Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

29.3.07

O Azul do Luar

Foi só a sereia chegar
Que o dia começou a brilhar
Até então, não sabia explicar
Mas a noite veio clarear
Após a lua azul, iluminar
O coração foi se acalentar
A dúvida passou a clarear
Sem precisar se esforçar
Mas desejava encontrar
O que o levou a se apaixonar
Era o coração a cambalear
De quem o fazia sonhar
Sem conhecer sequer o olhar
A ligação já não podia quebrar
Pois uma razão deveria encontrar
Horas e horas a divagar
Como pudera deixar
O amor dessa maneira entrar
Para quem vivia a declarar
Que tudo podia controlar
Em tempo algum esperar
Uma chama a lhe queimar
De repente deixou de acreditar
Que tudo podia se explicar
Agora queria se afogar
Só para o fogo apagar
E ao amor se entregar
O que mais poderia desejar
Que morrer naquele mar
Onde ela queria habitar
E que tanto dizia amar
Então ficou a pensar
O coração a saltar
No alegre ressonar
Queria logo falar
Que estava a amar
Se estava a sonhar
Não queria acordar

criado por Jair Antonio Pauletto    21:39 — Arquivado em: Contos

20.3.07

O Milagre Econômico da Fé.


Quase 40 graus. As árvores há muito tempo não exibem uma única folha verde. A moringa não consegue mais purificar a água turva retirada do açude do povoado vizinho.
As três crianças menores de sete anos já partiram na companhia dos anjos e os dois mais velhos, aguardam a chegada de Nossa Senhora. Elas foram criadas pela mãe nos rígidos princípios cristãos. O pai fora morto pelos saqueadores no inicio da guerra civil.
O padre era a única visita que aparecia naquele pequeno casebre, no meio do nada, a uma distância de uns oito quilômetros do pequeno povoado.
O lugarejo tinha como construção principal a igreja, erguida no final da rua poeirenta. Era cercada por uma dúzia de pequenas casas e por um armazém de secos e molhados. Na pequena colina, à direta, havia um campo santo, que crescia rapidamente a cada longa estiagem. Nos últimos anos a estação das chuvas se esquecera daquelas humildes e necessitadas pessoas, assim como, as autoridades.
Clemência, a filha mais velha, era magricela que parecia quebrar como um cristal se por ventura caísse. Mas era forte e firme na sua fé. Levava a vida com muita esperança e determinação. A mãe sempre lhe dizia desde criança:
- Filha, seja como aquele pequeno vime, ele é fraco, porém muito forte. Referia-se a resistência e flexibilidade da haste do vimeiro.
A menina nunca compreendeu o verdadeiro significado destas palavras, mas internamente sabia que precisava lutar para sobreviver, assim como o vimeiro fazia, tentando estender suas raízes para alcançar a escassa água que continha no açude.
A menina cresceu, e com apenas doze anos tomou a frente nos afazeres da casa, tornando-se a responsável pela família.
Havia semanas em que o único alimento disponível era uma rala sopa de farinha com uns pedaços de palma doce – uma espécie de cacto mexicano. No Brasil pode ser encontrada no sertão nordestino.
