várias encarnações, mas o Pai generosamente haveria de lhes proporcionar novas oportunidades, porém a caminhada será inevitável.
Um dia o passado deverá ficar para trás e a missão completada.

Quanto mais tarde, mais difícil será quebrar este laço. O fluxo da vida não para, e o preço um dia deverá ser pago.Pense nisso.

Veja também: http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=14605 

criado por Jair Antonio Pauletto    9:36 — Arquivado em: Crônicas

26.9.06

As faces de um sentimento

Desde muito cedo somos ensinados e acabamos tomando muitas coisas como verdade absoluta, tornado esse condicionamento tão forte que crescemos sem perceber que apreendemos a pensar e podemos desejar uma ou outra coisa nas mais variadas áreas.
E quando o assunto é amor, a regras são muitas, sendo muito comuns conceitos prontos como se sentir isso é amor, mas se sentir aquilo não é amor, ou ainda “se estiver se relacionando com uma pessoa e sentir desejo por outra é porque, então, você não a ama” Ou “Quem ama quer ficar o tempo todo com a pessoa amada, e nada mais lhe interessa”
Normalmente essas afirmações são repetidas sem serem contestadas, talvez seja pelo fato de o ser humano ser mais propício a repetir e não a pensar. Além de, geralmente, as pessoas pensarem que precisam de alguém ao lado para sentirem-se mais seguras, e assim tratam de convencer o parceiro de que as coisas são assim mesmo, e, assim preferem não correr riscos. E permanecem na zona de conforto, pois o desconhecido apavora, deixando de adotar atitudes mais corajosas deixando de ser ousados em relação ao amar. Embora a grande maioria negue é o que geralmente ocorre.
Se considerarmos que os filósofos, desde a antiguidade, já diziam que há, basicamente, três tipos de amor: Amor filos, que é o amor fraterno, que seria o amor entre irmãos e/ou amigos; o amor Eros, que é o amor entre homem e mulher; e o amor ágape, que é o amor de Deus, ou seja, o amor Supremo.
Mas, seja qual for o amor, é preciso coragem para expressar esse sentimento belo, que é a razão da existência humana. Não é possível acomodar-se na zona de conforto de que a vida é assim, e acreditar que permanecer assim se é mais feliz do que desafiar a comodidade e ter coragem de aceitar que o amor é um afeto único independente de como seja classificado. É claro que podemos distingui-lo em algumas pequenas características, mas cada um independente dos aspectos que possam diferenciá-los deve ser vivido na sua plenitude.
Contudo, independente do sentido ou classificação que quisermos lhe atribuir, o amor é um só, e para começarmos a pensar diferente da maioria é necessário uma boa dose de coragem e vontade de viver intensamente, pois amores sem coragem são desnutridos, apáticos, mornos e caem assim que tropeçam na primeira pedra do caminho. Amores fortes atravessam muitas barreiras, e esse amor é o incondicional, aquele que pode tropeçar em diversos obstáculos, alterar a rota, sem deixar de brilhar, independente de quantas tempestades tenha que atravessar.
Mas há o Amor incondicional que não tem orgulho, não é envaidecido, é discreto, é puro, despretensioso e justo, portanto é grandioso. Esse amor não vive subjugado a determinadas condições, não exige troca ou reciprocidade. Os poucos corações que conseguem viver esse tipo de amor são privilegiados, pois são generosos, eternos, sublimes e conseguem guardar dentro deles tanta ternura mesmo depois que param de bater.
Só ama incondicionalmente quem é possuidor de uma grande alma, e esse tipo de alma sempre vem acompanhada de um espírito de maior elevação, e a luz deste tipo de pessoa brilha mais que a dos demais.
Felizes daqueles que despertam para essa forma de amor, esses têm motivos de sobra para se orgulhar de ter um coração especial carregado do mais puro dos sentimentos.
Essas almas possuidoras da capacidade de amar incondicionalmente são acompanhadas de um espírito de luz, e como a humanidade está aqui na terra para maior elevação, e poucos ainda estão despertando para a busca da luz, do amor incondicional é um sentimento experimentado por poucos.
Grande parte da humanidade ainda não despertou para o caminho da elevação, da luz, e é aí que essa questão de amor se torna ainda mais confusa, especialmente entre a juventude que pratica o que chamam de “o ficar” ou “o amor livre”. Mas os adultos, os casais constantemente têm que recorrer a terapias ou ao imenso universo do auto-ajuda, devorando livros atrás de livro à procura de fórmulas para a chamada vida boa.
Você precisa amar a si mesmo antes de poder amar alguém, esta é uma das premissas centrais da auto-ajuda e de muitas orientações psicológicas de eficácia duvidosa. Quer dizer que antes de ter qualquer relacionamento romântico, devemos primeiro aprender a amar a nós próprios, mas entendo que o oposto é verdadeiro: que amar os outros nos torna mais merecedores de amor e amorosos. Amando os outros apreendemos a nos conhecer melhor e despertarmos com maior intensidade o amor próprio.
Mas talvez, quando se trata de amor, a maior parte das pessoas acredita que o amor eterno somente irá acontecer quando achar sua verdadeira Alma Gêmea. Entretanto o amor eterno não é uma questão de achar a pessoa “certa”. É a questão de ser a pessoa certa. Ninguém é amado o tempo todo do jeito que deseja ser amado, portando pare de procurar o amor e comece a demonstrá-lo. Preocupe-se em ser amável e, se você é casado, compreenda que amar um casamento e tão importante quanto tentar encontrar alguém com quem você amaria se casar.
Como a humanidade ainda não despertou para o caminho da luz e, portanto, dificilmente consegue amar incondicionalmente. Mas se você não conseguir amar incondicionalmente, preocupe-se mais em merecer amor do que amar incondicionalmente ou com seu amor-próprio. Ninguém, inclusive você, será amável se não se comportar amorosamente.
Seja num relacionamento ou no cotidiano podemos amar de várias formas, no sentido mesmo do amor, que encontramos no namoro, casamento, no amor pelo filho, pela mãe, amigo ou por qualquer outra pessoa.
É preciso disposição e coragem para demonstrar o amor e assim lutar contra a frieza e as ações mecânicas dos dias de hoje, e assim estaremos combatendo essa onda de violência dos tempos atuais.
Podemos aprender amar se relacionando. trocando experiências, afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. somos livres para optar. E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém é ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento, é arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade. é doar e receber, é estar disponível de alma, é compartilhar momentos para que as surpresas da vida possam aparecer.
Aquele amor Romântico, a paixão é uma condição mental temporária, causada primordialmente por um desequilíbrio neuro-hormonal. É o caminho da evolução que nos multipliquemos, porém, se nos acalmarmos e esperarmos, a paixão e/ou o amor romântico sempre passa e o verdadeiro amor pode crescer. O Amor verdadeiro não é olhar nos olhos da pessoa amada, pois, desse modo, você só verá as pupilas do outro; amor duradouro da-se quando se apreende junto com o outro a para fora, para o mundo, sem ficar olhando demoradamente as pupilas um do outro.
Mas independente de como você entenda ou sinta o amor, nunca deixe de amar e ser amável para atrair cada vez mais amor. Pare de tentar o seu pleno potencial amoroso, pois provavelmente seu potencial neste momento não será maior do que você tem agora. Lutar para alcançar ainda mais só causará desapontamento. Pare de focar no seu potencial e comece a pensar em fazer o melhor com o que você já tem. Potencialize o que você tem/é hoje.
Se todos somos artistas e amar incondicionalmente é uma arte, só temos que praticar para virarmos verdadeiros mestres.
Boa caminhada, Sucesso.

