Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

29.7.07

Amigos do coração

Amigos do coração

Hoje resolvi escrever o que normalmente não consigo escrever. Não, não é contraditório. Embora isso pareça um pouco estranho ao amigo, tenho dificuldade em me expressar, isso se torna ainda mais evidente quando é sobre o assunto que vou abordar. Não se trata de um texto sobre o nada, embora já tenha escrito um, cujo nome é repensado o nada .

O que não sei escrever ou dizer com palavras, é o sentimento que brota quando encontramos ou pensamos em uma pessoa que “amamos”. Obviamente que não se trata de um sentimento qualquer ou do mesmo amor que nutrimos ou alimentamos diariamente em nossas necessidades amorosas, oriundas geralmente da família, namorada ou das pessoas que estão mais próximas. Falo de um amor no sentido mais amplo, porém com a mesma pureza e alegria. Aliás, não tenho bem certeza se é dessa forma que pode ser descrito.

É um sentimento desperto muitas vezes por um simples e-mail, uma lembrança ou uma saudade de algo qualquer. Mas talvez nada desperte mais essa necessidade de poder escrever e obviamente sempre que possível, dizer o quanto queremos bem essa pessoa, que no dia do seu aniversário, na formatura ou de uma conquista qualquer.

A intenção é procurar no melhor espaço do coração a flor mais perfumada e formosa e entregá-la com um carinhoso beijo. Mas, com quais palavras expressar tudo isso? É um momento em que a riqueza de palavras da nossa língua se torna insuficiente ou dificulta ainda mais, e, quando nos damos conta, o dia do aniversário está terminando, o relógio pressiona e, finalmente só nos resta dispararmos o tradicional feliz aniversário, saúde e paz…. Quando na verdade queríamos ter dito tudo o que não havíamos conseguido expressar e, ao mesmo tempo desejar-lhe muito, mas muito mais que essas palavras triviais. Manifestando um amor sincero e generoso. Expressando o desejo de afagar, de acariciar e imunizar-lhe qualquer dor, pois lhe queremos tão bem. Mas incrivelmente não fazemos isso.

Outra situação bastante comum ocorre com os amigos virtuais. É assim que os chamamos, mas quem os têm, sabe que são bem reais, apenas não os conhecemos fisicamente. Prova disso é que sentimos saudades se em um pequeno espaço de tempo, por uma razão qualquer, perdemos o contato. Ficamos com a sensação de aperto no coração. Como se fosse um sinal para não esquecermos da importância que tem em nossa vida ou talvez para nos lembrar o quanto tememos em sermos esquecidos , bem como para o desejo de sermos amados

Mas, apesar de não saber escrever sobre esse sentimento que qualifico de amor, pela sua origem e pureza, embora tenha tantos outros adjetivos ou sinônimos. Acredito que todos já tenham experimentado esse sentimento em algumas ocasiões. Essa minha limitação em descrevê-lo vai muito além, principalmente quando originado do coração, pois é indescritível até para o maior mago das palavras.

Mas o mais importante é senti-lo em seu coração e principalmente manifestá-lo.

Um abraço carinhoso.

criado por Jair Antonio Pauletto    23:01 — Arquivado em: Miscelâneas, Pensamentos

14.7.07

Um Turista em Copacabana

Um Turista em Copacabana

Grudado no encosto da poltrona com o cinto ainda afivelado, viu o oceano aproximar-se como se fosse a morte. Mas, em poucos segundos, a pista aparece e sente-se extremamente aliviado. Assim, Francisco chegou na cidade maravilhosa, para participar de um curso com a duração de três dias. Há mais de dois anos, após ter deixado a roça, era sua primeira oportunidade na empresa.

No segundo dia, já ambientado a rotina, que consistia basicamente no deslocamento do hotel ao local do curso para assistir às aulas. A noite, ao deitar-se, finalmente conseguiu dormir tranqüilamente, pois, a atenção e a preocupação ficaram para trás. Acordou atrasado e vestiu-se rapidamente para assistir a última aula.

Pela tarde, finalmente poderia conhecer à praia. Lugar que almejava apreciar intensamente. Mesmo com seus 28 anos, morando na longínqua e pequena São Gonçalo do Rio Abaixo, nunca tivera o prazer de conhecê-la.

A aula transcorria conforme programação, mas a ansiedade de Francisco tornava a manhã longa demais. Até que, finalmente o instrutor propôs uma dinâmica de grupo para o tão esperado encerramento. A timidez que acompanhara Francisco nesses três dias sumiu subitamente ao se prontificar para ser o primeiro a desenvolver as atividades propostas pelo coordenador do curso.

