Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

27.5.08

A escolha é sempre sua

A escolha é sempre sua

A breve caminhada desta vida, às vezes nos coloca diante de encruzilhadas, cujos caminhos parecem igualmente difíceis. São escolhas que precisam ser feitas, seja por opção consciente, acreditando que uma determinada direção é a opção certa, ou simplesmente por seguirmos, ou ainda, acabamos empurrados para algum lado, por influência externa, crenças ultrapassadas, ou outra força qualquer que acaba nos pressionando a seguir determinado rumo.

Aparentemente a opção mais fácil é deixar que a situação nos leve, pois se algo der errado o velho papel de vítima será a tábua de salvação. Seja como for, uma vez feita à opção temos que arcar com as responsabilidades por maior que seja o dilema, ele é sempre individual, mas as conseqüências podem afetar muitas pessoas. Somos livres para optar, mas antes é aconselhável que sejam respondidas três questões: Quero? Devo? Posso?

A resposta para estes questionamentos requer clareza de consciência, pois querer é algo natural, saudável e nos leva ao progresso. No entanto, não podemos confundir o querer e ter ambição com ganância, que é algo muito diferente. Enquanto a ambição faz crescer, a ganância nos faz regredir. O que distingue uma pessoa ambiciosa de uma gananciosa, embora as duas tenham em comum o querer mais, é que a segunda só quer para si.

Todos queremos, que diante das ameaças do aquecimento global, por exemplo, para que sejam desenvolvidas ações para melhorar as condições de preservação do meio ambiente. No entanto, na hora de separar o lixo, que é algo que requer pequeno esforço, simplesmente não faz. Mas então, qual o sentido de querer ver o planeta livre desta ameaça? Posso eu deixar de reciclar o lixo? Certamente que posso. Devo? Não, não devo, jamais. Quero? Não, não posso querer, afinal, a destruição do planeta é um fato maléfico para a própria sobrevivência.

Sempre encontramos uma desculpa ao não fazermos o que deveríamos, que neste caso, poderia ser; “não tem importância é um pouquinho só”. Mas imagine se os outros, quase sete bilhões também pensassem assim. Uma decisão pessoal pode interferir na vida de muitas outras pessoas.É preciso pensar bem no rumo que for tomar.

É triste ver que estas perguntas sequer tocam a consciência de muitos, especialmente alguns arrogantes que pensam estar acima de qualquer questão e se preocupam somente com a satisfação do próprio querer. Esse encontro da arrogância com a ganância do querer é destrutivo, uma verdadeira ameaça a vida. Não somente a vida humana e de milhares de outros seres que conosco dividem este espaço e acabam destruindo a própria vida sem se darem conta.

Essas pessoas “se acham”, querem tudo, procuram satisfazer suas necessidades, independente das conseqüências, não se consideram arrogantes e sequer conseguem perceber o quanto são gananciosas. Algumas se dizem humildes, alegando escassos recursos materiais, mas na verdade não possuem humildade alguma, consideram-se acima destes questionamentos. Para elas o importante é satisfazer o seu querer. Elas querem tudo, invejam a alegria, o amor e a felicidade dos outros, esquecem de buscar alternativas, de questionar se devem, se podem, pois não percebem que a própria felicidade é uma construção individual que, respeitar a felicidade dos outros é permitir que a sua se desenvolva. São pessoas que fazem escolhas erradas, esquecem de abrir portas, não acreditam que a felicidade pode ser construída, sofrem pela enorme ansiedade e pela incapacidade de acreditar no futuro.

Obviamente que temos que lutar pelo amor e felicidade, mas estou falando de escolhas que trazem conseqüências aos outros. Embora possam querer, pois têm liberdade para isso ao desejarem o que não podem, ou seja, responderam sim ao primeiro questionamento sem avaliar os outros dois, estarão fazendo algo eticamente condenável. Para satisfazer seu desejo, o querer, prejudicam outros, acabam se tornando pessoas invejosas, medíocres e fadadas ao fracasso pessoal.

Dessa forma, acabam, mesmo que inconscientemente, optando pelo caminho da infelicidade, do retrocesso, do atraso e, somente ao chegarem no final do caminho, perceberão que a caminhada foi em vão. A escolha é sempre sua, já as conseqüências, essas podem afetar muitas outras pessoas, inclusive quem tu mais amas. Lamento, mas a escolha é sempre sua, por isso, deve ser feita com absoluta integridade, pois mesmo que digas “não queria”. Se escolheu é porque queria. Se não querias quando escolheu, passou a querer e, uma vez feito, virão as conseqüências.

