Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

28.11.06

Uma Janela


Quando alguém fala que abriu uma janela e não especificar, podemos pensar que se trata de uma janela da residência, de um automóvel, de ônibus ou então de uma janela de alguns sistemas de informática.
No entanto, janela é uma expressão muito mais ampla no uso popular ou até mesmo acadêmico, como por exemplo; janela geológica, no texto ou de um vídeo, como também pode ser uma referência aos olhos, conhecidos como a janela da alma.
Assim, seja como for, pra mim uma janela é muito mais que a definição do dicionário. A percebo como uma nova opção, uma abertura, uma passagem, uma saída, uma nova forma de enxergar, de exibirmos algo, uma oportunidade.
Sempre que possível procuro ficar próximo a uma janela. Não é nenhuma espécie de fobia e nem sei explicar o que é talvez isso ocorra devido a um impulso do inconsciente, ou uma forma para procurar ver além, de estar aberto para o novo, ou então para deixar entrar o invisível. O simples ato de olhar pela janela nos remete para um novo mundo, um mundo que reflete nossa alma, um universo individual capaz de despertar os mais variados sentimentos.
É impossível deixar de ver e sentir a presença Divina quando espiamos pela janelinha do avião e observamos aqueles lindos flocos de algodão fofinhos e aconchegantes, que parecem nos convidar a uma esticadela, como se fossem uma cama macia nos esperando. Ou ainda, se deixarmos à imaginação fluir, podemos ver um belo parque de diversões com belos escorregadores para brincarmos, montanhas e lindas esculturas. Aquelas nuvens mais grossas parecem nos convidar a deitar nelas e brincar de Todo Poderoso, ficar espiando os humanos lá em baixo nos seus afazeres e aflições, como se estivéssemos esticados na cama, lendo um livro aberto no assoalho.
Nos dias de sol a infinita matiz proporcionada pelo contraste do sol com as nuvens e o azul do céu, formam uma imagem indescritível. Já nos dias de tempestade, os raios parecem fogos de artifícios entre belas construções numa noite de blecaute em um grande centro urbano. E nessa hora, se você se concentrar, irá sentir uma energia incrível e inexplicável, capaz de fazer qualquer cético parar e pensar na existência do invisível.
Obviamente que também podemos observar outras imagens maravilhosas como as noites enluaradas, por exemplo. Em que é possível ver o curso dos rios como se fosse uma serpente prateada que se locomove entre as cidades iluminadas que parecem árvores natalinas.
Se estivermos andando de carro, especialmente quando não estamos dirigindo, até às paisagens urbanas, geralmente muito cinzentas e monótonas, podem nos proporcionar surpresas incríveis, como aquela intrépida árvore cujo tronco esta todo castigado, mas que insiste em florescer apesar de tanta poluição. Ou até aquela pequena folhagem que desafiando tudo e todos cresceu no alto de um prédio ou em uma velha construção resistindo às intempéries e o escasso alimento.
Mas, ao nos afastarmos do cinza das grandes cidades, a paisagem torna-se mais colorida, e, além de encantar os olhos, nos convida baixar o vidro do carro e mais uma vez através da janela, a sentir os cheiros da natureza, nos proporcionando infinitas sensações de prazer.
E por último, apenas para citar três janelas “materiais”, é importante lembrar das janelas de nossas casas e de nosso local de trabalho. Podemos aprender muito com essas janelas. É através delas que temos a possibilidade de renovar os ares, relaxar, olhar as mudanças do dia, sentir melhor o clima, deixar a renovação entrar e sair o que não queremos mais, e principalmente ver e sentir a vida.
Mas também podemos olhar pela janela e não ver nada, por mais que a janela mostre as mais belas paisagens. Seria como nos conformarmos em olhar somente pela janela dos fundos e mais, nos acostumarmos a ver só os fundos e dar de cara com uma sólida e fria parede.
Dessa forma, procure ser como uma janela sempre aberta para deixar entrar e transparecer o belo e o novo em sua vida. Porém nunca uma janela fechada, e se tiver que ser de fundos, jamais se acostume com ela.

