Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

26.11.07

Pedras do caminho.

Pedras do caminho.
Em um dos meus últimos textos falei em ilusão, mas não toquei na mais absurda e desastrosa ilusão que é a vaidade, considerada por sua vez, o maior dos pecados pelos sábios e, certamente o é, por que nos faz pensar que podemos nos realizar com as qualidades dos outros.
A vaidade e a arrogância estão presentes no cotidiano, muito além do que nos damos conta. Enquanto a vaidade nos faz presunçosos, nos torna fúteis e alimenta o desejo imoderado de nos vangloriarmos para sermos admirados. A arrogância nos idealiza como deveríamos ser, fazendo-nos parecer mais honesto, virtuoso, mais amoroso e assim por diante. Mas, na realidade quer esconder o quanto somos maldosos, ignorantes, desequilibrados entre tantos outros desequilíbrios comuns dos homens. Sempre encontraremos no ser humano; deformidades, imperfeições, complexos de inferioridade, feiúra e inadequação ou, seja qual for o complexo, ele é resultado da arrogância que nos faz pensar que somos um modelo, um exemplo de perfeição.
Na verdade, estamos caminhando para a perfeição em estágios evolutivos diferentes, somos únicos e neste sentido, incomparáveis. Ao nos vermos como imperfeitos, recusamos a nos conhecer de verdade, desvalorizando muitas vezes o que realmente somos. Ao negar que ainda somos seres imperfeitos, nos escondemos de nós mesmos, transformando a vida num inferno, uma vez que não temos obrigação de assumir como verdade a obrigação de agradar os outros. É impossível agradar a todos, mas, caso tentarmos, acabaremos degradados a meros reflexos dos caprichos que nos foram impostos ou que aceitos como válidos para nossas vidas. Além disso, com freqüência somos vítimas do nosso próprio pensamento, especialmente aquele que nos foi ensinado há muito tempo, de “agradar” sempre. Tudo na verdade fica simples quando desprezarmos a arrogância e a vaidade. Sem as quais, a Sociedade seria completamente diferente e teríamos eliminado dois grandes obstáculos para a melhoria íntima.
Vivemos em um mundo onde somos muito dependentes do parecer e da aprovação dos outros. Nos tornamos submissos ao julgamento e escravos dos aplausos dos outros. É preciso ter coragem de se perguntar porque nos submetemos a todas essas coisas? Por que vivemos na insegurança de não atender as expectativas dos outros? Uma vez que diariamente aumenta nossa dependência do parecer dos outros, que, aliás, nos custa muito mais sacrifício. Quando conseguimos conquistar algo que queríamos, sofremos para mantê-lo e, embora aquilo nos satisfaça momentaneamente nunca estamos satisfeitos com as próprias conquistas. É o preço por nossas ilusões vaidosas, já que nossa arrogância e ignorância dificultam o caminho da auto-realização sem sofrimento.Desejar sucesso e prosperidade é saudável e desejável, mas cuidado com essa dupla.
Se tivermos consciência de que realmente somos únicos, tudo fica mais fácil e os outros passam a ter somente o valor que merecem. Saberemos reconhecer o próprio valor, sem precisarmos desrespeitar ou “agradar” ninguém. Afinal, a caminhada é só sua e o único apoio que nunca o abandona é o seu, o único amor que o realiza é o seu, ou seja, a única valorização realmente eficiente é a que cada um de nós se atribui. Posto isso, é ilusão pensar que qualidades, objetivos ou realizações dos outros servem para nos realizar, como por exemplo o fã apaixonado que “vive” a vida do seu ídolo ao invés de cuidar da própria.
“Existir não é opcional”.Quando li essas palavras fiquei chocado, mas é uma grande verdade que nunca havia passado pela minha cabeça. Você, eu e todos nós existimos e existiremos para sempre sem que possamos fazer nada, independente de crença ou religião seremos eternos. Isto por si só, justificaria abandonarmos a vaidade e a arrogância imediatamente. Também me fez pensar nas demais atitudes que adotamos no decorrer da vida, uma vez que são elas que formam a nossa realidade, principalmente todas aquelas situações desagradáveis que vivemos em nosso dia-a-dia. Então, porque não abandoná-las e mudar de uma vez? Você pode pensar que isso não é assim tão fácil, afinal, estamos sempre querendo mudá-las adotando novos pensamentos que nos levem a mudança, mas raramente conseguimos.
Isto pode bem ser verdade, mas na vida temos batalhas individuais que precisam ser enfrentadas e são elas que nos engrandecem. É preciso persistência, determinação e entusiasmo para vencê-las. Mudar é trocar de atitude. Sou insistente com essa questão de mudar, pois é sabido que mantendo as velhas atitudes, não iremos além de onde estamos, assim como seguir o caminho dos outros é chegar aonde os outros já chegaram, o que às vezes pode ser um bom exemplo, porém nunca podemos esquecer que o trajeto é pessoal. É preciso ousar, ir além, abandonar os vícios e trabalhar na reforma íntima, pois atitudes que só atuam externamente são passageiras e nos fazem desmoronar logo adiante. Todos nós queremos a felicidade, no entanto, é conquista de poucos. Os que disseram tê-la conquistado, afirmam que ela não vem das coisas externas.
Temos que aprender que podemos ser felizes enquanto construímos o caminho, basta dedicarmos mais atenção ao nosso interior e descobriremos o que realmente somos e queremos ser, assim os resultados esperados começaram a aparecer. Certamente a jornada vai além da arrogância e vaidade, mas sem essas duas pedras podemos acelerar o passo e avançarmos com maior rapidez rumo a uma vida mais próspera e feliz. Pense nisso.

