Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

30.6.08

Amar demais

Amar demais


Na semana passada, escrevi um texto sobre o ciúme, que me rendeu alguns e-mails de leitores, comentando sobre o assunto. Entre os quais, um deles dizia ter-se encorajado para falar com sua namorada sobre alguns argumentos que apresentei. Para dizer claramente a amada que dedicava todo o seu amor a ela. Declaração muito simples para o seu entender e suficiente para que aquele ciúme todo, que tanto os fazia sofrer, não teria razão alguma para existir.

Falou que inúmeras vezes já lhe havia “demonstrado” seu amor e tudo o que podia e sabia sobre o amor era dedicado a este relacionamento. Percebeu então, que não estava sendo feliz no seu intento, pois antes mesmo de citar alguns fatos que pudessem lembrá-la das claras demonstrações de amor que cotidianamente lhe oferecia, ela o interrompia, dizendo ser desnecessário buscar argumentos no passado, que o amor simplesmente se sente e listava seus motivos para justificar-se. Ela se socorria dos incompreensíveis motivos de sempre e, percebendo a inutilidade da discussão só lhe restava calar-se.

No meio da conhecida explanação, viu-se surpreendido quando ela falou que o amava demais, que o amava além do possível, que jamais encontraria alguém que o amasse como ela o amava, e assim prosseguia tentando dimensionar a grandeza do seu amor. Não demonstrava a menor dúvida que essa era a razão suficiente para lhe dar o direito de exagerar no seu ciúme e fazer o que julgasse necessário, sem medir conseqüências, como se a manutenção da respiração e de toda a vida no planeta dependesse disso.

Foi um longo e-mail de um leitor, que apesar de amar a namorada, via seu relacionamento se apagando aos poucos. Prestei-lhe minha solidariedade e sugeri que procurasse ajuda profissional, uma vez que estas questões são de difícil solução, mesmo com a ajuda de especialistas. Todavia, o que realmente me fez abordar esse assunto, foi um dos parágrafos finais que dizia: “Tudo o que eu quero é que ela me ame menos, pois eu ficaria extremamente feliz ser amado normalmente, como qualquer outro casal. Estou sendo sufocado por este amor…”.

Devido às características de identidade de gênero, alguns comportamentos são mais notáveis em homens e outros em mulheres. As mulheres, devido à valorização social de uma identidade feminina "romântica", são mais afetadas pelos sentimentos, especialmente ao amor e a paixão. Enquanto elas associam-se mais a situações de amor, os homens são mais identificados com a razão. O que, neste caso, poderia ser a justificava pelo “amor” exagerado que ela lhe dedica, mas pessoalmente não acredito que amor em exagero seja prejudicial. Acredito que o verdadeiro amor nunca é prejudicial, jamais sufoca, ele é a única força capaz equilibrar a vida das pessoas e, é justamente no equilíbrio que podemos alcançar a felicidade.

Em muitos casos, existe um enorme e real sofrimento atribuído ao amor exagerado, mas na verdade o que existe nestes relacionamentos é uma enorme mistura de sentimentos, nos quais, o amor sequer está presente, o que talvez exista em abundância são sentimentos, digamos, pouco nobres. É comum atribuir ao amor a intensidade da relação, no entanto é muito freqüente tratar-se apenas de algum tipo de transtorno emocional. Nos casos amorosos é freqüente a compulsão, por ter ou estar com a outra pessoa, sendo confundida com amor. Essa compulsão pode advir de vários fatores, porém quando enraizada é de difícil percepção e compreensão, pois é confundida com a personalidade individual.

Um comportamento típico destas pessoas compulsivas é ser incapaz de deixar de fazer algo qualquer em relação à determinada pessoa, mesmo sabendo que sua ação é destrutiva para si, que pode prejudicá-la e colocar em risco o relacionamento. Outra atitude característica destas pessoas é a dificuldade de se concentrar em outras áreas da sua vida, por causa de pensamentos ou sentimentos relacionados à outra pessoa e conseqüentemente não conseguem organizar as próprias atividades diárias. Áreas de sua vida como família, estudos, trabalho, religião, saúde, esportes, enfim, outras atividades importantes acabam ficando em segundo plano, desprezadas e sem chances de execução no cotidiano.