Clemência, nestes períodos de maior escassez, alimentava-se somente a cada dois dias, pois, deixava o alimento para a mãe e o irmão. Sendo que as poucas forças que lhe restavam, eram dedicadas a Nossa Senhora. Ajoelhava-se todos os dias diante da Santa e rezava horas a fio. Sua fé era inabalável, retirava a energia para viver desta devoção. Era incansável na sua fé. Mantinha toda a família unida na esperança que a santa um dia viria salva-los. Costumava repetir este ritual inúmeras vezes ao dia, na certeza que uma mãe que ama seus filhos jamais os abandona.
O irmão e a mãe acreditavam em Clemência, talvez até por falta de uma opção melhor, porém não tinham a mesma fé, como também não ousavam fazer qualquer questionamento, embora não entendessem porque a Mãe Generosa tardava tanto em socorrê-los.
As condições de sobrevivência pioravam a cada dia. O sol não dava trégua, o carro pipa que semanalmente abastecia o povoado de água, não aparecia há duas semanas. No entanto, isso já não fazia diferença, pois ninguém da família tinha forças para deslocar-se até lá em busca da água. Deitados nas redes, só lhes restavam à lembrança dos velhos sonhos de uma vida melhor, e a esperança de vivê-la no céu, como o padre ensinara.
Esperavam os anjos para levá-los para a felicidade da vida eterna, pois os pecados já haviam sido pagos ali mesmo, naquele inferno. Enquanto isso, Clemência tratava de umedecer os lábios da mãe, espremendo com suas últimas forças o caule de palma.
Uma semana depois, com o fim da guerra, representantes de uma ONG de ajuda humanitária, chegaram ao pequeno casebre e presenciaram aquela cena inacreditável.
Em poucas semanas os turistas começaram a chegar e a igreja incrédula, também enviou uma equipe de missionários para averiguar o que realmente estava acontecendo ali.
A cidade tornou-se um verdadeiro centro de vendas. Vendia-se tudo que pudesse servir de lembrança. Aos poucos, até outras crianças passaram a jurar que viram a imagem de Nossa Senhora sorrindo e abençoando-os.
A cidade em poucos anos tornou-se um dos maiores centros de peregrinação do novo país, transformando por completo a vida daqueles moradores. A realidade agora era outra. Podiam contar com água encanada e energia elétrica. As doze pequenas casas foram reformadas e transformadas em lojas para comercializar as “lembrançinhas” para os fiéis. Novas ruas se formaram e a da Igreja, recebeu calçamento de pedra, por doação dos fiéis. Até hoje não há nenhum reconhecimento oficial deste verdadeiro milagre, mas as pessoas devotas sabem que Clemência salvou sua família pela fé. Na realidade, a ciência comprovou que a “visão” de Clemência foi provocada pelo estado de desnutrição e desidratação, ou seja, estaria delirando. Esse fato apesar de contestado por muitos, é admitido pelo próprio padre que sempre cuidou da família. O inegável é que sem aquela “visão”, de Nossa Senhora lhe apontando a parede onde estava o quadro da Santíssima Trindade, Clemência jamais o teria removido de lá
Para sua surpresa, o pequeno quadro escondia um enorme ninho cheio de ovos de pomba-do-sertão, que serviram de alimento, salvando inacreditavelmente aquelas três sofridas almas. Quando ninguém mais acreditava que pudesse haver vida naquele casebre, o milagre os salvou. Foram encontrados, depois de semanas sem água e alimento, rezando abraçados e ajoelhados diante do altar improvisado com um “santinho” de Nossa Senhora e o quadro.
Clemência não só conseguiu salvar a família, como transformou á vida de todo aquele árido sertão.

