Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

15.10.07

Criança interior

Criança interior


Sempre que surgia o assunto, meu amigo de infância me dizia que criança interior era ele e, justificava-se: eu já sabia antes mesmo de segurar a mamadeira que o leite vinha da vaca e não da caixinha, que brincar na terra fortalece o organismo e que, conviver com amimais domésticos também é muito saudável. Agora vem esses caras que já tem idade para ser pai, mas que ainda moram com suas mamães , falar que para tomar algum rumo na vida precisam ingressar em longas terapias para buscar sua criança interior. Mas, segundo esse meu amigo, nunca irão encontrar porque ainda são crianças.
Falo isso para exemplificar, pois assuntos que envolvem comportamentos, ou o crescimento do ser humano são vistos e compreendidos de formas muito individuais. Em vista disso, aproveito este dia da criança, para propor uma reflexão de como anda seu lado criança. Todos temos um lado criança, ou deveríamos ter, mas caso você o tenha perdido, recomendo que o resgate logo, do contrário, estará simplesmente apressando sua passagem para a outra vida.
Cultivar o lado criança faz bem à vida e torna nossos dias mais leves.É um procedimento muito fácil, basta permitir-se. Tome a liberdade de fazer alguma coisa diferente, aquele tipo de coisa que deixou, ou que gostava de fazer quando criança. Nunca é tarde para retomá-las, apenas concentre-se e deixe seu desejo criança fluir. È um processo capaz de reconstruir velhas mágoas, alegrias ou qualquer outro tipo de sentimento ou até mesmo revigorar uma relação.
Agora como adulto, inteligente e responsável pelos seus atos, você poderá avaliar melhor aquele momento difícil vivido na infância. Pode ser qualquer momento que quisermos resgatar basta revivê-lo em nossa mente e permitir-se a senti-lo como naquela época. Trata-se de realmente reviver a situação, no entanto, conscientes de que tudo aquilo aconteceu porque foi o melhor que podia ter sido feito naquele momento, diante de todos os aspectos e circunstâncias que envolviam a questão. Porém agora, na condição de adulto, você pode reinterpretá-los, aceitá-los ou rejeitá-los, se perdoando dos erros cometidos e de eventuais ofensas que tenha sido vítima por ignorância de quem o ofendeu. Situações deste tipo são comuns na vida de qualquer pessoa e podem ser amenizadas ou superadas através deste processo de resgate e compreensão dos atos nos diferentes espaços de tempo. No entanto, se quiser se aprofundar neste resgate, um bom profissional da área poderá ajudá-lo.
Cabe a nós adultos, pais, irmãos ou avós, evitar que as crianças atuais tenham que utilizar processos deste tipo para resgatar seu lado criança, pelo contrário, precisamos proporcionar-lhes condições para que cresçam conforme seu ritmo e num ambiente saudável. Não falo somente de ambiente físico, pois esse está cada vez mais adequado, mas sim, do ambiente psicológico.
Freqüentemente ouvimos que as crianças de hoje são mais espertas, que nascem quase falando, são verdadeiros fenômenos. O que não deixa de ser uma verdade, embora a ciência ainda não tenha comprovado, certamente estamos diante de uma nova evolução do ser humano. Há quem diga que a evolução das crianças não é fruto somente dos avanços científicos e tecnológicos empregados na sua criação. Trata-se de um plano maior para modificar as condições sociais do planeta. Elas seriam parte da acelerada transformação que a espécie humana precisa fazer para continuar a viver na terra. Alguns ensaios, embora duvidosos, começam a aparecer com o estudo das chamadas crianças índigo e cristal. O importante, no entanto, é que as crianças com as quais convivemos, sejam vistas como seres humanos que possuem sentimentos como qualquer um. Sentimentos ainda muito confusos que podem ser facilmente afetados, distorcidos e que acabam por comprometer toda a qualidade de vida futura, tanto pessoal como social.
Neste dia da criança, o importante é que você avalie sua relação com as crianças, pouco importa se acredita em criança interior ou que estamos diante de uma nova geração de crianças. O que realmente importa, é que você passe a dedicar todo o amor e compreensão que as crianças necessitam para crescerem felizes; tenho certeza que em breve você irá perceber como é bom ser criança. Pense nisso.

criado por Jair Antonio Pauletto    14:19 — Arquivado em: Artigos

9.10.07

Para refletir

Para refletir
Quem não conhece o velho ditado: “sombra e água fresca”, foi um dos ditados mais populares há algumas décadas, representando uma alusão ao sossego, tranqüilidade e bem estar. No entanto, mesmo que no decorrer dos anos terem surgido novas expressões, o desejo de um dolce far niente sempre continuou muito presente no desejo humano, como sonho a realizar.

