Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

30.3.08

O Mar

O Mar

O mar é um sujeito forte e gentil que, para evitar o chocante contraste estético, criou um faixa de areia. Assim exercita sua beleza humilde sem magoar a terra bruta.
Onde a terra insiste em se defrontar apresentando as rochas como armas, quando o mar somente quer que suas ondas possam descansar suavemente na praia, ele simplesmente se defende.
Então as açoita na maré cheia e nas tempestades mostrando que é valente, porém logo as acaricia na calmaria, em sinal que seu coração sempre clama pela paz.
Fonte de inspiração para as almas poéticas, do fascinado pescador ao lavrador.
Nas noites quentes de luar, seu suave requebrar é como uma canção de ninar que nos convida a repousar a cabeça sobre as dunas, tendo como aconchegante edredom às rendadas ondas a nos refrescar.
O mar, seguido com o artigo masculino, exerce o fascínio do pai, mas com a função dos dois gêneros, basta mudarmos o artigo que faz lembrar a mãe, que se transformará em A mar.
Imensidão de água que nos acompanha por toda a vida, pois crescemos protegidos pela água desde a fecundação, que permanece em nosso corpo irrigando a vida. É do seio do mar que o pescador retira o seu sustento e também nos alimenta.
Na profunda imensidão e perenidade retrata a alma e sua imortalidade.
É cenário dos grandes amores, caminho do progresso e dos descobridores de novos mundos e universos interiores.
Retratado nas mais nobres melodias, nas artes e no dia a dia, espalha sonhos e magia no coração da humanidade.
Belo por natureza nos recebe de braços abertos, lavando as tristezas e purificando as energias para encher de esperança os novos dias.
Recebe em oferendas, sonhos e os pedidos dos mais íntimos segredos e sem promessas, devolve alegria em forma de esperança pra a luta de cada dia.
Afogado de felicidade nos convida a valorizar e viver a plenitude da vida.
É o mar, com sua água salgada, que faz mais doce o nosso viver.
Desde a infância e até depois de partir, vou sentir saudade de te ver a cada amanhecer…
Quando as minhas cinzas em ti se banharem, será o beijo de despedida de mais uma partida.

criado por Jair Antonio Pauletto    18:46 — Arquivado em: Miscelâneas

23.3.08

Felicidade, Interesses e Prazeres

Felicidade, Interesses e Prazeres.

