Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

30.1.08

Aprender a sentir

Aprender a sentir

Desde muito cedo aprendemos que, expressar nossos sentimentos e emoções causam muito mais problemas do que opiniões. A começar pela mais tenra infância e principalmente nos primeiros anos de escola, somos submetidos a situações de raiva, medo e tantas outras frustrações que afetam nosso modo de lidar com os sentimentos pelo resto de nossas vidas. Aprendemos a represar e suprimi-los da melhor maneira possível sem entender o que esta acontecendo, simplesmente nos adaptamos as situações que o meio nos impõe. Condição da qual avançamos na medida que começamos a assimilar as regras sobre as manifestações emocionais que reprimem a liberdade emocional.

No entanto, um mar de emoções continua crescendo e se agitando em nosso interior, pois, os sentimentos não param de chegar, é ai que começa uma luta interminável para mudar as circunstâncias da vida. Começa a busca da solução deste conflito. Muitas vezes passamos a visualizar soluções na liberdade, na independência dos pais, no emprego, num carro ou encontrar um verdadeiro amor, ao invés de primeiro aprender a lidar com os nossos sentimentos, afinal, o que importa mesmo é como nos sentimos, pois determinará o nosso bem estar.

Independente da solução, os sentimentos continuarão a se manifestar. Então, quando buscamos interromper essa dor emocional nessas soluções, acabamos frustrados por que o verdadeiro conflito emocional permanece, ou seja, é preciso antes sentir para depois aprender a lidar com esses sentimentos se quisermos uma fatia maior de felicidade real.

Ações e escolhas feitas diante de uma situação emocional desequilibrada levam a um caminho diverso daquele que seria seguido quando se esta equilibrado e emocionalmente feliz. Os acontecimentos são influenciados pelos sentimentos e, essa é uma lei que funciona independente de estarmos cientes dela, independente de acreditarmos. Em última análise são os sentimentos que fazem as coisas acontecerem. Isto fica claro ao percebemos que as alternativas para a solução de determinado problema quando se esta com o sentimento de culpa são muito diferentes dos usadas quando estamos em paz e equilíbrio.

Saber lidar com sentimentos e emoções é extremamente importante na vida. A vida é uma preciosidade quando nos sentimos amorosos e felizes, mas quando estamos tomados pelo medo, culpa e raiva nada entra no coração, até a alegria se transforma numa simples palavra irritante. De que valerá então o bom emprego, a bela casa, a fortuna e a boa aparência se a vida mais parece um inferno? Para fugirmos desse inferno é preciso compreender os próprios sentimentos. Tudo o que nos acontece combina com os nossos pensamentos e crenças sobre o que acreditamos que seja a vida, esta é uma percepção que precisa estar muito clara em nossa mente.

Aquelas situações que iniciaram na infância não cessam, com o tempo apenas se modificam, continuamos a produzir respostas emocionais das mais variadas combinações. Quando julgamos alguma circunstância ou acontecimento como bom, sentimos algum tipo de felicidade, mas quando pensamos em coisas ruins as chamadas emoções negativas se apresentam. O Segredo está em interromper esse julgamento. Passar a acreditar que a vida nos apresenta infinitas possibilidades, assim ficamos mais livres para escolher e manifestar nossos sentimentos e emoções.

Compreendendo seus sentimentos e emoções você pode criar o resultado do que deseja primeiro e depois concretizá-lo. Pode ser feliz antes de terminar todas as mudanças que deseja, afinal são eles que fazem as coisas acontecerem e o que realmente importa é o que você sente. Pense nisso.