criado por Jair Antonio Pauletto    10:18 — Arquivado em: Artigos

21.11.07

Com meus botões

Com meus botões

A aflição em ter uma profissão não tem nada a ver com o desejo vocacional. Desejo vocacional é o projeto íntimo, enquanto profissão é uma forma de conseguir bens monetários, sociais e prestígio. Já o projeto íntimo, tem um significado bem maior, pois abrange profundamente nosso ser e nos envolve espiritualmente, de modo que, quem sintoniza com seu projeto íntimo não se abala diante dos obstáculos e não teme as tempestades, simplesmente ajusta as velas e leva o barco da existência a águas mais calmas. Mas, para acessar o verdadeiro desejo íntimo é necessário muito mais que aprender por meio do intelecto, é preciso realmente assimilá-lo e utilizar-se das vias intuitivas presente na nossa alma.

Essas intuições chegam ao nosso consciente sutilmente, basta estarmos atentos que aos poucos as identificaremos claramente. Tudo o que está no nosso interior tende a se manifestar exteriormente e geralmente da vazão de forma lenta e equilibrada. É o que nos faz agir racionalmente viver em sociedade. Reter os impulsos considerados anti-sociais e morais, requer significativo despender de energia, mas evitar legítimas sensações do espírito é desperdiçar energia produtiva, é alienar-se. Uma pessoa alienada perde o contato consigo mesma e com o que acorre ao seu redor, ou seja, vive naturalmente num estado doentio.

Não reconhecer os sinais da alma, evitar sensações, pensamentos, impulsos ou lembranças que chegam ao nosso consciente é uma forma de recusar nosso mundo Íntimo. Ignorá-las e agir como se não nos pertencessem, seria rejeitar o autoconhecimento, o crescimento pessoal. É anular-se como individuo e projetar nos outros, a própria vida, bloqueando o consciente dos sinais internos, deslocando para o mundo externo qualquer fato ou acontecimento inadequado.

É comum encontrar pessoas que, ao invés de dedicarem-se a tarefa de se conscientizarem da própria vida Íntima, apontam as imperfeições do outro, conseqüentemente potencializam a incapacidade de compreender seu íntimo, obscurecendo ainda mais sua visão do mundo interior. Vivem na ilusão alheia à própria realidade, a verdade do seu próprio ser, adotando um papel que não corresponde a sua vocação interior. São pessoas que vivem mentindo, mesmo não sendo mentiras verbalizadas, mas por serem mentiras contadas para o seu próprio inconsciente, projetadas para si mesmas, causando enormes danos que os impedem de elevarem-se espiritualmente.

O Crescimento pessoal exige coerência, como também, e acima de tudo, devemos estar equilibrados numa relação harmônica entre o que se sente e o que se vive, deve haver uma sincronia entre as partes. Ocultar, falsificar a própria realidade é usar máscaras, é prejudicar a própria intimidade e viver na angustiante sensação de impostor ou farsante, além de estarmos sempre aprisionados ao medo de um dia descobrirem o que realmente somos.