Será que ele vai demorar? Ele pode gostar de mulheres mais bonitas? Ele não gosta mais de mim? Por que prefere tudo e todos a ficar comigo? Embora esses questionamentos sejam mais freqüentes entre as mulheres, os homens também os têm. A estas questões somam-se sentimentos de ciúmes, dor, medo, aflição e frustração que fazem com que essas pessoas desenvolvam comportamentos e atitudes incompreensíveis à pessoa amada, que podem chegar até a agressividade, pois feridas até a alma no seu amor, agridem o objeto deste amor.

Muitas pessoas que acreditam amar e juram amar demais; o namorado, filho, esposa ou seja lá quem for, geralmente apresentam uma dependência emocional que pode trazer repercussões danosas, tanto o quanto qualquer dependência química.

Dessa forma, encerro este texto com a convicção de que o autoconhecimento é fundamental para que não nos aprisionemos nas próprias armadilhas mentais, e possamos descobrir e sentir cada emoção na sua pureza, como ela realmente é e, através dela, caminharmos para a felicidade. Pense nisso.

criado por Jair Antonio Pauletto    22:32 — Arquivado em: Crônicas

17.6.08

Crises

Crises
Momentos difíceis são comuns na vida de qualquer ser humano, sendo que a freqüência pode variar e a habilidade de enfrentá-los, certamente é algo que podemos sempre aperfeiçoar. Alguns têm esta capacidade tão desenvolvida, que até mesmo nos momentos mais difíceis e prolongados, conseguem anulá-los com aparente facilidade.Queria ter essa facilidade super desenvolvida, não apenas para me poupar nos momentos difíceis, mas para poder auxiliar àquelas pessoas queridas que, diante dessas adversidades tem dificuldades em superá-las. Não sou um exemplo de “bom samaritano” ou um sujeito tomado pelo orgulho, mas após tentar várias alternativas, sinto-me totalmente frustrado em observar o sofrimento e não mais vislumbrar maneiras para ajudar.

Imagino o quanto me sentiria feliz se possuísse essa capacidade, mas ficaria igualmente satisfeito em poder ensiná-las a essas pessoas, embora saiba que a caminhada é individual e os obstáculos fazem parte do crescimento, além do mais, não sou capacitado tecnicamente para isso, como é um profissional que cuida destes aspectos psicológicos, por exemplo.

Faço esse desabafo, pois venho acompanhando a luta de uma pessoa querida contras esses momentos de dificuldade. Diz ela que está em crise, referindo-se ao longo tempo em que essa batalha vem acontecendo. Ocorre que as crises são o momento certo para criar as condições para a vida que se quer viver, possa surgir. A crise sempre é uma oportunidade, seja qual aspecto for, é sempre uma ocasião propícia para mudar o que se esta vivendo.

A palavra crise é oriunda do latim. É equivalente a palavra vento. O vento por sua vez, pode ser meteorologicamente definido como uma corrente de ar resultante de diferenças de pressão atmosférica, proveniente na maioria dos casos de variações de temperatura.Ou seja, é exatamente o que acontece conosco quando estamos em crise. Mas sabemos que o vento passa, mesmo quando as rajadas vêm acompanhadas de chuvas e trovoadas, o sol e a brisa suave sempre retornam.