criado por Jair Antonio Pauletto    15:00 — Arquivado em: Artigos

19.1.08

Pensamentos Lúcidos

Pensamentos Lúcidos
A vida nos coloca diante de situações complicadas, das quais temos em mãos fatos que a primeira vista parecem óbvios, totalmente lógicos e exatos. No entanto, às vezes, em pouco tempo deixam de ser tão corretos e toda aquela certeza escorre pelas mãos. A questão fundamental está nos critérios que utilizamos para determinar se algo é procedente ou não. Definir o que está certo ou errado é uma questão complicada. Afinal, o que é a verdade?
O sistema solar era composto de nove planetas e não havia qualquer dúvida sobre isso, até que em agosto de 2006, plutão ser rebaixado e hoje a verdade é outra. Assim foi com o purgatório, do qual passei toda minha infância e adolescência pensando que ia acabar lá, e agora dizem que não existe. Poderíamos citar muitas outras situações consideradas heresias e mentiras que levaram muita gente para fogueira e a morte, mas que hoje são aceitas como verdades.
Deste modo, é razoável pressupor que não existe pessoa que seja a portadora da verdade, o que temos, são informações que podem expressar ou não a realidade do momento. Mas se admitirmos que não existe aquela coisa que chamamos de “verdade”, seria então como se nos tirassem o tapete e perdêssemos totalmente a base de apoio.
Quando pensamos nessa questão é preciso fazê-lo com toda a lucidez mental, pois podemos estar fazendo por muito tempo algo que acreditamos ter sentido, que consideramos verdadeiro, mas que na realidade pode não ser e, em função desta “nossa verdade” podemos estar vivendo um martírio diário. Mas se tudo o que pensamos ser a verdade não passar de meras convenções humanas e isto tenha nos levado a desistir de fazer as mudanças necessárias para buscar a prosperidade? Essa é uma idéia forte e talvez nem devesse abordar esse assunto tão complexo e devastador, mas o considero importante para refletirmos nossa condição humana. Já dizia Wilian Shakespeare “Não existe o bem nem o mal, mas o que sua mente determina”, ou seja, a verdade pode não existir.
Se ela não existir, podemos então questionar se todos os livros de psicologia aplicada refletem a opinião de seus autores ou se as enciclopédias não passam de uma coleção de opiniões acumuladas.Diante disso, é lógico que você pode estar questionando o que acabou de ler, pois reflete apenas a minha opinião. Mas sem a verdade, em que confiar então? Somente no seu coração e no seu pensamento. Sua mente deve manter-se iluminada para que sirva de farol nesta caminhada. O importante a ser tratado aqui não é a questão do que é ou não verdade, mas da importância da lucidez que abrange a fragilidade e transitoriedade da compreensão humana, diferentemente do que se poderia imaginar do pensamento lúcido, nada tem a ver com a verdade ou mentira. Trata-se apenas de pensar sobre o melhor caminho a ser seguido.
Para pensar com lucidez é preciso selecionar dentre todas as coisas as situações que são importantes e as que não são; É decidir sobre esses valores de importância. Geralmente acabamos por descobrir que muito do que estamos fazendo não tem importância alguma, e muito do que foi deixado para trás, ou por medo ou “pré-conceitos”, acaba sendo a coisa mais importante. Talvez percebamos que tomamos algumas decisões que, agora refletindo com maior lucidez, parecem meras frivolidades e mudamos de atitude. Portanto, nunca é tarde para mudar, basta disposição e trabalho. Equívocos devem servir de aprendizado, pois são grandes oportunidades de aprender se forem utilizados a favor da causa própria.
Devemos lembrar que a importância das coisas tem valor relativo entre as pessoas e o que hoje parece importante amanhã pode não ser. O importante é que se você está determinado a conquistar um objetivo, uma meta, e considerar que alguma coisa é fundamental, deve fazê-lo com a certeza de estar fazendo o necessário para chegar a esse importante fim. Manter pensamentos lúcidos é fundamental para alcançarmos as metas, pois, é através dos pensamentos que as coisas acontecem. Lembre-se, você é responsável por todas as coisas boas que lhe acontecem, assim como, pelas ruins. Pense nisso.

criado por Jair Antonio Pauletto    22:20 — Arquivado em: Artigos

14.1.08

Esforço e recompensa

Esforço e recompensa

Enquanto passeava pelo calçadão no final de tarde, encontrei meu amigo Julio, que retornava da praia e seguimos algumas quadras colocando o papo em dia, até nos depararmos com uma moeda de 25 centavos e chamei a atenção de Julio: pega aí um dinheirinho. Para minha surpresa, Júlio simplesmente chutou a moeda para a areia dizendo que aquela mixaria não valia o esforço de se abaixar. Por alguns instantes fiquei pensando no descarte daquela moedinha, mas seguimos mais alguns passos e, antes de tomarmos nossos caminhos, resolvemos tirar a “água do joelho”.

