Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

29.9.07

Magia

Magia

Milhares de séculos a sua procura.

Em cada existência a vida faz esquecer,

Mas a alma registrou.

Um dia voltaria a viver

Acreditava….

Duvidava….

Seguindo sem rumo atrás das máscaras

Percebeu um olhar de estranha energia.

Não compreendia, sentia.

E passou a perturbar-se….

Observou, cresceu e procurou,

Na magia, a explicação,

Os recursos para tudo afastar.

Encontrou, sem esperar,

A certeza de que a vida iria mudar:

Almas livres,

Almas rebeldes,

Almas selvagens,

Almas, Ardentemente,

Fundiram-se.

Surge uma luz inexplicável,

Ardente.

Flutuaram sem entender, compreender….

Foram a outro mundo, ao verdadeiro lar.

Selvagens, Puros, Carinhosos e Sensuais,

Entregaram-se ao infinito amor

Descobrindo o real sentido do prazer.

Percebendo que a loucura, a falta, o vazio,

Já não existiam.

Agora podiam viver a magia

Do amor verdadeiro, Selvagem e liberto

No mundo de inexplicáveis emoções

 

 

http://recantodasletras.uol.com.br/contos/669001

 

 

criado por Jair Antonio Pauletto    12:40 — Arquivado em: Miscelâneas

24.9.07

Saudade e vontade

Saudade e vontade

Saudade combina com vontade

Saudade não deixa esquecer

Faz lembrar e faz reviver

O impossível de esquecer

Saudade remete ao meu bem querer

Faz crescer o desejo, o amor florescer.

Minha saudade desperta a vontade

Vontade de ter, sem ter possuído

Vontade de estar, ver e sentir

Experimentar o que não foi vivido

Vontade de beijar,

Aquele beijo molhado, colado, acalorado,

Vontade de estar, viver e passear ao seu lado

Vontade de falar…

Das coisas do coração, da enorme paixão

Que me remete ao tempo de criança

Cheio de sonhos e esperança.

Tempo da calça furada, e conga ralada

De alegria e festa com a gurizada

Saudade anda junto à vontade

Companheiras almas gêmeas

Sempre revelam a verdade

De um amor, sem quantidade

Traz o sonho da adolescência,

Do primeiro amor e a impaciência

Do desejo e da loucura,

Transformando a vida numa doce loucura.

Por andar com a vontade

Traz consigo a esperança

Que a paixão ganhe a liberdade

Se transforme em amor e felicidade

Juntas andam saudade e vontade,

Como nós dois, nos amando.

É a vida ganhando maturidade

É o amor se multiplicando

Por toda a eternidade.

Nesta louca mistura

Saudade, vontade.

criado por Jair Antonio Pauletto    15:50 — Arquivado em: Pensamentos

23.9.07

Trabalho

Trabalho

Excelentes obras, utilidades e projetos estão a nossa disposição, obviamente com os mais diversos custos para serem apreciados. Mas, uma das mais populares e incomparáveis obras nos foi oferecida há muito tempo, por algum artista despreocupado com a fama ou reconhecimento, porém, conhecedor das necessidades humanas, ou pelo menos de uma delas. Ofereceu-nos um leito suave e arejado, onde poderíamos nos embalar e esquecer os dissabores da vida.

Para uma grande maioria de hiperativos e neuróticos por trabalho, significa produtividade, agilidade e crescimento econômico. Para os sábios na arte de viver, pensam logo em um bom livro, no laser e prazer em se balançar nela. A rede que me refiro, foi criada para proporcionar momentos agradáveis de descanso, apesar de ser vista por muitos como um símbolo boa vida, despreocupação e de preguiça.

Somos levados a acreditar que com a incorporação diária de tecnologias cada vez mais avançadas, as atividades desenvolvidas pelo ser humano as longas e estressantes jornadas de trabalho ficaram para trás. Embora, a revolução industrial que se utilizou dessas jornadas de até 18 horas, tenha ficado para trás há mais de dois séculos, ainda hoje somos surpreendidos com o resgate de trabalhadores desenvolvendo atividades em condições precárias e até mesmo de escravidão. Como é o caso de algumas fazendas nas regiões mais setentrionais do país ou a questão dos trabalhadores ilegais em vários países com grande oferta de mão-de-obra como a China neste momento.