criado por Jair Antonio Pauletto    21:14 — Arquivado em: Crônicas

27.11.06

Linha 171 - Parte I


As dificuldades de locomoção, especialmente nos grandes centros urbanos são enormes, é uma das principais reivindicações da população, para com seus governantes. A maior parte da população depende do transporte público para seu deslocamento, somente uma menor parte possui seu próprio meio de transporte, mas nem por isso sua locomoção é facilitada, pois, todos conhecem as dificuldades estruturais que fazem do nosso transito o campeão de engarrafamentos, acidentes e mortes.
Cansada do estresse diário de dirigir seu elegante automóvel para se deslocar às seis quadras que separam sua casa do consultório, Célia abandonou o carro e aderiu ao ônibus. Ela é uma terapeuta conceituada que dedica oito horas diárias a ajudar seus pacientes a superarem suas dificuldades. Leva uma vida pacata, é estabilizada financeiramente e tem nos filhos, já adultos, sua principal preocupação, embora sejam inteiramente independentes. Com seus cinqüenta e poucos anos, é uma mulher de hábitos simples e de estremo bom gosto. É invejada pelas amigas da confraria do arroz pela sua elegância, equilíbrio e charme.
Após a separação era constantemente assediada pelos homens mais cobiçados da cidade, mas preferiu dedicar-se ao trabalho porque não se sentia disposta a uma relação amorosa, considerava-se amada pela família e tinha todo o carinho que precisava dos seus pacientes e amigos.
Era seu primeiro dia no transporte público. Chegou ao ponto dez minutos antes do tempo que havia previsto, afinal, era o primeiro dia que iria de ônibus e não queria deixar seus pacientes esperando, pois, em poucos minutos estaria no trabalho.
Ao avistar o ônibus, linha 171 que a levaria até o trabalho, deixou-a um pouco nervosa, pois em sua vida havia andado poucas vezes de ônibus. O ônibus pára e a porta se abre na sua frente, Célia leva alguns segundos para dar o primeiro passo, e é quase atropelada por uma jovem apressada, mas prossegue e elegantemente sobe os três degraus. Enquanto procura um lugar para sentar, o motorista lhe dirige um sonoro bom dia, que lhe responde timidamente e com surpresa.
Como previra, cinco minutos após estava desembarcando tranquilamente em frente ao trabalho. Célia gostou da experiência e certamente dali pra adiante, iria adotar o ônibus para ir ao trabalho.
Trabalhou intensamente o dia todo, assim como, eram intensos os pensamentos em relação à experiência matutina. No final do dia como sempre fazia há quase trinta anos, fechava o consultório às 20h e 30m, e se dirigia para casa. Entretanto, ao chegar à portaria, sentiu-se insegura em voltar para casa de ônibus e achou melhor pegar um táxi.
Após rápido lanche, viu o noticiário na TV e deitou-se para ler um pouco antes de dormir. Estava cansada, mas mesmo assim demorou um pouco para dormir, pois a experiência do ônibus invadia seu pensamento e afastava o sono.
Pela manhã acordou novamente disposta a repetir a experiência, e com uma ansiedade inexplicável foi esperar o ônibus, sentindo-se agora, como se já fosse uma veterana.
Subiu tranquilamente e esperou o bom dia do motorista, agora ainda mais sonoro. Pouco depois, estava no consultório com uma sensação que não sabia descrever, atribuiu-a a conquista da independência.
Apesar da notoriedade profissional conquistada com seus estudos e teorias inovadoras, jamais imaginara que um ônibus pudesse provocar uma sensação de conquista, satisfação e liberdade tão grande. Estava disposta a continuar exercitando este ritual enquanto este processo lhe proporcionasse essas sensações agradáveis.
Como especialista na área sentia-se intrigada por não conseguir definir o que estava acontecendo. Não atribuía a agradável mudança ao fato de ter superado o medo e conquistado a liberdade de circular pela cidade, apesar do risco que estava submetida pela falta de segurança, todavia, devia ser alguma outra causa que ainda iria identificar.