Segundo as teorias Jungianas “o Si-mesmo não é apenas o centro, mas também toda a circunferência que contém em si, tanto o consciente, quanto o inconsciente”.Portanto, a relação harmônica que me referi acima, é necessária não só para o crescimento espiritual e pessoal, mas também para que não falsifiquemos nossa realidade, vivendo num mundo ilusório, projetado por nos mesmos.

Para pararmos de projetar, precisamos primeiramente nos voltar e despertar para o mundo íntimo, Iluminando a consciência não apenas nas áreas externas, sendo que os olhos externos não são suficientes para essa tarefa, pois oferecem uma visão muito parcial.

Assim, é necessário aceitar-se e trabalhar para promover mudanças que nos levem ao crescimento. Não podemos nos adaptar ao conformismo e o modo triste como tudo vem acontecendo, nem suportar e permitir qualquer tipo de desrespeito, nem tampouco desrespeitar os outros. Não somos atores que ficam interpretando a vida, somos a vida inventando o mundo melhor. Não somos mais do que somos, mas seremos muito mais do que pensamos ser, quando encontrarmos nosso verdadeiro ser. Pense nisso.

criado por Jair Antonio Pauletto    11:24 — Arquivado em: Artigos

12.11.07

Escolhas

Escolhas 

Caminhar pela vida é fazer escolhas, sejam elas conscientes ou não. Deste modo, o que somos hoje, seja na vida pessoal ou profissional é resultado de nossas escolhas e obviamente das ações adotadas posteriormente. Ao escolher, estamos fazendo uma opção que trás consigo suas conseqüências e nos direcionam a novos caminhos e novas escolhas.
A todo o momento, queiramos ou não, conscientes ou inconscientes, por ação ou omissão, estamos fazendo escolhas. Algumas são essenciais e importam decisões sobre o resto de nossas vidas, como o papel social que vamos ou não desenvolver, nossa escolha religiosa, ou seja, escolhas existências e morais. Já outras, são apenas corriqueiras, operacionais, como a fazer a barba ou escolher o que vestir para sair.
Quanto antes despertarmos para isto, melhor. Quem não lembra de Cecília Meirelles, que no poema: “ou isto ou aquilo”, nos mostra claramente as conseqüências das escolhas. Mas particularmente o verso: “Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, / ou compro o doce e gasto o dinheiro”, ficou marcado em minha vida. Este verso é muito duro quando se é criança, pelo menos no meu caso, foi. Colocava-me diante da necessidade familiar, de economizar e o desejo de criança em comprar o doce que tanto almejava. Situação que se repete ao longo da vida em que precisamos optar entre o doce prazer de consumir e o limitado recurso financeiro.
Outro verso cheio de interpretações, que também me encantava ainda na época de escola: “Quem sobe nos ares não fica no chão / Quem fica no chão não sobe nos ares”. Uma breve reflexão é suficiente para identificarmos nossos medos e dificuldades de subir aos ares, de crescermos, ou seja, de avançarmos mais um degrau da escada pessoal. Cecília Meireles conclui o poema com o seguinte verso: “Mas não consegui entender ainda / qual é melhor: se, é isto, ou aquilo”.
Todos nós sabemos que é difícil, mas é indispensável optar, fazer a escolha, seja qual for se quisermos dirigir as nossas vidas ou simplesmente seremos mais um barquinho sem rumo no imenso oceano.
É necessário que sejamos o timoneiro consciente da nossa vida. E uma vez conscientes de nossas escolhas, nos permite assumir responsabilidades, especialmente de que somos os únicos responsáveis por elas, que fizemos ou estamos fazendo. É tendo consciência dessa responsabilidade que nos determinará se continuaremos a agir da mesma forma ou se mudamos.
As escolhas são diárias, portanto, as oportunidades para novos rumos, novos caminhos, também são. A diversidade e a adversidade são fatores constantes nas nossas vidas. As necessidades embora diferentes, se apresentam de forma ilimitada para todos, mas o resultado sempre é fruto das escolhas. O ponto de chegada é diferente para cada um, mas o importante é quanto caminhamos. Esse percurso está relacionado com as diferenças individuais e com as decisões de cada um sobre os rumos de suas vidas.
É fundamental compreender que temos a capacidade, o poder de escolher, aceitar ou não o que nos é determinado, ou seja, podemos a qualquer hora tomar as rédeas de nossa vida e escolher o verdadeiro rumo que desejamos dar a ela.
É através do desenvolvimento pessoal que aumentamos a nossa esfera de escolhas. Estar disposto a aprender sempre é fundamental para termos mais opções de escolhas, isto é, ampliarmos possibilidades. Mas, se me perguntarem o que se deve aprender, eu não saberia responder, mas diria que é essencial estarmos abertos para o novo, sempre. Como ter êxito diante de um mundo de crescente de insegurança, complexidade, ambigüidade e imprevisibilidade, também é uma escolha.
É isto ou aquilo, não há como fugir do caminho evolutivo porque a evolução é um processo ininterrupto e, conseqüentemente não é possível parar e deixar de fazer escolhas, embora essa também seja uma escolha. Somos o que escolhemos ser . Pense nisso.