Esses ditados refletem sonhos, algumas vezes mais utópicos, outros mais realistas, mas sempre vívidos no pensamento humano na busca de uma vida mais feliz. Não há nada de errado em desejar uma vida assim, pelo contrário, devemos imaginar que ela é possível e lutar para conquistá-la. Errado é achar que o que queremos vai cair do céu, ou pior, pensar que isso não existe, que é ilusão e que somos condenados a viver no sacrifício e miséria para o sempre.

A idéia de sofrer agora para ganhar o paraíso depois, foi um conceito muito difundido, especialmente pela filosofia judaico-cristão, como se Deus fosse um sujeito autoritário e que adora ver o sofrimento dos filhos. Assim como acontece com alguns pais desnaturados que vêem seus filhos sofrendo por aí, mas nada fazem, uma vez que, estão envoltos e ocupados em demasia com seu egoísmo e tirania. Deus não é um pai assim, acredito que seja um pai amoroso, como um bom pai ou mãe aqui na terra que ama os filhos e tudo faz para vê-los prósperos e felizes.

Por ser um Pai infinito em amor, quer ver seus filhos felizes e com seus desejos realizados, mesmo porque Ele nos deu esse poder de desejar. Lembrando-nos mais tarde, através das palavras de Jesus: “Pedi e recebereis”. À vista disso, nada mais normal que desejar e procurar conquistar a doce vida. No entanto, a maneira para fazer essa caminhada deve ser equilibrada, pois existem muitas regras a serem seguidas: umas feitas pelas mãos do homem, impostas pela sociedade, e as outras, são relativas à moral, aos bons costumes, ao caráter. Essas são advindas diretamente Dele que esta em nós, mas, que no primeiro deslize ou desvio, já nos chama ao tribunal da própria consciência.

Desejar uma vida mais feliz faz parte de nossa missão neste mundo. A certeza de que estamos no caminho certo vem da consciência, sendo que, quando esta nos acusa é porque estamos nos desviando do verdadeiro caminho. Entretanto, quero lembrar que no decorrer dos tempos deixamos-nos incutir por muitas regras e idéias puramente humanas. Acabamos por considerá-las verdadeiras, e nos submetemos ao seu julgando ignorando as verdadeiras regras da consciência, a consciência divina.

Existe uma grande diferença entre elas, mas geralmente não percebida. Enquanto a divina é universal e natural, basta escutá-la porque ela esta em nós, é parte de nós; a outra é fruto de crenças e valores sociais de época. Esta diferenciação se torna mais evidente no decorrer da caminhada, conforme a consciência vai se expandindo mais clara à diferenciação. Portanto, desejar ao contrário do que muitos pensam não é mais um mal do ser humano, é um propulsor para seu desenvolvimento.

É preciso entender que como qualquer outra necessidade ou sentimento humano o importante é que haja equilíbrio. O desejo precisa estar equilibrado com a ação, o prazer, e a satisfação do que já alcançou e, é nesse momento que entra a gratidão. Ser grado pelo que já se conquistou é um sinal de equilíbrio. Agradecer as conquistas é fundamental, porém, não pode ser confundida com a acomodação. Podemos até nos acomodar com uma determinada situação financeira, material, mas jamais com o nosso desenvolvimento humano. Esse independe da situação material, embora a constituição social, normalmente exija determinadas condições matérias para acessar melhores níveis de conhecimento.

Através do desenvolvimento da consciência podemos aprimorar o nosso processo de auto-avaliação. É expandindo a consciência que tomamos contato com nossas dificuldades e fragilidades existenciais, iniciando nossa real tarefa de transformação intima.

Nascemos puros, e o que nos macula é a nossa visão projetada, que provém da soma de tudo aquilo que nós não percebemos, que nos foi imposto como verdade. São aquelas regras humanas, que não nos deixam viver ou desenvolver nossa realidade interior. No momento que acessarmos a verdadeira realidade interior, veremos que o desejar faz parte do ser. Ser é essencial, mas desejar e ter são apenas complementares e necessários para alcançar o equilíbrio, jamais incompatíveis.

Caminhar é inevitável, e contra as regras do caminho, defenda-se com a auto-responsabilidade, lembrando que desejo sem ação não leva a lugar algum, nem mesmo a uma consciência tranqüila. Pense nisso!

criado por Jair Antonio Pauletto    23:26 — Arquivado em: Artigos

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