Quando o estrago está feito, não importa a intenção, sempre responderemos pelas conseqüências. Escolher é uma questão de princípios, de ética. É a ética que responde adequadamente àqueles três questionamentos. Quanto mais sólidos forem os princípios, mas fácil será enfrentar os dilemas, optar pela estrada certa nas encruzilhadas e mais íntegros nos tornaremos.

Uma escolha, por menor que possa parecer, sempre trará conseqüências que serão creditadas ou debitadas em nossa conta pessoal. Assim como, um grande e incontrolável incêndio começa com uma pequena chama, nossas escolhas também podem trazer enormes conseqüências, e neste caso não existe seguro que possa cobrir os prejuízos. Lembre-se, a escolha é sempre individual, mas as suas conseqüências vão além e podem afetar muitas outras pessoas. Pense nisso.

criado por Jair Antonio Pauletto    23:03 — Arquivado em: Artigos

16.5.08

Reorganização interna

Reorganização interna
Já havia comentado em outras ocasiões, que tenho dificuldades em manter organizadas certas coisas na minha vida, embora em outras, perfeccionista ao extremo. Ambas as situações não me parecem ser a solução, pois as duas me fazem perder um tempo precioso, seja pela dificuldade em encontrar o que necessito e se perdeu devido à bagunça, ou ainda pela extrema dedicação na arrumação de algo que constantemente utilizo. Situações como essas não são desejáveis, pois roubam toda a praticidade que a vida atual requer. Contudo, me fez perceber uma significativa relação entre organização física e a mental.

Assim, logo ficou claro que as atividades do cotidiano que fluíam com naturalidade, eram as que mentalmente estavam muito claras em minha mente. Enquanto que as atividades que se relacionavam ao medo e a insegurança, eram exageradamente trabalhados e inutilmente detalhados como fazia com aquelas mantidas extremamente organizadas, apesar de desnecessário. Já as que ficavam desorganizadas, refletiam minhas incertezas e indefinições mentais. Na realidade, existe uma sutil diferença entre as excessivamente organizadas e as desorganizadas, uma vez que o ideal mesmo, seria manter tudo numa ordem regular, naturalmente organizado.

Estava diante de mais uma evidência da importância em manter uma afinada sintonia entre o físico e o mental e, imediatamente associei aos resultados de sucesso ou fracasso em nossa vida; a nossa constituição física,“visível” e concreta - o cérebro, e a constituição mental, “abstrata” - o pensamento. Com os avanços científicos, especialistas conseguirem mapear quase todas as áreas do nosso cérebro, determinando as funções para cada ponto específico, no entanto, ainda não houve progresso na área do pensamento, capaz de determinar sua origem ou funcionamento. Há muito sabemos das atribuições de cada um dos hemisférios, da relação dos estados de consciência com as ondas cerebrais e que seu ritmo caracteriza e determina nosso estado de consciência.

Na maioria da população predomina o pensamento lógico decorrente da ação do hemisfério cerebral esquerdo, enquanto as ações do hemisfério direito, mais voltadas a criatividade, ao simbólico e emocional, tem menor predominância. Isto nos ajuda compreender a organização social e seus valores, mas, sobretudo nos remete a importância do equilíbrio. Não somente da utilização da predominância ou desenvolvimento cerebral, mas do físico e do mental.

Estando em desequilíbrio é impossível alcançar a prosperidade. Poderemos até obter inúmeros recursos materiais, mas não teremos bom êxito quanto à felicidade, pois se trata da mesma relação entre querer ter uma vida organizada e próspera externamente, sem organizar-se internamente. A desordem interior é a desorganização externa. O que esta dentro reflete lá fora é como o espelho que sempre reflete a imagem que esta diante dele e não a que se quer ver.

A mudança inicia de dentro pra fora, portanto, se quiser obter um resultado diferente do que vem obtendo, reorganize-se primeiro internamente. Faça um organograma de seus valores e princípios, obedecendo a hierarquia, sem contrariar a consciência. Depois estabeleça prioridades, faça um planejamento estratégico, um plano de ação e, enfim, faça uma reengenharia íntima, e só depois comece a agir, mas reavalie constantemente e corrija eventuais descaminhos. Esta é uma estratégia que pode nos levar a alcançar o objetivo desejado, para estarmos em pouco tempo distribuindo alegria em abundancia, fruto da própria felicidade.