O estágio de desenvolvimento da humanidade entre tantos fatores deve-se especialmente aos diferentes pontos de vista e interesses. O progresso conquistado, ou os avanços desperdiçados trilharam por vários caminhos, desde os mais nobres, caridosos e amorosos aos do egoísmo e ganância e outros tantos interesses, muitas vezes não tão nobres quando desejável. Mas, esta questão de interesses diferentes, quando fundamentada em valores sadios, tem que ser respeitada e até incentivada, pois traz grande beneficio, seja no enriquecimento pessoal, relacionamentos ou avanços sociais, materiais e tecnológicos.
No entanto, quando esses interesses são voltados exclusivamente ao bem estar de um determinado grupo ou nação, torna-se fonte de atrito, desencadeando conflitos que chegam a sérias conseqüências como a utilização de armas e o sacrifício de vidas. No âmbito pessoal podem seguir na mesma direção, mas a primeira e mais comum das conseqüências é o desconforto e o rompimento dos relacionamentos, sejam estáveis ou simplesmente passageiros.
Nos relacionamentos, interesses diferentes levam ao rompimento. Geralmente isso ocorre quando um tem a intenção de querer transformar o outro, criando inúmeras situações para reclamações e discussões. Tudo com o objetivo de moldar o outro, de querer que o outro mude, assim como todas as coisas ao nosso redor se ajustem ao nosso próprio interesse e jeito de ser.
Essas pessoas acreditam que só alcançarão a felicidade quando conseguirem a satisfação dos seus interesses e a adequação das pessoas ao seu modo de ser. Na verdade, isto os levará justamente ao oposto e ao isolamento, pois confundem o prazer com felicidade. Acreditam que mantendo situações ou pessoas sob seu controle, isto é, moldadas ao seu jeito e interesses, alcançarão a felicidade. Mas isto não passa de um prazer, assim como um viciado encontra prazer na droga e não felicidade.
O prazer é uma sensação de bem estar que se sente, é uma resposta orgânica ou mental que indica que determinada situação ou ação nos é benéfica. O prazer não tem o poder de nos dar a felicidade, mas podemos através dele, alcançar alegria. Embora bastante fugaz, com alegria se vive melhor, mas não necessariamente feliz, uma vez que a felicidade não mora no prazer. A alegria não alcança o nível da felicidade, mas nos impulsiona para que possamos alcançá-la.
A clara noção que se tinha, do que seria felicidade há alguns anos a cada dia fica menos explícita. Não tenho a pretensão de distinguir claramente prazer e felicidade, porque isto é tarefa para filósofos e outros iluminados. Mas, por ser uma busca pessoal e também por não seguir um único modelo, costumo dizer que é um estado que ultrapassa o prazer, porque a consciência se eleva a um estágio de completa satisfação, da qual o contentamento e o bem estar são plenos.
O prazer pode ser alcançado de forma relativamente fácil se comparado à felicidade é infinitamente mais fácil de obtê-lo. Enquanto o prazer pode ser obtido com a degustação de um doce ou com a simples companhia de uma pessoa querida, a felicidade pode ser obtida sem motivo específico, mas geralmente esta associada a fatores, como trabalho, família e relacionamentos. A felicidade alcançada sem ter motivo específico, talvez seja a mais autêntica forma de felicidade e, justamente por poder ser obtida sem qualquer razão está ao alcance de todos, e isto dá passagem à esperança que nos estimula a prosseguirmos.
A satisfação dos próprios interesses não pode ser buscada de forma egoísta, e sim de forma equilibrada, respeitando sempre as individualidades, caso contrário, seria o mesmo que ir contra a própria felicidade.
Dessa forma, nunca deixe de buscar a satisfação e, principalmente sem vergonha de ser feliz, pois, se não demonstrarmos que somos felizes, como poderemos ajudar os outros a superarem suas misérias? Contribuir para a felicidade do outro é parte da construção da nossa própria felicidade. Pense nisso.

http://recantodasletras.uol.com.br/autores/Pauletto

 

criado por Jair Antonio Pauletto    23:28 — Arquivado em: Artigos

22.3.08

A Pitada Certa de amor

A Pitada Certa de amor

Espalhado sobre a pequena mesa,

Brigavam ingredientes, utensílios

E a velha receita amarelada.

Tudo para surpreender a mulher amada

Com o jantar após a longa jornada.

O pulsar do amor percorrendo o corpo,

Procurava o avental e o talher para iniciar…

Mas, ela chegou e um doce beijo ganhou.

Vestia aquele terno lilás que o excitava…

Sentiu o cheiro que remetia ao primeiro dia.

A primeira vez que os olhos brilharam pela donzela,

Mais pura e bela do que podia sonhar,

Que depois veio se transformar, na razão do seu viver.

Aquele amor desvirginado, frutos havia gerado,

Mas continuava a pulsar, como é um amor ilimitado.

As vésperas da aposentadoria,

Como adolescente apaixonado,

Vivia um amor que poucos poetas haviam ousado imaginar.

Entre beijos e carinhos, sob o calor do amor,

Viu o jantar se transformar no mais belo dos banquetes.

A receita amarelada, acrescentou uma porção

De afeto, carinho, paixão, companheirismo e alegria

Era tudo o que o unia àquele coração.

E assim, reflorescia o velho amor,

Que o correspondia desde o primeiro olhar.

Era a mulher amada, que com uma simples pitada,

Tudo transformava e o amor se deliciava,

Com o divino manjar, dos corpos a rolar.

criado por Jair Antonio Pauletto    19:54 — Arquivado em: Miscelâneas

17.3.08

Páscoa: reunificação de corpo e espírito.

Páscoa: reunificação de corpo e espírito.