criado por Jair Antonio Pauletto    22:00 — Arquivado em: Crônicas

25.11.06

Motivação e Sucesso

Motivação é a locomotiva quando queremos que algo em nossa vida prospere e seja um sucesso. Ser titular ou reserva no jogo da vida é definido pelo nosso estado de motivação. Para alcançarmos as metas que nos propusermos e superar as batalhas da vida, temos que acreditar em nossos objetivos e ter um desejo intenso de que vamos alcançá-los.
É claro que estar preparado e qualificado é a melhor sorte que podemos ter em nossos propósitos. É a condição para sermos bem sucedidos. Quanto mais capacitados e qualificados estivermos, mais “sorte” teremos para alcançarmos nossos objetivos. Isto é fato, logo, se negligenciarmos, perderemos grandes oportunidades.
Quando estamos qualificados, já percorremos meio caminho, mas sem método e vontade não alcançaremos a vitória.
É natural que todos queiram conviver e se relacionar com pessoas inteligentes, querer namorar, casar, ter filhos e amigos inteligentes, mas a inteligência não leva por si só ao sucesso, é preciso ter vontade e sem vontade não há motivação. Quantos de nós conhecemos pessoas que consideramos inteligentes, sempre foram os melhores da escola, conhecem tudo, sabem tudo, mas são um fracasso na vida pessoal e profissional pela falta de motivação. É preciso ter vontade para alcançarmos o sucesso.
A motivação é o combustível para a realização, é o que nos faz andar. Sem motivação, como o próprio nome diz, não temos motivo para agir e para partirmos para a ação.
Uma pessoa com sucesso ou vencedora não é só alguém que conseguiu uma boa carreira profissional, tenha uma boa casa, um belo carro ou qualquer coisa material. Essa pessoa pode ter realmente sucesso nesses aspectos, mas se deixar de lado o espírito, suas realizações não terão mais vibração e criatividade, sua energia irá se apagar gradativamente. Temos que cuidar do espírito, da mente, da família, dos amigos e transformar o sucesso material em prosperidade pessoal.
Manter-se motivado diante das pressões diárias, só é possível tendo um foco, um objetivo maior, uma razão para fazer acontecer e estar aceso para a vida. Mas isso só é possível ser alcançado quando soubermos quem somos qual o nosso papel na vida e nas das pessoas que influenciamos. É preciso descobrir nossa missão.

criado por Jair Antonio Pauletto    20:24 — Arquivado em: Miscelâneas

23.11.06

Amor, Sexo e Felicidade.


De repente, sentimos que uma sensação extremamente agradável nos invade e somos tomados por uma enorme paz que nos surgem nos momentos em que estamos felizes.
Esses momentos podem se revelar quando estamos fazendo algo que gostamos, mas certamente precisamos estar em paz para que se manifestem.
Um bom livro pode nos proporcionar alguns desses momentos, assim como, uma boa música, uma obra de arte ou um filme. Porém, nada supera os momentos quando estamos com as pessoas amadas, quando somos acariciados e quando nos sentimos amados.
Há inúmeros fatores que nos estimulam a sentir este adorável tsunami interior, uma mistura de emoções que surge de forma inexplicável no embriagar de prazer. São os prazeres físicos e os de natureza intelectual as maiores fontes do prazer positivo.
Esses momentos infelizmente não duram indefinidamente. São transitórios e necessitam de estímulos. Logo, podemos agir para que esses momentos se repitam várias vezes ao dia.
Esses prazeres somente são vivenciados se precederem outros negativos ou de neutralidade, sem esse contraste não são percebidos e vividos.
Muitas pessoas dizem que a felicidade não existe, e que no máximo temos momentos felizes. É claro que ninguém vive o tempo todo sorrindo imerso em prazeres e em total felicidade. O que precisamos é nos prepararmos para viver mais momentos felizes, especialmente nos campos psicológico e intelectual, embora o físico não possa ser deixado de lado.
O dia a dia com pequenas gentilezas também refletem em momentos felizes. Assim como tratarmos com cortesia e cordialidade as pessoas e passarmos a ver a vida de forma dinâmica, ou seja, como se fosse um filme e não uma fotografia. A vida é dinâmica. O tempo todo.
Deveríamos nos preocupar mais com a sensualidade, que com a beleza, ou a qualidade invés da quantidade, como tudo na vida, especialmente com o sexo.
Nesse assunto é bom ser cauteloso, já que esse instinto natural geralmente é confundido com amor. Não é por acaso que usamos a expressão “fazer amor” como sinônimo de relação sexual.
O sexo deve ser buscado como um complemento do amor, uma nova fonte de prazer onde a troca de carícias busca unicamente usufruir momentos de prazer. São momentos em que a excitação e as sensações tomam conta, a ponto de paralisar os pensamentos e nos envolver totalmente com o que estamos sentindo.
Amor é muito mais que sexo, é um sentimento importante e capaz de nos proporcionar momentos de plena felicidade e de sofrimento intenso. Amar implica estarmos à medida certa nas mãos da pessoa amada.
As pessoas que se encantam emocionalmente por alguém que não lhe inspire confiança, esse sentimento pode se tornar perigoso, provocando grande dor na pessoa amada e em nós mesmos.
Acrescentar sexo e amizade ao amor, só faz o amor crescer, ficar mais forte e se solidificar. É muito mais amor, porque implica em aconchego amoroso, amizade e cumplicidade passando a ser um relacionamento completo e pleno. Apesar de raro é o tipo de relacionamento ideal, que vale a pena ser buscado constantemente sem cessar, até conquistá-lo.