A organização íntima é o pilar que sustenta uma vida próspera, mas requer determinação e vigilância constante. Entretanto, como em qualquer organização física, mesmo sem qualquer prática ou conhecimento, mas com um pouco de esforço, sempre será possível dar uma melhorada. Então não espere, afinal, é uma tarefa pessoal! Comece logo e aprenda fazendo. Há infinitas maneiras de se arrumar, pôr em ordem, arranjar, organizar, ou, seja lá a forma que for, mas sem esquecer que a melhor sempre será aquela que nos deixará felizes.

Utilizar todos os recursos que o universo nos disponibiliza para sermos felizes é um dever. Não podemos ser orgulhosos e rejeitar o presente Divino de termos nascidos com capacidades e qualidades suficientes para alcançarmos à felicidade, muito menos, desperdiçar a oportunidade por comodismos ou outras desculpas quaisquer. Pense nisso.

criado por Jair Antonio Pauletto    18:46 — Arquivado em: Crônicas

6.5.08

Homenagem às mães

Homenagem às mães
Dia das mães, assim como, dia dos pais, tiveram início nos Estados Unidos por iniciativa de uma filha. Neste caso, a jovem Annie Jarvis, perdeu sua mãe e ficou muito deprimida. As amigas preocupadas em tirá-la daquele sofrimento, resolveram fazer uma festa para perpetuar a memória da mãe, Anne, então resolveram estender a homenagem a todos as mães vivas ou mortas. Isso ocorreu no princípio do século XX e, em 1914, a data foi oficializada naquele País. O Rio Grande do sul foi à porta de entrada para que a data fosse oficialmente adotada. Foi através da ACM (Associação Cristão de Moços) de Porto Alegre, por iniciativa da missionária Eula Kennedy Long, há exatos noventa anos. Três anos depois, em 1921, já estava em são Paulo e finalmente em 1932, Getúlio Vargas assinou o decreto instituindo oficialmente o dia das mães no Brasil.
Embora as mães venham sendo homenageadas desde os princípios da civilização, foi na antiga Grécia que este hábito mais se difundiu. Hoje, embora em datas diferentes, as mães são festejadas e homenageadas em todo o mundo. Muitos países, como o Brasil, adotaram o segundo domingo de maio. Já outros, fazem suas homenagens antes da páscoa, mas particularmente a data do primeiro dia da primavera, adotada pelo Líbano e Palestina, considero a mais adequada para expressar a beleza de Mãe.
Mãe é primavera sempre, em qualquer estação ou situação que estivermos, é ela a beleza e a segurança que nos alegra. Falar das mães, de modo a descrever tudo o que ela significa em nossa vida é tarefa impossível, não somente pela minha limitação, mas pela sua grandiosidade. Muitos consagrados poetas, escritores, cantores e outros artistas já tentaram, porém ainda ou jamais conseguiram expressar a emoção, o sentimento, enfim o amor que lhes dedicamos ou que todos deveriam dedicar-lhe.
Mãe é símbolo de vida, pois é no seu ventre que nos preparamos para a vida. É ela que nos nutre e nos proporciona as condições para crescermos com amor e delicadeza. Com seu afeto nós fortificamos e moldamos nosso caráter para toda a vida. Sua felicidade é crescermos feliz, pois nos disponibiliza o infinito amor de seu coração em toda e qualquer ocasião.Carrega na alma o dom de amar infinitamente. É incansável e dedica toda a sua energia ao bem estar dos filhos. Missão que exige coragem e renuncia, qualidade que, quando encontradas nos homens são chamados de heróis. Mãe é acima de tudo generosidade, que mesmo inconscientemente a adotamos expressões como a generosidade “da mãe terra” ou ainda “da mãe natureza” para enfatizarmos a graça, a abundância que delas provem.
Alma iluminada que traz o poder de guiar e aquecer o caminho dos filhos e do lar. Suporta a ingratidão que nasce na adolescência e que muitas vezes se prolonga, mas com carinho nos conduz ao amadurecimento. Sempre forte, segura e consciente no papel que assumiu. Simplesmente porque ama e se entrega à felicidade do filho.
A família se eleva diante de tamanha força, capaz de clarear a mais sombria das trevas com um simples olhar. Desde o principio nos abriga e dá as condições necessárias para que possamos germinar e frutificar, sem precisarmos retribuir. Porém, quem não a homenagear neste se dia especial, não merece pertencer à espécie humana. Não quero ofender ninguém, mas é isso mesmo que penso, pois se alguém estiver distante de sua mãe, a mulher que nos colocou neste mundo, deve se aproximar. Não falo de distância física, pois podemos estar em dimensões diferentes, mas da distância do coração, seja lá o motivo que os tenha separado, faça um gesto de amor. O amor é a energia que tem o poder de alcançar qualquer distância e tudo supera, certamente conseguirá tocar o seu coração.
O Dia das mães é um dia de gratidão, um momento de celebrar a vida. Vida que deve seguir no caminho do amor, aquele amor puro que pode ser encontrado em abundância no coração das mães. Desejo um feliz dia a todas as mães.