criado por Jair Antonio Pauletto    22:43 — Arquivado em: Contos

O Segredo

Há cerca de um ano atrás, o filme/documentário "Quem somos nós", fez um grande sucesso, apresentando as conclusões que os cientistas chegaram de como podemos influenciar nossa saúde física e mental com nossos pensamentos.
Agora o filme “O Segredo”, lançado no final de 2006, também foi baseado em descobertas da Física Quântica. O filme está apenas começando a ficar conhecido no mundo, mas já está causando grande repercussão.
Há décadas, renomados autores escreveram vários best sellers, nos quais, apresentavam, embora sem grande embasamento científico, os benefícios do pensamento positivo. Esses livros eram vistos pelos cientistas de forma negativa, mas foram os pioneiros de auto-ajuda. Aqui no estado, o padre e escritor, Lauro Trevisan se destacou, lançando vários livros do gênero, percorrendo todo o Brasil e alguns países do exterior com seus seminários.
Mas a principal critica a esses autores era a falta de embasamento científico consistente. Agora, com as recentes descobertas da física quântica, as evidências científicas comprovam que essas teorias estavam no caminho certo.
O Segredo sempre existiu ao longo da história da humanidade. Ao ser descoberto, foi desejado, cobiçado, suprimido, escondido, perdido e agora recuperado. Muitos sábios que entraram para a história da humanidade descobriram e usaram este segredo. Porém finalmente, todos os fragmentos perdidos e espalhados em várias religiões e filosofias foram reunidos neste filme.
A história começou em um dia de 2004 quando Rhonda Byrne descobriu um segredo – Uma das leis do universo – e a partir deste dia, sua vida transformou-se. Ele percebeu que quase ninguém conhecia este segredo, embora os conceitos pudessem ser achados em quase todas as religiões e filosofias. E assim começa sua jornada de estudos e pesquisas sobre o segredo e suas técnicas de uso.
Muitos podem achar que este é mais um filme. Mais uma forma de entretenimento, mas trata-se de entrevistas com pessoas que usaram o poder do pensamento e conseguiram se alinhar ao fluxo para realizarem seus desejos mais profundos e superficiais.
Resumidamente, o segredo é a lei universal da atração magnética.
O principal desta descoberta é que a nossa parte não é descobrir como ele funciona nem o porquê, uma vez que podemos apenas usufruir dessa força. É a força universal da atração magnética, onde cada pensamento emite uma onda que atrairá sua forma correspondente.
Devemos simplesmente pensar (acreditar) no que queremos e o universo conspirará ao nosso favor para atrair o que desejamos.
Esse é o momento de cada ser humano reconhecer que a sua felicidade depende única e exclusivamente dele mesmo, dele e de seus pensamentos (desejos).
Nosso trabalho como seres humanos é pensar no que nós queremos e deixar isso absolutamente claro nas nossas mentes. Desse ponto em diante, nós passamos a invocar uma das leis mais poderosas do universo: A lei da atração. Você se torna e atrai aquilo no qual você mais pensa.
Esse princípio pode ser resumido em quatro palavras simples: pensamentos se tornam coisas.
Muitas pessoas não entendem que todo pensamento tem uma freqüência. Os pensamentos geram ondas magnéticas e isso pode ser comprovado em exames de tomografias magnéticas, eletro-encefalograma e muitos outros modernos métodos de diagnósticos da medicina. Mas, são nas pesquisas de Física Quântica que essas ondas magnéticas ficam mais evidentes e podem ser medidas e classificadas em uma tabela de forma, que coincidentemente chamamos de “emoções”. Hoje já há tecnologia capaz de medir um pensamento.
Então se você pensa na mesma coisa por várias e várias vezes, se você mantém aquela imagem na cabeça: aquele carro novo, tendo o dinheiro de que você precisa, construindo aquela empresa ou encontrando a sua cara metade, isso vai acontecer. O modo mais simples, de se entender é imaginar que somos um ímã que atrai objetos, pessoas, ou mesmo acontecimentos.
A energia magnética trabalha o tempo todo, 24 horas por dia, sempre atraindo o que pensamos, acreditando nela ou não.
E é aqui que temos que dedicar o máximo de nossa atenção e consciência, pois a atração ocorre quer a gente queira ou não, quer saibamos ou não, quer seja algo ruim ou bom.
Portanto, algumas questões devem ficar bem destacadas:
Você não precisa entender como funciona ou o que é a lei da atração, você deve apenas usufruir dela;
Existe um tempo de resposta a cada pensamento, ou seja, a lei da atração trabalha em tempo-retardado, sendo assim, qualquer coisa que você pensar sempre terá tempo para corrigir;
A lei da atração não distingue o que é bom ou ruim, negativo ou positivo para ela o fato de você pensar significa que você quer. Então não pense no que você não quer.
A lei é universal e sendo assim, funciona sempre e para qualquer pessoa.
Para saber se a lei da atração está agindo, é só prestar a atenção em suas emoções, se elas são positivas estão funcionando, se elas são negativas, você está no caminho errado.
Se você prestar atenção vai perceber que o poder de nossa intenção afeta nosso dia a dia, então abra os olhos e veja.
Se seu desejo é grande ou pequeno, não importa o universo que se vire, mas preste atenção a uma provável intuição, pois às vezes ele não te da à coisa, ele te da condições de ter a coisa, e aí você tem que fazer a sua parte.
Quando você tiver a intuição, você deve confiar nela e agir de acordo com ela.
Esqueça definitivamente as histórias que “meu destino é esse”, “que é esse o meu carma”, pois isso foi espalhado pelos lideres do passado que conheciam o segredo e não queriam compartilhá-lo.
Os pensamentos podem ser conscientes, aqueles pensamentos que você imagina, ou inconscientes, os que aparecem na sua mente.
O mais importante a se aceitar é que tudo ao seu redor, incluindo as coisas das quais reclama, foi unicamente você que as atraiu.
E para finalizar vale lembrar o velho ditado “o seu desejo é uma ordem”.
Preste atenção nos seus pensamentos e nos de seus amigos e encontrara evidencias da ação da lei da atração.
É claro que O Segredo é muito mais amplo que este texto, mas o importante é que entendamos que a lei da atração, esta ai para ser usufruída, basta querermos. Pensar e acreditar, este é o único caminho para o sucesso. Pense nisso.