A valorização do trabalho foi estimulada pelos formadores de opinião do passado e continua com os atuais, sendo que as religiões se encarregaram de difundi-lo como sendo um valor fundamental. Quem de nos nunca ouviu, como forma de coerção religiosa ou estimulo para valorizar o trabalho, a frase “O diabo sempre inventa uma maldade para quem está de mãos vazias”.

O genro de Karl Marx, Paul Lafargue, que faleceu no início do século XX, e escreveu “Uma estranha loucura” tomou conta das classes operárias nas nações onde reina a civilização capitalista. Esta loucura trouxe consigo misérias individuais e sociais e há dois mil séculos torturam a triste humanidade. Esta loucura é o amor pelo trabalho, a paixão agonizante pelo trabalho, levada até o esgotamento da energia vital do individuo e de seus filhos. Em vez de reagir contra esta aberração mental, os padres, os economistas e os moralistas preferiram sacrossantificar o trabalho.

Obviamente que o trabalho é necessário e extremamente importante, isso é indiscutível. Discutível é a quantidade de trabalho que somos impostos ou pior nos impomos. Atualmente, o italiano Domênico De Masi, é um dos principais estudiosos dessas questões, tendo seus livros traduzidos para várias línguas, e encontrados facilmente no nosso país.

Defender mais tempo livre para atividades de lazer, estudo ou simplesmente para o ócio, não significa sufocar a economia. A busca pela produtividade no sistema econômico atual se resume em produzir o máximo no menor tempo e custo possível. Muitos trabalhadores com jornada diária de oito horas precisariam somente de uma pequena parte deste tempo para realmente realizar o trabalho, mas dilui suas tarefas apenas para cumprir o horário. Este tempo improdutivo poderia ser utilizado para algo mais saudável, mais útil. As pessoas passariam a freqüentar, mais os cinemas, parques, bibliotecas, teatros, escolas livrarias… E, assim toda uma nova cadeia de serviços seria estimulada. Obviamente que o grande ganho estaria na qualidade de vida, afinal é o que importa. Entretanto, com o aumento do tempo livre, outros setores da atividade econômica poderiam prosperar equilibrando o sistema, especialmente os serviços e lazer. Este poderia gerar milhares de novos empregos sem enfraquecer as demais cadeias produtivas.

Essas idéias ainda são muito tímidas e embora alguns pensadores já as expressem em seus livros. É um passo distante se seguirmos o rumo atual. Essa é só uma proposta que surge como uma direção de pode ser seguida, o importante é trazer para a discussão a necessidade de reavaliar todo o processo.

Basicamente na visão econômica, podemos dizer que tivemos claramente duas grandes revoluções, a agrícola e a industrial. O trabalho como fator econômico teve fundamental importância, assim como, continua tendo, mas a quantidade individual é questionável. Não se trata de defender ideais marxistas ou mais liberais, trata-se somente de acreditar que a existência humana precisa ser menos dependente da carga de trabalho.

Durante a vida aprendemos a valorizar modismos, status, materialismo entre outros tantos típicos do mundo atual. Coisas que podem até ser importantes, mas não fundamentais. Esta na hora de uma nova revolução, e, uma delas seria a de deixar para trás estes valores. É preciso renovar a espécie humana, ingressar definitivamente da era de aquários e investir na própria alma. Valorizar os relacionamentos, o autoconhecimento, o lazer, a espiritualidade, enfim a chamada qualidade de vida, sem que seja medida pelas horas, posição ou posto de trabalho.

Não é ousadia ou sonho é um chamamento à reflexão, para a construção de um mundo melhor, mas para que isso aconteça é necessário que estejamos inseridos neste processo de mudança. Assim quem sabe teremos mais tempo para nos dedicar a outras redes, como a de amigos, estudos e a de descanso é claro. Pense nisso.