 

criado por Jair Antonio Pauletto    15:44 — Arquivado em: Artigos

5.11.07

Astúcia Feminina

Astúcia Feminina
http://recantodasletras.uol.com.br/contoscotidianos/709002

O final de tarde foi um verdadeiro teste de paciência, diante do trânsito infernal comum em qualquer grande cidade, porém, com um olhar um pouco mais atento, se pode entender muito sobre a educação dos seus habitantes.
Depois de um dia estressante, lá está Jatar disputando cada milímetro no afunilamento do trânsito da Avenida Assis Brasil. Sua mulher, já acostumada ao estresse do marido, permanece calada remexendo o interior da bolsa, enquanto que no banco detrás, os filhos se divertem com as revistas em quadrinhos.
Jatar permanece atento ao trânsito, calculando que em pouco menos de uma hora estará em casa, quando de repente, tem sua atenção desviada para a calçada que lhe faz estremecer o corpo inteiro.
Dentro de uma minissaia sumária, nádegas redondas e firmes se sustentam nas longas e torneadas pernas, que por si só bastariam para literalmente parar qualquer trânsito. Mas, ao subir os olhos, encantou-se com aquele alvo abdômen e seu umbiguinho decorado com um pontinho de brilhante, antes de chegar a uma minúscula blusinha branca que abrigava…Os seios. Seios que acompanhavam seu andar lembravam-no de cenas de um filme que havia visto em câmera lenta…Um suave e delicioso galope.
A arte da moda justificou-se e, pela primeira vez percebeu que merecia ser reverenciada por produzir tão preciosa peça, que, além do decote em formato de acentuada parábola tinha ainda em seu vértice um generoso corte que possibilitava a visão do entre seios, região capaz de transformar qualquer homo sapiens em um neanderthal. E, seguindo pelo colo, o delicado pescoço sustentava a face de tez alva, com um leve rubor natural, desenhada por traços regulares, delicados e esculpida com muita perfeição, possível somente pela divina criação em um dia de suprema inspiração. Lá, destacava-se a boca de traços marcantes que o fez lembrar que Algelina Jolie talvez tenha plagiado dali seus famosos lábios, além dos vívidos olhos que pareciam expressar amor, amor e mais amor. Tudo emoldurado por um longo, liso e sedoso cabelo castanho - escuro.
Nesta fração de segundos, sem perder o controle no trânsito é claro, só lhe restou emitir no silêncio do carro um sonoro.
- Nooooossa!
Não foi um nooossa qualquer. O som ecoou no carro e dissipava-se pouco a pouco, como se tentasse inspirar o restinho de ar, lá do fundo dos pulmões. Imediatamente percebeu que cedera ao impulso e não havia mais alternativa para justificar-se. A esposa ao lado, espantada e já furiosa, percebera do que se tratava e não tardou a reagir.
- Mas o que é isso? Que pouca vergonha! Não me respeitas nem diante das crianças? Contenha-se seu sem vergonha, mulherengo, cara-de-pau…
Pensou em abandonar o carro ali mesmo e sair declarando seu amor àquela deusa da avenida. Mas, olhou para o lado e mudou de idéia, pois a cara da Marta lembrava um temporal fechado e escuro, como uma tempestade, daquelas de alagar ruas feito tsumani.
Manteve-se atento ao trânsito sem parar de pensar como o mundo era injusto, quanto amor podia dar àquela gostosa mulher se não existissem por aqui, as “malditas” leis monogâmicas.