No decorrer da dinâmica, percebe que algo estava escorregando por baixo da calça próximo ao tornozelo. Sacode discretamente a perna e, eis que, surge uma cueca. Surpreso, reconhece a cueca. Era aquela comprada especialmente para a viagem. Imediatamente pisa com os dois pés sobre a peça, observa o ambiente e num movimento rápido, pega a cueca e coloca-a no bolso. Por alguns instantes, ficou pensando como a cueca foi parar na calça daquela forma, até lembrar que na noite anterior, ao despir-se, tirou a calça com a cueca ao mesmo tempo. E, na manhã seguinte, na pressa, vestiu a mesma calça sem perceber a presença da outra peça. Lembrou da sugestão do amigo Pedro, da pensão, que usasse cuecas enquanto estivesse em viagem, pois dizia que aquele calção samba canção, o qual, costumava usar, não seria muito adequado para a ocasião.

Francisco começou a odiar a tal peça. Considerava-a justa e incomoda, principalmente com aquele corte mais ousado que lhe apertava as “partes” em alguns movimentos. De forma alguma se comparava ao bom e velho samba canção que estava acostumado. Ainda bem que à tarde, depois do curso, voltaria a usá-lo.

Após o constrangedor episódio, e encerramento do curso, retornou ao hotel e se preparou para conhecer copacabana. Após almoçar, iniciou os preparativos para a praia. Primeiro, para proteger o “branco” do sol, passou protetor solar, vestiu uma camiseta Janis Joplin, meias três quartos branca com duas listras no tornozelo e, finalmente, o tênis Rainha. Todos comprados especialmente para a ocasião. E, è claro, o confortável e folgado samba canção que estava acostumado.

Passeando pelo calçamento da orla, ficou impressionado com o mar e com os edifícios. Parou em frente ao Capacabana Palace para admirá-lo. Lamentou não possuir uma câmara fotográfica para registrar aquele momento tão sublime.

Ficou encantado com o comportamento das pessoas que por ali circulavam. Os surfistas procuravam a melhor onda, as crianças brincavam na areia, outros tomavam sol, alguns andavam de bicicleta ou, simplesmente caminhavam pela orla, entre tantas outras atividades que aconteciam por ali. Francisco então resolveu ambientar-se e criou coragem para pisar na areia que aquela imensidão sem fim, trazia.

A sensação foi tão agradável que resolveu ficar descalço. À medida que se sentia mais à vontade no novo ambiente, adentrava um pouco mais no mar, molhando-se dos pés aos joelhos. A agradável sensação da água salgada fez com que ousasse um pouco mais, tirou a camiseta, colocando-a junto ao tênis na parte mais alta da faixa de areia e, jogou-se ao mar. Essa, com certeza foi a melhor experiência da sua vida. Era impossível descrever tamanha sensação e emoção. Permaneceu naquela água por horas e horas…Somente saiu quando percebeu que havia se afastado dos seus pertences, a ponto de perdê-los de vista.

Caminhando distraidamente, curtia a areia quente deslizar entre os dedos, quando de repente, olhares e mais olhares lhe eram dirigidos, porém para um único lugar e logo percebeu que o calção molhado deixava transparecer suas partes intimas.

Ao olharem para aquela parte que se alongava até quase a altura do joelho, incrédulos, os homens o invejavam, já as mulheres, não menos incrédulas, o desejavam, e as mais assanhadas, sonhavam, fantasiavam…“Aquilo”, era realmente desproporcional. O segredo para aquela “magnitude” talvez fosse o fato de ter sido criado solto no folgado calção. Dimensão um tanto constrangedora para os curiosos olhares, mas natural para feliz proprietário.

Francisco não resistiu e, como que estivesse falando para toda a praia, gritou:

- Vão dizer que quando vocês ficam muito tempo na água “o de ocês” também não encolhe?

Indignado, vestiu sua Janis Joplin e dirigiu-se para calçadão rumo ao hotel.

criado por Jair Antonio Pauletto    19:59 — Arquivado em: Contos

11.7.07

Agora é a hora

Agora é a hora

Todos temos a tendência de subestimar ou de superestimar aquilo que não possuímos.Vemos oportunidades em vários lugares, mas nunca estamos neles. Justificamos nossas frustrações enquanto esperamos as condições ideais para darmos o primeiro passo em direção a realização dos nossos objetivos. A questão que precisamos responder não se refere ao que faríamos caso tivéssemos as condições necessárias, mas o que fazemos com o que possuímos.

Na verdade, a oportunidade está sempre onde você está e nunca onde você estava antes ou deveria estar. Para chegar em algum lugar, seja qual for, temos que partir de algum lugar que sempre estará exatamente onde você esta.

Temos a capacidade de gerar o que necessitamos a partir de nós mesmos. Um presente divino que muitos resistem em abrir e desfrutar.

