Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

27.2.08

De volta à rotina.

De volta à rotina.

Este é o período do ano em que tudo recomeça, não apenas pela retomada das aulas, o caos do trânsito pelo grande volume de circulação de carros e de pedestres, principalmente nos grandes centros, mas também pelo término da temporada de férias para a grande maioria da população. Assim, quem saiu em férias retorna ao trabalho e quem ficou sobrecarregado no trabalho, em função das férias do outro, retorna as suas atividades, enfim, tudo volta ao normal.

Aquela disposição e o inabalável propósito feito lá no inicio do ano, aos poucos vai se perdendo entre as dificuldades no trabalho, desgaste nos relacionamentos e as armadilhas da mesmice disfarçadas na velha rotina. É trabalho e mais trabalho, metas a serem perseguidas, contas que multiplicamos cada vez mais e que devem ser pagas com o nobre pretexto de atender as necessidades dos filhos, amigos, cônjuge, namorada, pais, ou seja, todos os que nos são caros. Com o perdão do trocadilho, todos os que nos são queridos e amamos.

Dessa forma, grande parte do nosso tempo acaba sendo dedicado as necessidades materiais, com a intenção de proporcionar maior conforto e comodidade aos entes queridos. Nada mais justo, afinal, é para isso que trabalhamos e muitas vezes além do nosso limite. Essa é a rotina da grande maioria e, quem não a tem, com certeza a deseja, pois, é em torno do trabalho que nós racionais nos estruturamos, é a forma que encontramos para melhor satisfazer nossas necessidades. A famosa frase “o trabalho enobrece e dignifica o homem” é discutível, mas não podemos negar que tem um fundo de verdade.

O que não podemos, é esquecer que temos muitas outras necessidades para vivermos uma vida equilibrada e feliz. Estas, no entanto, geralmente são suprimidas em beneficio do trabalho e ao demasiado valor que lhe atribuímos. Essa desproporção de valor com que tratamos o material nos leva a uma constante preocupação com a administração das finanças, deixando de lado a dedicação, o companheirismo e outras manifestações de afeto que todos necessitamos. Na verdade, o excesso é uma grande armadilha que nos lança para um circulo vicioso, de ver em determinado objeto ou conforto a solução para alcançarmos a tranqüilidade, mas, assim que o obtemos, logo não nos satisfaz mais, já queremos outro, e mais, e cada vez mais, sem alcançarmos a satisfação desejada.

Entretanto, a satisfação e o bem estar poderiam ser alcançados de forma muito mais duradoura se fossem obtidos com as necessidades emocionais atendidas, isto é, as necessidades materiais quando obtidas como complementares ao bem-estar psicológico tendem a ser muito mais satisfatórias e duradouras. Quanto maior for nosso equilíbrio emocional, menor será a importância do material para o nosso bem-estar.

Não estou fazendo uma defesa da abdicação dos bens materiais, tampouco acredito que sua ausência nos traga a felicidade ou garanta ao paraíso, quero somente lembrar que o bem estar pode ser alcançado através do crescimento pessoal. Este, por sua vez, será o responsável para atribuir ao material o valor que lhe é devido sem, contudo, abdicá-lo. Apenas quero alertar que a conquista do equilíbrio espiritual e emocional deve ter prioridade em nossas vidas, uma vez obtido, as demais questões acabam sendo conquistadas com naturalidade. Esta deveria ser a seqüência a ser seguida, já que o material deriva do nosso estado mental. No entanto, a realidade nos coloca diante de situações que parece ser impossível acreditarmos na ajuda do invisível, por maior que seja a nossa fé. Mas é justamente neste momento que devemos persistir. Para os poucos que conseguem acreditar e persistir, com certeza acabarão colhendo os frutos que a maioria atribui a sorte.

Há quase 60 dias, muitos de nós brindou, pediu e se propôs a cumprir determinadas metas no decorrer de 2008. No entanto, sabemos que quando chegar o final do ano, essa imensa maioria perceberá que apenas um determinado número teve êxito nos seus propósitos, isto é, somente aqueles que acreditaram e seguiram em frente, alcançaram suas metas. Sou insistente neste assunto, pois sei que a rotina nos desvia com muita facilidade destes objetivos, e espero que essa insistência sirva para lembrá-lo e motivá-lo a seguir seu caminho, buscando a verdadeira satisfação pessoal nesta retomada das atividades. É importante lembrar que a felicidade envolve um conjunto de fatores e o trabalho é apenas um deles, por maior ou mais importante que possa parecer.