criado por Jair Antonio Pauletto    19:58 — Arquivado em: Miscelâneas

17.11.06

O Ceticismo e o Invisível.

 

A visão do cético é se pode ou não existir um mundo externo, e se existe, ele pode ser completamente diferente do que lhe parece, porque de fato não sabemos como ele é.
Suponha por exemplo que você argumente com o cético de que deve haver um mundo externo, porque é impossível acreditar que se tenham todas essas experiências sem que haja alguma explicação em termos de causas externas. O cético responderá a isso de duas formas: a) mesmo que existam causas externas, como você pode saber pelo conteúdo da experiência, que causas são essas? Você nunca observou nenhuma delas diretamente. b) em que se baseia a idéia de que deve haver uma explicação para tudo?
O cético é aquele indivíduo que não aceita como verdade qualquer coisa que lhe é oferecida. Para honrar sua posição o cético deve sempre pesquisar e tentar encontrar as melhores respostas disponíveis para seus questionamentos.
O argumento do cético não contempla as proporções empíricas; como a memória, a percepção e as fontes de conhecimento. Não acreditam em vida após a morte, nem em Deus, nem na influência dos astros sobre o comportamento de pessoas e nem em muitas outras coisas.
Verifica se o mundo de fato existe e que não temos o direito de dizer o que é certo e errado. Está sempre em vantagem em benefício da dúvida porque ao mesmo tempo também não desacredita, prevalecendo o ônus da prova cabe a quem afirma.
São indivíduos que buscam explicações mais coerentes para seus mais profundos questionamentos. Acham que suas teorias servem para explicar todos os fenômenos. Não acreditam no invisível. Mas o que é o invisível? Para a maioria o invisível é o que os olhos não enxergam e também pode ser o que ainda não se materializou, o que não foi criado, que não foi comprovado e que, por isso mesmo, ainda não pode ser enxergado, mas que existe.
O Invisível é o espectro das infinitas possibilidades. Não é o que não foi criado, é o que está esperando para ser criado. Tudo depende da forma de ver as coisas, como por exemplo; do copo meio cheio ou meio vazio.
Entre os céticos, há muitos que em sua petulância, pensam que são mais inteligentes pelo fato de serem descrentes. Os Céticos se armam para destruir o que aparece de novo é como se as novas idéias lhes atacassem, logo, as rejeitam.
Para destruir novas hipóteses, normalmente atacam os que crêem no invisível, os que vivem seus sonhos, que se entregam à religiosidade, também de forma pessoal, chamando-os de ingênuos, sonhadores, místicos e até fanáticos religiosos.
Não defendo o abandono do senso crítico e da capacidade de avaliação, apenas refiro-me aos que têm por hábito ou má vontade a descrença e não aceitam tentar algo diferente.
Ao mesmo tempo em que a física quântica, a chamada física das possibilidades, nos diz que não podemos confiar em nossas experiências sensoriais, em relação ao mundo externo, também não há razão para pensarmos que podemos confiar em nossas teorias científicas.
Mais uma vez o segredo é manter o equilíbrio, deixar fluir a imaginação e manter a mente aberta. Acreditar no invisível é uma questão de vontade.

criado por Jair Antonio Pauletto    16:32 — Arquivado em: Crônicas

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