Após uma crise, sempre se passa para um novo estágio, não existe a possibilidade de retorno aos antigos estágios. Uma vez ultrapassada, nos elevamos e não há necessidade de repetir o aprendizado, é como estar na escola e passar de uma série para outra. Uma vez assimilado o conteúdo, ele será útil e necessário para todas as outras séries seguintes, do contrário, não passaremos de ano e o mesmo conteúdo será apresentado novamente no ano seguinte, e assim, isto se repetirá até o momento que aprendermos o suficiente para ingressarmos num estágio superior. É assim que vejo as crises pessoais, um aprendizado que uma vez superado nos capacita a ingressarmos níveis superiores, de bem estar e felicidade.

Quando estamos em crise, temos dificuldades para admitir erros, em aceitar novos pontos de vista, enfim, nos tornamos céticos. Assim mesmo, é preciso acreditar que podemos a qualquer momento decidir o próprio destino. Isso pode até parecer uma responsabilidade assustadora, mas se errarmos, sempre teremos o momento seguinte para novamente decidir o que se quer. Mesmo tendo dificuldade em acreditar, precisamos ter a humildade de permitir que alguém externo a crise possa nos orientar e até nos conduzir passo a passo, rumo a um futuro melhor.

Podemos estar vivendo a pior crise, mas não podemos esquecer que somos um ecossistema, isto é, temos muitos fatores ligados e necessários ao nosso bem estar. Estes podem parecer desnecessários ou, muitas vezes, até frágeis, mas não podemos sobrevier sem eles. Seria como se eliminássemos a água do ambiente, certamente colocaríamos muitas vidas em risco, desequilibrando-o e, conseqüentemente, obrigando seus habitantes a procurarem um novo habitat. Portanto, não podemos esquecer que não fomos criados para vivermos isolados, não somos tão auto-suficientes e capazes, quanto às vezes pensamos ser, embora subtilizemos muitas de nossas capacidades.

Devemos aceitar a crise, mas sem nos entregarmos, sem deixar que ela nos paralise, embora seja uma ótima oportunidade de mudar a situação que nos encontramos e dar novos passos, rumo a uma vida melhor Deve ser tratada apenas como um aprendizado a ser assimilado, uma oportunidade de crescimento e autodescoberta. Espero que, quando estiveres diante de um momento difícil ou uma crise em sua vida, você possa ter a lucidez de enfrentá-lo com coragem e a certeza de que poderá vencê-lo, sair mais forte e preparado para viver dias mais felizes. Pense nisso.

criado por Jair Antonio Pauletto    21:24 — Arquivado em: Crônicas

16.6.08

Ciúme, um inimigo interno.

Ciúme, um inimigo interno.

Num final de semana desses, em que o clima muda totalmente de um dia para o outro, contrariando as previsões metereologicas e frustrando toda a programação de lazer ao ar livre, me atirei nos livros. Não há nada mais prazeroso que um bom livro para nos fazer viajar, sonhar, vislumbrar novas possibilidades… Mas infelizmente nestes dias, até mesmo um bom livro não me satisfez. Passei então a folhear algumas revistas, dentre as quais, algumas já bem antigas. Lá pelas tantas, apareceu um belo artigo sobre maus sentimentos, que, gostaria inclusive, recomendar. Literalmente meu pensamento mergulhou na grandeza, na profundidade e na forma que o assunto foi exposto. Mas, infelizmente acabei extraviando o texto naquela montoeira de revistas.Quem sabe um dia desses reaparece, para então poder indicá-lo com mais precisão.

Mas, como o assunto me deixou bastante impressionado, ampliando significativamente minha visão sobre alguns sentimentos, não poderia ser ciumento e deixar de dividir esse aprendizado. Embora este espaço seja insuficiente e o assunto inesgotável, acredito que ao menos possa falar um pouco do ciúme. Este sentimento que se alia facilmente a outros sentimentos destrutivos e costuma complicar muitos relacionamentos. Não falo somente de relacionamentos amorosos, nos quais, geralmente é mais visível e freqüentemente citado nas rodas de amigos.