 

http://recantodasletras.uol.com.br/autores/Pauletto

criado por Jair Antonio Pauletto    19:48 — Arquivado em: Artigos

21.9.07

Tempo de Delicadeza

Tempo de Delicadeza

Como setembro já chegou, atrevo-me a falar deste assunto. Um tanto delicado é bem verdade, pois nos dias atuais, está cada vez mais difícil salvar a própria jugular. A ferocidade com que as pessoas cuidam de seus interesses distancia e impossibilita qualquer gesto mais amistoso. Gestos que se manifestam em momentos inoportunos nos tornam alvos fáceis destes grosseirões devoradores das boas maneiras. Falo do cuidado com que devemos ter em expor nossa brandura em relação as nossas atividades, embora a vida deva ser vivida com cortesia e polidez. Mas as inversões da sociedade impedem que a delicadeza sobreviva, é a lei do mais forte que impera. Inconscientemente a incorporamos em nossa rotina e também passamos a dotá-la em todas as nossas relações. Relações familiares ou de amizade, onde grosserias e indelicadezas seriam desnecessárias, passam a incorporar esta triste e desnecessária forma de sobrevivência, típica da selva competitiva.

Precisamos encontrar espaços para cultivar velhos princípios que sempre regeram os bons relacionamentos. A simples demonstração de carinho e amizade, hoje vem precedida de desconfiança, ou de interpretações maldosas, independentes dos sexos. A suavidade no trato com os subordinados, ainda é confundida com falta de liderança. A autoridade só é entendida e aceita mediante a força. Atitude que vem das primitivas eras, e que infelizmente não acompanhou o desenvolvimento científico e tecnológico. Muito pelo contrário, parece que o desenvolvimento moral não pode conviver com o progresso da modernidade.

A lei e a instituição de um sistema mundial de justiça, com princípios e declarações universais de direitos, pouco servem a não ser balizar timidamente o rumo. O que vemos prevalecer é a força bruta, a guerra e o conflito generalizado. Nesse aspecto, historicamente, as religiões assumiram o compromisso de elevar o homem a um estágio superior, voltado ao amor. Mas, infelizmente fracassaram, basta ver os constantes conflitos religiosos, e a intolerância batendo nas esquinas nas nossas cidades. Então, como disseminar a doçura, a delicadeza e o amor na nossa vida? Certamente essa não é uma questão fácil, mas a resposta esta dentro de nós. No entanto, uma vez encontrada, quase sempre nos falta à coragem para agirmos. Ao avaliamos o cenário que nos espera, a primeira impressão que temos é de que não vamos sobreviver e, conseqüentemente desistimos. Embora os que isoladamente o desafiaram e se lançaram ao mundo espalhando sentimentos mais elevados, se tornaram ícones de auto-realização e de admiração. Porém, poucos ousam imitá-los.

Estamos construindo um planeta cada vez mais cinza, matando-o aos poucos, mas que ainda nos sustenta e espera de nós atitudes positivas capazes de tingi-lo com cores mais alegres. As cores da delicadeza de Gandhi, São Francisco e de cada um de nós, basta termos coragem de demonstrá-la. Uma vez externada, dará inicio a um novo ciclo de vida, onde a suavidade, cortesia e franqueza possam se multiplicar.

Se quisermos dar um salto, de qualidade em nossos relacionamentos e conseqüentemente na nossa qualidade de vida, devemos observar os aspectos relacionados à delicadeza. Delicadeza no trato de todos os assuntos que envolvem nossas vidas. Pois ela é a semente de onde brota a árvore dos frutos desejados.

A construção de um mundo melhor passa pela delicadeza, que insistimos em esconder dentro de nós. Seja por questões pessoais ou sociais, mas é, sobretudo a questão cultural de escondê-la e de relacioná-la à fraqueza, que impede que gestos mais fraternos se iniciem em nossas vidas. São essas atitudes, obstáculos que solidificamos diariamente, os principais fatores que nos restringem as mudanças internas e sociais necessárias à construção de um mundo melhor.

A evolução humana deve sair da era do lobo, predatória, individualista para a das borboletas, verdadeiras janelas da alma, para assim acelerar o processo de mudança para o mundo que sonhamos. Não tenho dúvida que esse tempo é agora, e dele, estamos sendo convidados a participar. Podemos, entretanto, negar e mantermos o rumo do rigor, da rusticidade e indelicadeza, porém, haverá um preço a ser pago e a dor é a moeda. Pense nisso.