A falta de foco, por exemplo, faz com que negligenciemos o que pode ser feito no presente, dedicando energia ao que só poder ser feito depois. Sonhamos em chegar no alto sem disposição para começar de baixo. Pois, saiba que se realmente queremos aprender algo, o caminho seguro é começando de baixo, exceto quando apenas se quer aprender a nadar. Sentir-se frustrado por não conseguir o que se deseja e esperar as condições adequadas é desperdiçar o que já se possui.

È necessário que tenhamos iniciativa para realizar. Os realizados foram em frente e fizeram o que era preciso, antes mesmo de se sentirem prontos.

Todas as grandes personalidades obtiveram sucesso exatamente por não terem tido as vantagens que os outros tiveram. Enquanto se preparavam para alcançar o sucesso, chegaram lá.

Se você não acredita, lembre-se que tudo o que você tem agora, há algum tempo não passava de uma esperança. Tudo o que Deus nos prometeu, já nos foi dado através da capacidade que temos em gerar tudo o que quisermos. Ocorre que não ousamos experimentar, assim não sabemos do que somos capazes. Preferimos acreditar que, ao seguirmos determinadas crenças ou religiões, desfrutaremos da felicidade eterna, eximindo-nos da responsabilidade pelo próprio desenvolvimento.

É claro que não podemos fazer tudo ao mesmo tempo, mas também não podemos nos recusar a fazer algumas coisas que podem e devem ser feitas agora.

Pequenos milagres também ocorrem todos os dias em nossa volta, assim como a mídia nos traz diariamente más noticias, basta observarmos mais atentamente o cotidiano. Eles dificilmente aparecem no noticiário, mas existem.

O hoje, já foi um dia, o futuro em relação ao qual você nutria expectativas no passado. Por isso, viva para o hoje e não permita que as expectativas para o futuro monopolizem sua atenção, deixando de fazer o que está ao seu alcance hoje. Fazer o melhor no presente é o que nos colocará num melhor lugar no momento seguinte.

Observe, fique atento, pois geralmente você hoje está no lugar certo, na hora exata e, no entanto, talvez não esteja percebendo isso. Não precisa ser agricultor ou qualquer outro especialista para saber que não haverá flores amanhã sem que a semente seja semeada hoje. È preciso investir, trabalhar, preparar o terreno e dedicar-se para que a semente que esta em nós possa germinar. Assim como é para qualquer colheita é para a nossa vida.

Os remorsos que a maioria das pessoas experimentam na vida advêm da falha em agir quando surge a oportunidade. Grandes oportunidades aparecem para todos, mas poucos percebem que estão diante delas. A única forma que temos para identificá-las é estar atento ao que cada dia nos trás. Em última análise, o agora é tudo que temos. Tudo o que ainda não aconteceu e tudo o que ainda está para acontecer, são meros pensamentos.

Viver bem o hoje, é a única forma de nos prepararmos para as oportunidades, quanto para os obstáculos do amanhã. Sonhar e imaginar é importante, mas não podemos esquecer que um pouco do futuro chega a cada instante.

Quem não executa suas resoluções quando estão bem vívidas em seu pensamento, não pode nutrir esperanças que as executará posteriormente, pois terão perecido na confusão e na agitação do mundo ou afundarão no pântano da apatia.

Todo o dia carrega consigo inúmeros presentes. Desembrulhe-os. Pense nisso.

criado por Jair Antonio Pauletto    23:09 — Arquivado em: Artigos

10.7.07

Chama Piloto

Nosso amor abrasador
Virou uma pequena chama de aquecedor.
Só acende,
Quando abrimos a bica.

criado por Jair Antonio Pauletto    8:30 — Arquivado em: Pensamentos

8.7.07

Desejos

 

Desejos

De tantos sonhos e devaneios,

A cúmplice e testemunha cama,

Tanto desejo nunca presenciou.

Entrelaçados como se fôssemos um,

Neste momento de entrega total e

Adentro aos teus domínios.

Enquanto inundas meu coração…

Guiados pela paixão,

A bordo de intenso prazer e

Aconchegados na pele nua,

Transitamos nos caminhos do Amor.

Percorrendo as curvas perfeitas.

Conduzes-me por vales e montanhas

E, em aquecida caverna me abrigas.

Entregues a este imenso amor,

Sem limites ou pudor, nos faz transcender.

Nesta luta canibal, me devoras de prazer.

Viciado em te querer, me fazes enlouquecer…

Seguindo seu embalo, viajo no desejo e

Reabasteço-me neste sublime torpor

Para acompanhá-la neste recomeço.

Como escravos deste desejo.

criado por Jair Antonio Pauletto    11:23 — Arquivado em: Pensamentos

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