Jatar tinha certeza que o problema eram essas leis, afinal, ele certamente seria desejado tanto quanto desejava aquela “delicia ambulante”. Aliás, sempre que essas deusas da beleza feminina apareciam, lamentava mortalmente não poder tocá-las. Eram uma afronta aos seus hormônios masculinos que se rebelavam violentamente em seu intimo. Envergonhava-se por não poder conter essa rebeldia. Sentia-se um animal selvagem e incapaz de ver a beleza feminina como uma perfeição da natureza a ser apreciada, louvada,… O que experimentava era somente um incontrolável desejo de possuí-las. Seria egoísmo? Talvez o problema fosse conter-se, pensava em freqüentar um bom psiquiatra, mas logo mudava de idéia, pois temia ser julgado como tarado.
Começou então, a evitar observar as mulheres pela manhã. Sim, pois é nessa parte do dia que elas estão mais lindas e cheirosas. De longe se percebe que estão cheirosas, com seus cabelos recém escovados, pele fresca… Dá pra senti-las, sem tocar… Ah! Pura tentação.
Jatar fartava-se com a bela e arrasadora esposa à noite e antes do café da manhã, o que muitas vezes lhe tolhia as forças, porém não o desejo de refestelar-se com àquelas delicias provocantes que desfilavam diante de seus olhos.
Tristemente envolto nesses pensamentos e sem perspectiva de reencontrar aquela estonteante mulher, sentia-se uma pobre vítima. Mas pior que se sentir injustiçado, era ter que encarar o humor de Marta. Temia pelo jantar.
Como previsto, em pouco tempo estavam em casa e tentavam agir normalmente, como se nada tivesse acontecido, apenas conversavam com as crianças, nada de olhares ou palavras entre si. Assim foi até após o jantar e o adormecer das crianças, quando finalmente Marta lhe dirigiu a palavra:
- Você dorme na sala, pega lá um lençol pra não emporcalhar o sofá.
Jatar não teve coragem de falar, levantou-se e tratou de obedecer, pois sabia que tinha passado do limite. Esticou o lençol no sofá sem reclamar e deitou-se, enquanto Marta parecia fazer o mesmo na cama macia. Na briga para melhor se acomodar, percebe alguém…Era Marta que se aproximava exalando Flower by Kenzo, e envolta numa camisola preta, rendada e transparente…Estava atraente como nunca. A pouca luminosidade era suficiente para deixar transparecer a sumária calcinha e o delicado soutien que aprisionava os pequenos, rijos e balouçantes seios. Como que num gesto previamente ensaiado jogou os cabelos molhados de um lado para o outro para facilitar a secagem, deixando neste movimento amostra às costas lisinhas e aquelas longas e torneadas pernas, assim como, as nádegas redondas e rijas, macias, tenras…Boas de se tocar. Estava estonteante, cheirosa… Nooooossa!
Ela fez tudo para provocar. Os hormônios amotinados levam-no a suplicar:
- Amor…
- Nem pensar – responde Marta antes que ele pudesse completar.
Agora ela queria mesmo provocar. Usou todo o seu arsenal para dar a entender o que ele iria perder, pelo menos naquela noite. Arranjou mil coisas para fazer naquela pequena sala. Agachava-se, espreguiçava os belos e longos braços, passava pra lá e pra cá, num infindável vai e vem, arrumando os objetos da sala, sempre em insinuantes movimentos que o deixavam enlouquecido. E o pior, fazia parecer como se fossem sem nenhuma intenção.
Jatar não ousou falar, pois, nunca havia desejado uma mulher como desejava naquele momento, a própria mulher. A amava, mas isso também não faria a mínima diferença naquela hora, o instinto falava mais alto. Mas incrivelmente temia perdê-la como jamais pensou que pudesse. Pela primeira vez os hormônios se acalmaram dando lugar à reflexão. Definitivamente compreendera que Marta era a mulher de sua vida.
Marta sabedora de seu poder e, após o longo provocar, olhou fixamente nos olhos de Jatar e lentamente se afastou. Foi dormir com a certeza de que era amada

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criado por Jair Antonio Pauletto    13:59 — Arquivado em: Contos

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