- Pauletto J A -
http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/975627

 

criado por Jair Antonio Pauletto    22:46 — Arquivado em: Artigos

5.5.08

Solte os freios

Solte os freios
Após aquela conversa com o pedreiro que relatei aqui, na semana passada, sobre a reflexão da auto-estima, me levou a conversar diariamente com aquele homem, enquanto ele parecia estar testando minha paciência com seu ritmo de trabalho. Estava intrigado com a sua acomodação diante à vida, como estivesse sido treinado para se reprimir, para não querer nada da vida, a não ser, sentir-se um peso para o mundo.
Era uma pessoa extremamente acomodada e fechada para as oportunidades da vida. Não demonstrava qualquer ambição, era a total personificação da acomodação. Durante as longas conversas, procurava ressaltar o trabalho digno que executava, embora não lhe rendesse muito, precisaria se “contentar”, afinal, era o que sabia fazer.
Ao longo das minhas experiências profissionais, já havia me deparado com várias pessoas que agiam dessa forma. Aquele sujeito que perece estar sempre como o freio de mão puxado, que não demonstra a mínima disposição para fazer acontecer, realizar e ser útil. Geralmente estão sem vontade para nada, não manifestam desejo, ambição ou sequer inveja por nada ou ninguém. São pessoas apagadas para vida, que se acomodaram em determinada zona de conforte e tudo fazem para se manterem ali. No entanto, bastavam algumas palavras para identificar as razões da apatia, que na maioria das vezes, ultrapassavam as questões profissionais e logo se acendiam para vida. Mas agora, o que me intrigava era a convicção de que aquilo era tudo que podia querer e receber deste mundo, pois havia total ausência de desejo e vida naquele homem.
Estava diante de um ser humano com uma imagem extremamente negativa de si mesmo, preso a crenças e relatos de experiências traumáticas e mal sucedidas, que o faziam agarrar-se a imagens negativas e viver em uma espécie de prisão domiciliar, criada psicologicamente. Diante deste quadro, o melhor que um leigo tem a fazer é tentar ajudar a pessoa a soltar os freios para sentir a vida fluir naturalmente, pois não existe nenhum espaço para alterar sua autopercepção e introduzir algumas afirmações positivas.
Talvez essa situação descreva que estamos limitados as nossas crenças, ou seja, se acreditarmos que tudo o que somos ou conseguimos é tudo o que podíamos esperar desta vida, então, estaremos impondo nossos próprios limites. Isto poderia ser confortável se tudo o que quiséssemos estivesse dentro deste limite. Ocorre que geralmente queremos permanecer na zona de conforto, delimitada pelas nossas crenças e imagens limitadoras construídas desde muito cedo, no entanto, se desejarmos viver outras emoções, sentir outras sensações, satisfazer outros desejos, experimentar e explorar novas fronteiras, estaremos nos condenando a infelicidade. Uma saída seria abrir a porta mental para que pudessem entrar e se desenvolver poderosas e estimulantes imagens para ter, fazer e ser o que se quer da vida.
As mudanças que queremos, somente serão possíveis se mudarmos o padrão de pensamento, nada de ficar repetindo as mesmas experiências, crenças e palavras negativas. Os pensamentos criam imagens que governam nosso comportamento, portanto pensamentos limitadores são armadilhas que nos empurram para prisões, nos tornam repetitivos e com o passar do tempo, depressivos e frustrados. Portanto, para mudar é preciso trocar de pensamento, de comportamento, criando imagens positivas e saudáveis de nós mesmos. Não é possível mudar e passarmos para um estágio de felicidade superior mantendo os mesmos pensamentos. Sem quebrar o padrão que nos levou a essa fase indesejada não é possível chegar ao desejado, isto é tão evidente quanto querer chegar a Europa utilizando o mesmo coletivo que nos leva ao trabalho.
Os pesquisadores há muito tempo já nos disseram, que o cérebro não vê qualquer diferença entre visualizar uma tarefa e de fato executá-la, portanto, antes de executar seu plano para uma vida mais próspera e feliz, imagine-a detalhadamente inúmeras vezes, assim seu cérebro estará treinando e formatando um padrão de pensamento que o levará à vitória, assim como um atleta que treina para ganhar uma competição. Pense nisso.

Veja também: Homenagens às mães

criado por Jair Antonio Pauletto    8:33 — Arquivado em: Crônicas

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