criado por Jair Antonio Pauletto    18:56 — Arquivado em: Artigos

16.3.07

Lições que só a vida nos proporciona

Ninguém sabia exatamente quando ou quem foi o responsável pela simplificação. A hipótese mais provável atribuía a responsabilidade aos netos, como forma carinhosa de referir-se ao velho patriarca que viera da Itália ainda criança. Nono Berto era um homem trabalhador que se embrenhou no mato com “a cara e coragem”, como ele mesmo costumava dizer. Criou doze filhos ao lado da nona Berta, que na verdade chamava-se Maria. Fabulosa mulher, que bravamente lutou ao lado do marido, abrindo clareiras na mata para produzirem o sustento. Os afazeres domésticos eram realizados entre uma mamadeira, um ninar no caçula, e um balde de água apanhado do poço a quinhentos metros de casa.
As condições de vida eram precárias em todos os sentidos, muitas vezes os animais selvagens rondavam a pequena cabana, a procura das crianças. Várias famílias já haviam perdido filhos, subtraídos sorrateiramente pelas temíveis onças pintadas. Uma desgraça comentada freqüentemente nas noites de serão, com os longínquos vizinhos.
Nono Berto partiu vinte anos antes da amada Maria, que resistiu até os noventa e sete anos, com seu principal objetivo alcançado. Homem de fortes princípios, rígido disciplinador e fervoroso devoto de São Judas Tadeu, conseguiu transferir aos filhos os mesmos valores, especialmente o valor do trabalho e da fé. Além de alguns poucos hectares de terra, pedregosa e montanhosa, difíceis de cultivar, conseguir deixar enraizado na mente de cada um deles, mais que seus valores. Deixou provavelmente sem saber, o que de mais precioso possuía. O otimismo.
Nono Berto não conhecia as letras. O polegar era sua marca, mas possuía uma sabedoria intrínseca de dar inveja aos renomados autores, dos maiores best sellers da auto-ajuda. Era um homem próspero e venturoso. Sentia-se um vencedor, realizado através do sucesso pessoal.
Ele corretamente afirmava que o otimismo levava ao sucesso, justamente o contrário da grande maioria das pessoas que até hoje acreditam que o sucesso leva ao otimismo. Este pequeno ensinamento, hoje cientificamente confirmado, não só o levou a realização pessoal, como foi fundamental para que os filhos prosperassem. Ensinava que o segredo do sucesso é ir além do ponto que o pessimista alcança. Não ultrapassar esta barreira e contentar-se com pouco, é aceitar a visão do fracasso, é não ter fé no próprio merecimento. É necessário superar esta barreira e perseverar, sempre acreditando no melhor, vigiando o pensamento para que esteja direcionado para o otimismo.
Naquela época, a depressão uma das maiores doenças da atualidade ainda não era conhecida. Ninguém sofria dessa verdadeira “epidemia”, claro que os pessimistas vão dizer que era porque a luta pela sobrevivência devia ser tão intensa que não sobrava tempo para a depressão, mas os otimistas sabem que não. A razão é muito simples, um pessimista sempre encontra nos seus pensamentos limitantes os motivos positivos para justificar seus insucessos. Apoiado nesta falsa justificativa torna-se incapaz de pular o muro que o levaria á prosperidade. No entanto, os pessimistas são ótimos, talvez até insuperáveis na capacidade de ver uma situação com precisão, o que pode ser muito útil em algumas profissões, como nas áreas de segurança e controle contábil. No entanto, o sucesso vai além de ver a situação com precisão, requer ao mesmo tempo, que se visualize um futuro interessante, promissor.
Para alcançar o sucesso, além de conseguir analisar bem a situação presente, é preciso desenvolver uma visão de longo prazo e muitas vezes postergar um pequeno prazer imediato para usufruí-lo em abundância posteriormente. Obviamente que podemos sempre nos considerar pessoas de sucesso, pois isto é muito pessoal, o que é até muito bom, se acreditarmos verdadeiramente. Mas, se tivermos um diálogo interno franco, e obtivermos uma resposta divergente, é preciso urgentemente aprender a ser otimista, conservar a capacidade de perceber a realidade e ao mesmo tempo sonhar com eficiência.
Os que conheceram nono Berto, dizem que sua “formula” de sucesso continha essa combinação de realidade com sonho. Eu não tenho dúvida que o otimismo sempre esteve presente em sua vida e na dos seus contemporâneos. Certamente o sucesso dos imigrantes, alemães, italianos, poloneses ou de qualquer outra etnia, no desbravamento de nosso país, deve-se a capacidade que tiveram em cultivar o otimismo. Pense nisso. Sucesso.