Enquanto os adultos estão envoltos em afazeres e preocupações, as crianças esperam ansiosas pelo ovo de páscoa, aquele que tem como recheio o brinquedo desejado, chega à páscoa, fazendo-nos um convite para a renovação.
A páscoa traz a mensagem de transformação, libertação e ressurreição, ou seja, a oportunidade de se passar de um estágio para outro. O significado da páscoa é bem maior do que geralmente atribuímos.Vai muito além do que imaginamos. É a celebração da alegria pela mudança, é um momento propício para refletirmos o que precisamos mudar e ressuscitar da nossa essência divina para “subirmos aos céus”.
No entanto, aprofundar-se no seu significado exigirá esforço e muito trabalho interno, que para alguns, resultará como mais um desconforto, além daqueles que o cotidiano já nos trás. Então, ao invés disso, preferem adotar uma atitude, que a principio parece mais confortável, ou seja, de festejar a páscoa, “mascarada” de feliz ou até mesmo de generoso, porque contribuiu com alguma coisa para uma campanha de caridade qualquer.
Assim, para superar as adversidades que serão submetidas diariamente, muitas vezes acabam por utilizar-se de máscaras e armaduras, como uma estratégia para facilitar o convívio social. Atitude que devemos evitar é claro, porém freqüentemente necessária para a manutenção da boa convivência, seja na vida social ou até mesmo familiar. A louvável sinceridade que deveria ser a característica essencial em toda e qualquer relação acaba sendo deixada de lado, porque se torna uma fonte de discórdia e outros dissabores.
Neste caso, somos “forçados” e empurrados para a utilização de armaduras, que tem por finalidade impor respeito, medo no outro, ou simplesmente para nos protegermos. As máscaras têm a mesma função e estão incorporadas na vida da maioria das pessoas de forma tão natural, e utilizadas com tanta freqüência, que chegam a perder sua própria essência.
Quero lembrar esta questão da utilização de aparatos de proteção, não para condenar quem os utilizam, mas sim, para alertar que a páscoa é um momento propício para livra-se destas proteções e deixar a vida tomar sol. É da transformação e na ressurreição da páscoa que deve vir à força necessária para quebrarmos a armadura. Armadura que é reforçada a cada momento que a deixamos de assumir a própria personalidade, o nosso verdadeiro eu.
Existe uma enorme semelhança entre o ovo - um dos símbolos da páscoa, com esta situação, pois o ovo contém em sua essência a vida, vida que quer existir e frutificar, mas que esta envolta em uma casca, uma casca de proteção, que na consistência adequada a protege, mas se for excessivamente resistente, impediria o nascimento. O mesmo ocorre com as armaduras e máscaras, que são “cascas” utilizadas como forma de proteção, no entanto, quando esta “casca” se tornar muito forte e resistente, a vida não consegue conservar-se e aos poucos se apagará, ou seja, ao usarmos armaduras, estaremos reprimindo a própria vida.
A páscoa é a oportunidade de remover essas armaduras e deixar a vida respirar livremente.A páscoa também é o momento de renovar os projetos, as metas e todos os sonhos que nos propusemos lá no nascimento (natal) e no ano novo, para que fossem conquistados durante o ano. É a oportunidade de rever, avaliar, reprogramar e fazer renascer os sonhos. Esta é a hora de repassar todo o texto, de fazer o último ensaio e definitivamente entrar em cena, é hora de marcar posição e fazer do espetáculo da vida um show inesquecível, onde os holofotes do sucesso não se apagam, pois somos o personagem único da vida.
Páscoa é a reunificação do corpo e do espírito. É a conciliação do material com o espiritual, a nossa união com o divino. Onde devemos deixar de lado eventuais excessos materiais e resgatar o lado espiritual, para que equilibrados, possamos sentir o prazer de estarmos harmonizados com o universo e assim comemorar plenamente a alegria da páscoa. Traçar estratégias para nos livrarmos daquelas más atitudes, que por alguns descuidos foram crescendo no nosso interior, e arrancá-las antes que impregnem a alma, mas, sobretudo, assumir o compromisso de nos tonarmos cada dia seres humanos melhores e assim, fazermos o amor crescer, afinal é através dele que podemos “cobrir a multidão de pecados”.
Deste modo, este é um momento que vai muito além da festa do chocolate. É uma oportunidade especial de renovação, de ressurreição e transformação interior. Aproveitar esse momento para nos despirmos de qualquer armadura que esteja nos restringindo o crescimento e a união com o Sagrado, é ser sábio. É valorizar e oportunizar que a vida flua feliz, que é sua característica natural. Pense nisso. Feliz Páscoa.

veja também: Páscoa: Um novo tempo.

criado por Jair Antonio Pauletto    0:26 — Arquivado em: Artigos

10.3.08

A Pitada Certa

A Pitada Certa

Quero falar um pouco sobre a questão do trabalho, primeiramente para àqueles que leram o texto da semana e entenderam que sou “contra o trabalho”, quando falava do fim das férias e a retomada da rotina de trabalho.