Como sempre costumo dizer, o equilíbrio é o melhor caminho, embora o percurso muitas vezes nos leve a extremos, assim como, quando alguém esta aprendendo a dirigir, às vezes arranca muito rápido ou pára bruscamente, mas logo “pega a manha” e conduz o veículo de forma adequada. O importante é acreditar em si e persistir firme no propósito do qual deseja alcançar, por mais estressante e dura que seja a rotina, com dedicação e foco concentrado, o objetivo sempre será alcançado. Comece devagar e acelere conforme o aprendizado e, quando você se der conta, já estará lá. Pense nisso.

criado por Jair Antonio Pauletto    11:54 — Arquivado em: Crônicas

24.2.08

Férias na Praia

Férias na Praia
Um dia desses de manhãzinha, ainda no elevador do edifício do meu apartamento, fui interpelado por um vizinho, que é muito do petulante. Ele chegou com aquele ar de superioridade, postou-se na minha frente, me olhou de cima a baixo com seu nariz arrebitado, queixo levantado e fulminou palavras, que por ora pareciam ter invadido por completo a minha privacidade, mas decidi ouvi-lo, em nome da boa vizinhança, é claro:
- E aí vizinho! Ta na hora de tu pegar uma prainha, eihm! Não achas que estas branquelo demais pra época?
Ele falava com a autoridade de um nativo de alguma ilha do Caribe, como se estivesse diante de um enorme absurdo, pois já estávamos no inicio de fevereiro e eu ainda não tinha ido à praia. Essa observação inoportuna logo pela manhã e aquele jeito desprezível no olhar tentando me inferiorizar, quase me fez perder o controle. Diante desta indagação absurda, fiquei até sem resposta, dizendo apenas, ao chegarmos ao térreo, “tenha um bom dia”.
Todos os anos basta o inverno passar, que muitas pessoas já começam com aquela maratona de preparação para passar a temporada na praia. Algumas começam a malhar para colocar o corpo em forma, não pela saúde, mas para exibi-lo. Já outros, transformam os finais de semana em longas viagens ao litoral para arrumar e deixar a casa em ordem. Nada contra, respeito qualquer escolha, mas não suporto esta “obrigação” que muitas dessas pessoas, ano após ano, tentam nos impor, de ter que ir à praia.
Pois essa semana chegou à hora de eu ir à praia e, estou aqui há alguns dias por escolha própria e aproveitando da minha maneira, que obviamente exclui quase todas aquelas longas exposições ao sol que a maioria dos veranistas adoram. Imaginem que agora mesmo estou coçando o umbigo, não por estar curtindo as férias sossegadas, mas por ter negligenciado o uso do protetor solar nesta incomoda região abdominal. Confesso, que quando olho para o meu umbigo, cheio de creme para aliviar a ardência da queimadura, ao invés de me sentir um idiota, acabo por me divertir com uma gostosa gargalhada, pois a cena me faz lembrar aquele canudinho de massa folhada e recheada com creme de baunilha que minha avó fazia quando eu era criança.
Mas, fora esse pequeno desconforto, a praia sem dúvida é um dos excelentes locais para se passar às férias. No meu caso, alguns dias são mais que suficientes, pois não tenho satisfação alguma em ter que me lambuzar de protetor solar todos os dias para ir algumas horas à praia e depois retornar totalmente “salgado”, melecado de protetor solar e impregnado de areia. Mas aí você deve pensar, nada que um belo banho de água doce para resolver tudo isso. Pois então eu lhes digo que, é claro que resolve, mas praticamente essas mesmas agradáveis horas passadas na beira mar, agora terão de ser dedicadas para retirar toda aquela meleca do corpo. A sensação é de que metade da área da praia esta em nossos cabelos e a outra metade no resto do corpo. O sabonete logo se enche de areia, aliás, não deve existir nada mais esfoliante que isso. A propósito, porque os fabricantes não lançam de uma vez por todas, um sabonete esfoliante à base de areia com qualquer coisa? Aposto que teria mercado.
Antes fossem só estes os “inconvenientes, mas sempre tem aquele biquíni molhado estendido no banheiro, sem contar com uma infinidade de cangas, chapéus, havaianas e óculos espalhados por toda a parte, e um milhão de coisitas mais que a “diversão” da praia sempre trás, além do prazer da comilança exagerada, da bebida em excesso e o conseqüente mal estar, isso quando não há implicações ainda maiores ….
Porém, nem tudo é tão chato, sempre surgem novas amizades ou um vizinho novo, excluindo é claro, aqueles com gostos musicais um tanto duvidosos, e que parecem sofrer de sérios problemas auditivos. Também não posso deixar de falar dos agradáveis momentos em que uma rara beleza desfila a beira mar, sob o atento olhar dos homens e a inveja da imensa maioria das mulheres. Neste desfile, tentando chamar a atenção, sempre aparecem às metidas a gostosonas e os “bombados”, que fazem deste local uma passarela para alimentarem suas vaidades. Ah! Já ia me esquecendo, também tem aquelas criaturas bípedes que não conseguem ler e sequer interpretar os desenhos das placas que trazem a lei que proíbe a circulação de animais na praia.
Enfim, existe uma infinidade de possibilidades, aprendizados, lazer e inúmeros exemplos de cidadania e bons hábitos na praia. Não posso negar que é possível “curtir a vida pra valer” neste local, mas dever-se-ia respeitar também os que conseguem fazê-la longe da areia. Poderia descrever vários acontecimentos e aprendizados nestes dias de férias, mas vou terminar por aqui, afinal, estou em férias e além do mais, preciso voltar a coçar meu umbigo. Boa semana a todos.

 

criado por Jair Antonio Pauletto    22:37 — Arquivado em: Crônicas

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