criado por Jair Antonio Pauletto    17:41 — Arquivado em: Crônicas

7.3.07

Uma breve viagem

A estrada cortava a serra em um ziguezague, como se quisesse fugir dos morros mais altos. Porém, ao chegar no morro que antecede a chegada na casa grande, escolheu cortar o cume e descer direto, dividindo-o ao meio, para depois continuar nas sucessivas curvas.
Ao chegar no topo do morro, é possível visualizar o casarão e boa parte das instalações próximas. A casa é de dois andares, além de um porão imenso e um sótão. Ela está alicerçada sobre enormes troncos de árvores, sendo que o porão foi edificado com tijolos e barro porque o cimento naquela época ainda não era conhecido. Os andares superiores eram de madeira de araucária, até então, abundante na região.
Tábuas de cinco metros e meio, com dois centímetros de espessura juntavam-se para contornar a enorme habitação. O telhado era bastante alto e fortemente inclinado para evitar que a neve se acumulasse, embora nunca tivesse nevado mais que alguns flocos em anos cada vez mais espaçados. As janelas simetricamente localizadas do porão ao sótão, eram estreitas e altas, recortadas por pequenos e numerosos vidros retangulares, assim como as portas, só que essas, na metade inferior ganhavam grossas almofadas delicadamente esculpidas em madeira nobre.
Descendo a estrada, à direita, um pequeno portão dava acesso à entrada da propriedade, que ficava distante, aproximadamente uns trezentos metros. O Caminho era amplo e se dividia ao encontrar uma verdejante cerca viva, direcionando um lado para a entrada do porão e outro para a entrada principal. Logo após a bifurcação, um enorme cinamomo sustentava em seus galhos dois balanços.
Todo o acesso principal era acompanhado, a direita, por uma malhada de palmeiras centenárias que se estendiam até uma pequena construção, localizada no canto superior direito do pátio, a qual fora a primeira residência. Ao lado desta, um pequeno telhado abrigava um forno de barro, no qual exalava um aroma de pão fresquinho pelo menos duas vezes por semana.
Da porta principal do casarão podia-se observar o amplo pátio, quase todo de chão batido. Algumas áreas apresentavam pequenas quantidades de grama, já outras, formavam pequenas poças d água sempre que chovia. Além das palmeiras, um enorme parreiral subia a encosta, ladeando a estrada. Um pouco mais a esquerda, um enorme pomar, onde os caquizeiros exibiam seus exuberantes frutos.
Além das palmeiras e do gigantesco cinamomo no pátio, enormes nespereiras uniformemente alinhadas entre a antiga residência e a atual, exibiam suas grossas raízes, expostas pela erosão. Mais a direita, quase na lateral da casa, junto a um tanque de lavar roupas, um grande varal tremulava entre as laranjeiras. Um pouco mais atrás, havia um galinheiro e a “casinha”. A casinha servia para depositar as necessidades fisiológicas dos moradores. E bem lá no fundo, iniciava um outro parreiral que se estendia até um pequeno alambique, localizado a beira de um córrego, cuja nascente ficava a poucos metros dali. As demais construções ficavam nos fundos da antiga residência e resumia-se em um pequeno chiqueiro, uma estrebaria e um paiol, onde era guardado tudo que se colhia da roça. Havia também um pequeno puxado que abrigava um arado e uma carroça, além das ferramentas, como enxadas e foices.
O que se produzia de mais nobre, era guardado no porão da casa. Era o local exclusivo para pendurar os salames, abrigar as enormes pipas de vinho, a graspa feita no próprio alambique, além da comprida mesa de madeira, usada para a matança do porco.
Rodolfo imediatamente percebe que não consegue mais voar. Sim, estava voando como se fosse o super-homem do cinema. Era uma experiência estranha, porém muito boa. Ele podia lá do alto, não só observar, como também reviver os primeiros anos de sua vida, passados naquele cenário, que por ora, ia sumindo devagarzinho junto com a claridade que ameaçava arrastá-lo.
E, assim que a enfermeira terminou de aplicar o medicamento, o “bip” do monitor voltou a se estabilizar, trazendo tranqüilidade para todos. Finalmente, médicos, enfermeiros e auxiliares, puderam comemorar a chegada do ano novo naquele CTI, vitoriosos com o sucesso do tratamento.

criado por Jair Antonio Pauletto    13:21 — Arquivado em: Miscelâneas

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