 

criado por Jair Antonio Pauletto    10:12 — Arquivado em: Artigos

19.9.07

Conversa de botequim

Conversa de botequim

O tradicional encontro semanal dos amigos desta vez havia mudado de endereço. Precisavam rumar para um outro local, uma vez que ali, já não faziam mais tanto sucesso. Vitor precisava azarar as gatinhas e, além de sentir-se o centro das atenções, queria ser desejado. Esse era um dos motivos principais que Vitor alegava para se bandearem para outro lugar.

Enquanto aguardavam os chopes serem servidos, ficaram observando o atrapalhado garçom arrastando mais cadeiras e mesas para dentro daquele cubículo, chamado de bar. Jorge não queria se incomodar com aquela confusão do garçom, pelo contrário, estava ali para relaxar e, literalmente jogar conversa fora com o amigo, apesar daquela zoeira ter ficando próximo do limite. Vitor fingia nem ligar para aquilo e, para amenizar, puxou conversa com o amigo, perguntado:

- Não entendo como tu consegues ser tão fiel a Marta.

- Ah! Isso tu nunca vais entender, porque não sabes o que é amar.

- Como assim? É claro que eu sei. Aliás, não conheço nenhum homem que seja mais romântico e amoroso do que eu.

- Tu és um sem vergonha, isso sim. Pensas que eu não sei? Sempre quisestes e ainda queres pegar todas.

- Cara, tu estás enganado. Eu amo muito. Tenho e sempre tive muito amor para dar, prova disso é que elas não me largam mais depois. É verdade.

- Meu amigo? A diferença entre nós dois está na forma em que vemos e sentimos o amor. Eu tenho certeza que amo e sou amado, já, quanto a você? Não sei não. Quem sabe a Silvia não está se divertindo por ai, heim! Quem sabe…

- Não fale assim da Silvia. Ela é a mulher mais fiel e sensacional que já conheci, e olha meu amigo, eu conheci muitas por aí, muito mais que você sequer imagina.

- Então me poupe desse papinho. Deixe de ser descarado. Se tu mesmo dizes que tem uma “baita” mulher, toma vergonha nesta cara e, “te liga”.

O garçom finalmente chegou com o chope, mas Vitor não interrompe a conversa. Está decidido em convencer o amigo que ele ama Silvia.

- Amigo! Pelo visto tu não entendeste nada, mas vou tentar de novo. Mas desta vez, preste atenção Jorge, porque vai ser a última. Ok! Vamos lá: Silvia é a mulher da minha vida. É ela que eu quero para juntos criarmos nossos filhos e mais tarde, bem mais tarde, um cuidar do outro, então, já velhinhos, velhinhos. Ela é o tesão da minha vida. É o melhor sexo do mundo. É a que cuida melhor de mim, e, veja só? Até gostamos das mesmas coisas. Ela é admirável, perfeita. Ela sem dúvida é a minha paixão. Então, meu amigo? Deu pra entender que a Sílvia, a minha Silvia, é a mulher da minha vida? A mulher da minha vidaaaaaa.

- Mas é muita cara de pau. Tu você não presta mesmo, e…

- Deixa-me terminar. Como eu ia dizer, ela é muito ocupada. Faz mil e duzentas coisas, e eu? Cara! Confesso que sou muito carente, carente ao extremo, e aí, sabe como é…

- Hei! Acho melhor tu melhorar essa frase, diga: carente e sem vergonha…

- Deixa-me terminar, por favor. Estou falando sério, meu amigo. Poxa! Esse é um dos desabafos mais fiéis que já fiz para um amigo. Cara! É sério. Eu preciso muito de carinho, do aconchego…Sou carente pacas, um romântico sem igual. E, então pra “suportar” essa carência toda, eu acabo me entregando as aventuras que eu encontro sem muito esforço, nessa mesma mesa de bar. E aí você sabe, tudo rola muito bem e, cá pra nós, é muito bom. Mas confesso que não passa de uma aventura sem importância.

- Vem cá, Vitor. Tu tens idéia do que poderia acontecer se Silvia descobrisse esse teu “lado carente?”.

- Jorge? Não fale isso nem brincando. Se ela sequer desconfiar disso tudo, me mataria, com c e r t e z a.