Diante disso, e, para que não fique mais nenhuma dúvida, esclareço que não sou contra o trabalho, mas sou contra dedicar-se excessivamente, depositar nele a conquista da felicidade, do bem estar pessoal, familiar e todas as demais interpretações que alguns fanáticos lhe atribuem. Confesso que sou simpático ao ócio, especialmente ao chamado ócio criativo, mas tenho consciência da sua importância na vida de todos nós. Até porque, vale lembrar do antigo ditado que diz: “a preguiça viaja tão devagar que a pobreza logo a ultrapassa”, ou seja, se o trabalho nos foi imposto como castigo pela prática do pecado, dos dois, no paraíso, até que a punição não foi das piores, uma vez que o trabalho também trás prazer e realização. Embora eu não possa acreditar que tenha sido um castigo, apenas pelo fato de um cidadão ter descumprido uma determinada ordem. Seria como ser condenado a pagar pena de algum irresponsável qualquer. Não acredito que Deus com toda a sua generosidade fizesse isso com todos nós, assim como também não acredito que seja uma regra a literal afirmação que é difícil um rico entrar no reino do céu, mas esta é uma crença pessoal que não me impede de incentivar e buscar riqueza material.

No entanto, é preciso deixar claro que nenhum segredo do sucesso funcionará sem muito trabalho. Todo o poder e a veemente defesa que faço do pensamento criativo, do querer, do imaginar, da força mental enfim, em nada adianta se não houver ação, ou seja, trabalho. Aquilo que se acredita não terá nenhum valor se não houver ação e não trabalharmos com afinco para concretizá-lo. Trabalhar sem acreditar é improdutivo tanto quanto acreditar e não trabalhar. Acreditar e agir é caminhar para o sucesso.

Não podemos esquecer que Deus fez as uvas e nos deu a benção do trabalho para transformá-las em vinho. Não fomos criados para ficarmos parados, fomos feitos para agir, para transformar as boas idéias em algo produtivo capaz de melhorar-nos como seres humanos e conseqüentemente o mundo. Não podemos cumprir nosso destino com base apenas em teoria, é preciso esforço, dedicação, superação, trabalho físico e mental. Não vejo utilidade em viver uma vida de clausura, mesmo que dedicada a Deus, não acredito que ele tenha nos criado para passarmos à vida isolados sem fazer nada de produtivo para a humanidade. Ele não é tão vaidoso que precisa de adoração constante, tampouco deve aceitar que outros peçam perdão pelos meus pecados se eu não me arrepender deles. Somos indivíduos únicos e Ele esta em nós, nos auxiliando a evoluir e proporcionando todas as oportunidades que precisamos.

O universo nos oferece tantas posses, quantas somos capazes de conquistar e desfrutarmos, desde que sejam obtidas honestamente. Mas isso requer que saibamos utilizá-las não só em benefício próprio. Ele espera que usufruamos todos os bens que nos são oferecidos, e não sejamos egoístas e nos mostremos prontos a reparti-los sempre que necessário.

Espero ter deixado clara a importância que atribuo ao trabalho, pois, querer ser bem sucedido sem trabalhar é o mesmo que querer colher sem nada plantar. No entanto, estabelecer um limite para essa atividade é vital para ter uma vida saudável. A receita para o bem estar tem muitos ingredientes, mas o segredo esta na dose. Neste caso, na pitada final, àquela famosa pitada “a gosto” é que deve ser bem avaliada.

Assim, é sempre bom lembrar as palavras do pequeno príncipe, quando nos diz que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Afinal, não vivemos isolados e temos responsabilidades com os que estão ao nosso lado. Pense nisso.

http://recantodasletras.uol.com.br/contosinsolitos/486402

 

criado por Jair Antonio Pauletto    21:53 — Arquivado em: Crônicas

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