Nossa! Mas que horror aquele banheiro público; a descarga parecia não funcionar ha tempos, além do cheiro insuportável de urina que também era visível por todos os lados e cantos. Mas, no meio daquela repulsa e porcarias, eu e o meu amigo percebemos que uma nota de 10 reais boiava sob uma das pias. Julio não hesitou e mais que depressa se esticou todo para apanhá-la. Estava suja que era um nojo só. Pegou-a com a ponta dos dedos, bem no cantinho e a colocou debaixo da torneira lavando-a cuidadosamente. Foi uma cena realmente repugnante, enquanto aquela nojeira ia se desprendendo da nota, o sorriso do meu amigo ficava cada vez mais largo. Ao assistir tudo aquilo, não resisti e perguntei como ele tinha coragem de pegar uma nota naquele estado se a pouco tinha desprezado uma moeda limpinha, apenas pelo esforço de se abaixar e pegar. Prontamente ele me respondeu que, apesar de suja e nojenta o esforço para colocar a mão naquela imundice agora compensava, pois com dez reais poderia tomar umas cervejinhas a mais com os amigos.

Isso me fez perceber o quanto somos motivados pela recompensa, ou seja, inconscientemente medimos o esforço para obter algo em função do benefício que ele pode nos trazer no final. Nossas escolhas são influenciadas diretamente por este principio de esforço e recompensa. Se não conseguirmos visualizar alguma recompensa não nos motivamos para o trabalho. Este princípio é um dos segredos de muitos lideres motivadores de equipes de trabalho, pois é criando a expectativa de uma recompensa satisfatória conseguem motivar e elevar a produtividade de seus funcionários.

Essa busca do prazer, da recompensa final é característico dos seres humanos, pois possuem a capacidade, embora subjetiva, de avaliar a relação custo benefício. Porém a grande dificuldade é fazer a avaliação correta da situação quando a recompensa não é imediata e direta. Quando determinado trabalho resultar em um benefício direto, como o de se abaixar e pegar a moeda ou trabalhar determinadas horas e logo após receber o valor combinado, tomar a decisão de fazê-lo ou não é fácil. Mas, o dilema é maior quando a dificuldade se apresenta e a recompensa é obtida apenas posteriormente, como semear a terra ou o estudante que se prepara para futura profissão. Em ambos os exemplos são necessários aguardar alguns meses ou mesmo anos para obter um resultado.

No entanto, é muito mais difícil decidir quando a situação exige uma ação que requer esforço e não visualizamos o benefício final. É quando “apostamos” nessas situações que nos elevamos como seres humanos, pois geralmente ocorrem em benefício a outrem. É o caso de uma ação de caridade em que o benéfico final não pode ser medido em valores materiais. Talvez a mais difícil seja adiar um pequeno prazer para alcançar algo maior, como deixar de comer um chocolate diariamente para comprar algo que possa multiplicar esse prazer posteriormente, como freqüentar um curso que possibilite um ganho maior e conseqüentemente resulte e mais chocolate.

Casos como o do Julio, de achar dinheiro assim tão fácil, não acorrem todo o dia, pois já dizia minha avó: “dinheiro não dá em arvore e muito menos na rua”. A vida nos impõe constantemente situações nas quais somos obrigados a decidir por determinado esforço, seja para alcançar uma recompensa financeira ou simplesmente para acalmarmos a consciência. Contudo, o segredo para uma generosa e gratificante recompensa final deve levar em conta princípios maiores do ser humano, como a bondade e generosidade com o próximo. Pense nisso.

criado por Jair Antonio Pauletto    15:18 — Arquivado em: Artigos

3.1.08

Ações responsáveis

 