- Agora quem vai me escutar és tu, Vitor? Como é que podes dizer que ama, se apronta discaradamente, e ainda desse jeito? Eu que tenho mais de 15 anos de casado nunca aprontei. A minha Marta, minha mulher, também é tudo aquilo que tu disseste da tua, e isso é suficiente pra mim. Isso me deixa feliz. È claro que ela me espera cheirosa, gostosa e às vezes até me surpreende com uns “tipos” de lingerie que são uma loucura…Nossa!

- Jorge, mas a minha também faz…

- Calado. Escute-me. Quando se ama e é amado, não precisamos e nem sentimos a necessidade de procurar mais ninguém, por mais que se goste ou admire as “outras”. Quando se ama com reciprocidade, essa carência que tanto falas não existe, porque é suprida pelo amor do casal. O amor preenche, se expande. Meu amigo, quando tu entenderes que o amor é tudo, com certeza vais largar esses “seus lances” e não vais mais precisar de ninguém para preencher nada, porque não vai existir nada para preencher. Entendeu?

- Cara! Isso é uma ilusão ou pura filosofia. Vais me dizer que aquela gostosa que esta olhando pra cá, não faz o seu tipo?

- É. Faz o meu tipo sim. Mas, não é disso que estou falando.Quer saber mesmo? Tu és um grande egoísta, Vitor. Um acomodado, sem-vergonha e possessivo. Não conheces o que de fato significa o amor. Quer ficar com a Silvia porque ela é o tipo de mulher ideal, mas quer festa com a primeira bunda gostosa que aparecer rebolando na tua frente. Cresce meu amigo. Sai dessa vida, cara.

- Como tu sabes ser desagradável, hein! Jorge? Não sei porque ainda te agüento. Tu estás ficando velho, velhinho da silva. Estás é com medo de encarar uma mulher dessas? Não é não? – Falou apontando para uma linda morena sentada na mesa em frente.

- Eu, medo? Pois saiba que essas guriazinhas que você admira tanto, ao meu ver, só têm “bundinha, barriguinha e peitinho”. Cara escute bem: o que eu quero é qualidade, meu amigo, além do mais, não tem nada que substitua o prazer de uma boa intimidade com quem se ama, independente dessas formas físicas que tu tanto admiras. O verdadeiro tesão vem do amor e, “essas aí”, nem sabem o que é isso. Por isso tu usas essa “tua carência” pra se aproximar delas, oferece um pouco de atenção e carinho e, pimba, caem direitinho nessa tua conversa mole e, é claro, não largam mais do seu pé. E o pior de tudo é que ainda acabas te achando o gostosão. Ah, ah, ah, ah! Tu não tens jeito mesmo. Larguei de mão. Que tal bebermos mais uma e irmos embora?

- Não meu amigo, não é bem assim como tu estás colocando a situação. Esse papo é muito mais longo do que tu imaginas. Eu não sou esse sem-vergonha que tanto dizes que sou. Eu amo a Silvia, porém, só estou um pouco carente porque ela anda muito ocupada, já te falei isso.

- Dez anos ocupada? Fala sério!

- Quem é sem-vergonha mesmo, é o André, aquele teu colega do financeiro. Esse sim tem uma mulher que faz tudo por ele, aliás, ela vive se produzindo, está sempre cheirosa, gostosa, e ainda fica esperando o maridinho chegar…He, he, he. Ele sim, que apronta… Ih! Nem se compara comigo. Eu, no caso, só me reabasteço das minhas carências…

- Está bem, Vitor. Tu és um santo, eu sou um idiota e o André um sem-vergonha. Cada um na sua, mas pode ter certeza de uma coisa, eu não troco a minha vida por nada. E digo mais, se a milha mulher souber dessa nossa conversa, nós dois ficaremos na rua.

- Tu estás doido, Jorge? Logo tu que é mais fiel que beata de sacristia…

- É, até posso ser, mas ela nunca me perdoaria por omitir essa história com a amiga dela, sabe como é mulher, elas se protegem, sem contar que a Marta é a melhor amiga da Silvia, esqueceu? Agora vamos, porque já passou da hora.

- Garçom! A conta, por favor!

- Hoje eu pago, mas na semana que vem é a tua vez, ok!

- Está bem, meu grande amigo FIEL, Jorge.

criado por Jair Antonio Pauletto    14:29 — Arquivado em: Contos

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