criado por Jair Antonio Pauletto    9:08 — Arquivado em: Miscelâneas

25.9.06

ORAÇÃO.

Das grandes Civilizações antigas, como as egípcias, babilônicas, persas e a indiana que me causam maior fascínio. Uma amostra da humanidade deste povo que até hoje nos comovem este texto ou se preferirem essa oração indiana do primeiro milênio a.C.

A Origem Rigveda

Nem o Não-Ser existia então. Nem o Ser.
Não existia espaço, nem o firmamento além dele.

Quem se movia então? E onde? Sob a guarda de quem?
Seria a água insondavelmente profunda?

Não existia a morte. Nem a não-morte.
Não havia nenhum sinal separando a noite e o dia.

Só o Uno respirava por sua própria força,
Sem que houvesse Sopro.

Fora disso, nada havia.
Nada, nada.

No começo as trevas estavam escondidas pelas trevas.
Este universo era somente onda indistinta.

Então, pelo poder do Ardor, o Uno surgiu.
Principio vazio e recoberto de vacuidade.

O Desejo foi seu desenvolvimento inicial.
Desejo que foi a primeira semente da consciência.
Foram os sábios que pesquisaram com a mente dos seus corações
e descobriram a ligação entre o Ser e o Não-Ser.

A corda que os separava estava estendida em transversal:
quem estava embaixo?
quem estava em cima?

Havia doadores de sementes,
havia forças poderosas,
ação livre aqui
e energia lá.

O impulso espontâneo estava embaixo.
O dom de si estava em cima.

Quem poderá saber e anunciar
qual a origem dessa criação secundária?

Os deuses são posteriores ao aparecimento deste mundo.
Quem sabe, pois, de onde ele proveio para o Ser?

De onde nasceu a criação?
É ou não objeto de uma instituição?

Ele,
Que fita o mundo alto,
só Ele o sabe….
porventura nem mesmo Ele
o saberia?

Oração retirada do livro As Mais Belas Orações de Todos os Tempos da editora Pensamento. Selecionadas e traduzidas por Rose Marie Muraro e frei Raimundo Cintra.

criado por Jair Antonio Pauletto    9:32 — Arquivado em: Miscelâneas

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