Ações responsáveis

Que vivemos num país que tem graves problemas de distribuição de renda e que há décadas ouvimos falar que somos um país de futuro, isso é inegável. Mas apesar dos sucessivos esforços governamentais, a concentração de renda é o que mais chama a atenção no Brasil. Enquanto poucos concentram a maior parte da riqueza, muitos vivem na miséria. Estes são fatos facilmente comprovados, basta olharmos os freqüentes conflitos sociais e o aumento da criminalidade que são algumas das conseqüências.
Um engenheiro italiano, chamado Vilfredo Paretto, dedicou grande parte da sua vida ao estudo da economia política e o comportamento humano. Tornou-se famoso por publicar em 1897 um estudo sobre a distribuição de renda. Ele afirmava que a repartição da riqueza não ocorria de maneira uniforme, que havia grande concentração nas mãos de uma pequena parcela da população. Paretto conclui que 80% da riqueza estavam concentradas em apenas 20% da população. Este estudo deu origem à famosa regra 80/20, e ao famoso gráfico de Paretto, atualmente muito utilizado nas empresas para separar fatores triviais, os poucos essenciais, porém responsáveis por grande impacto no resultado da empresa. Assim as empresas utilizam esta ferramenta para identificar entre muitas necessidades de melhoria, quais ações devem priorizar para obter um resultado melhor.
Alguns estudiosos do comportamento humano aconselham utilizar a mesma regra para guiarmos nossas ações diárias. Colocam a relação 80/20 numa proporção ainda menor, sendo no mínimo 90/10. Afirmam que somos seguramente responsáveis por 90% do que nos acontece e no máximo 10% fogem do nosso controle. Embora muitos discordarem, dizendo que temos toda a responsabilidade pelo que ocorre em nossas vidas. A idéia segue o principio do engenheiro italiano, ou seja, temos o controle das nossas ações a maior parte do tempo em pequenos e eventuais momentos fogem do nosso controle. Na realidade, o que nos acontece é apenas a conseqüência das nossas reações diante de determinados acontecimentos, é a forma como reagimos que afetará inúmeros outros acontecimentos. Como uma reação inadequada diante de um fato imprevisível logo pela manhã que poderá causar muitos aborrecimentos ao longo do dia.
Um exemplo é quando você precisa dar atenção ao telefone logo pela manhã, antes mesmo de sair de casa, e então, percebe que já está completamente atrasado. Ao encontrar a primeira retenção no trânsito já reclama, pois ainda tem que largar as crianças no colégio. A Discussão passa do limite tolerável e se estabelece um mal estar geral na relação familiar. Na verdade, a razão do atraso foi à chamada telefônica, algo absolutamente imprevisível, embora o tempo dispensado pudesse ter sido melhor gerenciado. Esse acontecimento desencadeou uma reação desproporcional que acabou afetando o dia de outras pessoas. Sempre que reagimos de forma exagerada e desnecessária diante dos acontecimentos, acabamos por atrair outras situações desagradáveis.
Reagir automaticamente a um impulso é uma atitude pouco inteligente, relativa à característica dos animais e não do homem. Podemos não ter controle sobre determinados fatos, mas devemos ter o controle de nossas reações. É irracional entregar-nos as respostas automáticas, uma vez que é perfeitamente possível utilizarmos as nossas habilidades psíquicas para agir e responder adequadamente. Seguir puramente os reflexos decorrentes dos impulsos é regredir, subutilizar a nossa capacidade, além de gerar maior dor a nossa própria vida.
Reações automáticas como a do pequeno atraso acabam por transtornar todos os acontecimentos do dia, pois certamente o “mal estar” se espalhou para os demais relacionamentos, seja no trabalho na escola e certamente também se manifestará no final do dia no reencontro familiar. Medir as reações diante de pequenos acontecimentos indesejáveis pode evitar que inúmeras outras conseqüências desagradáveis ocorram. Assim se controlarmos nossas reações, podemos aumentar o próprio bem estar e de quem conosco convive, trazendo mais felicidade para a vida de todos. Lembre-se uma pequena ação desproporcional pode causar um impacto enorme na qualidade de vida de várias pessoas. Pense nisso.

criado por Jair Antonio Pauletto    17:44 — Arquivado em: Artigos

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