“O ciúme faz parte de uma visão possessiva do ambiente, do outro, de si”.Esta é uma passagem do texto que mostra o quanto esse assunto é amplo. Em outra, diz ser neurose, uma doença, afirma tratar-se de um sentimento destrutivo, que não faz a pessoa crescer e só faz sofrer quem o possui e quem o suporta. As descrições maléficas do ciúme feitas pelo renomado psiquiatra, que assinava o artigo, eram tantas e suas manifestações eram tão abomináveis que colocava em ameaça toda a sociedade e sua pujança tecnológica.

O ciúme em doses moderadas e eventuais pode ser estimulante e benéfico aos relacionamentos.Nos amorosos, o poeta costuma dizer que “o ciúme é o tempero no amor”. Entretanto, é de forma exagerada que ele costuma se manifestar e poucas pessoas aceitam que é um problema pessoal e subjetivo. Essas pessoas não acreditam que, em exagero ele pode destruir qualquer relacionamento, incluindo um forte e verdadeiro amor, pois não percebem a realidade que estão vivendo. O ciúme exagerado faz fantasiar, imaginar e criar histórias, fazendo com que a pessoa tire conclusões absurdas e assim mesmo se achar convencida e certíssima, devido a pensamentos e imagens equivocadas que a levaram a um circulo vicioso e de pensamentos distorcidos.

Este sentimento às vezes se confunde com a inveja, pois ambos se misturam com freqüência. Mas a inveja é mais difícil de ser admitida por subentender o sentido de inferioridade. Se, por exemplo, o nosso companheiro saiu com outra pessoa, estamos sendo invejosos ou ciumentos? A resposta esta no tipo de sofrimento que estivermos sentindo, se for pela falta que o companheiro nos faz, então estamos sentindo a dor do ciúme, estamos sendo ciumentos. Por outro lado, se sofrermos porque acreditamos que o companheiro preferiu a companhia de uma outra pessoa e não a nossa, então é pura inveja.

Todavia, uma forma de alguém se livrar do ciúme, da inveja e outros males é alimentar a própria espiritualidade, porque vai entender que pertencem a parte mortal do seu eu, e, portanto, tem o dever de se rebelar, de combater de dentro de si esta parte obscura, embora seja uma luta difícil e a libertação plena talvez não seja alcançada.

As emoções sempre dominam o homem, independente do autodomínio que possa ter ele não é totalmente imune. Entre tantos sentimentos como o ciúme, a inveja e a avareza que subjugam com maior facilidade e freqüência às pessoas afetadas. Muitos ciumentos não gostariam de ser assim, mas não podem, não conseguem controlar a situação, são pessoas que precisam lutar, buscar um conhecimento psicológico e espiritual, para tornarem-se livres, donas dos próprios sentimentos, afetos e emoções. O ciúme é uma tentativa de preencher, saciar estas buscas. É uma grande e insaciável necessidade que nasce da falta de uma presença interior. Uma necessidade nunca é uma escolha, não é racional, não faz amadurecer a personalidade e não liberta, só faz sofrer.

Estou convencido que o ciúme, bem como a inveja e outros sentimentos deste tipo, são componentes da personalidade de cada um, e como tais, devem ser combatidos e vencidos. É uma luta pessoal que deve ser travada em algum momento, cujo inimigo se esconde dentro de nós e necessita eterna vigilância, pois seu poder destruidor é devastador para a felicidade. Pense nisso.

criado por Jair Antonio Pauletto    22:11 — Arquivado em: Crônicas

4.6.08

Simples observações

Simples observações.

Esta conversa teria tudo para ser sobre o nada, pois após um longo feriado junto à família bem lá no interior, onde o galo é o despertador e os meus neurônios resistem em iniciar qualquer trabalho. Porém, falar sobre o nada é algo muito mais complexo que qualquer outro assunto, imagine só se eu fosse começar com aquela conhecida frase: “No principio só havia o nada”. Talvez pudesse citar o filósofo Lichtenberg e discorrer sobre sua famosa citação: “O nada é uma faca sem cabo, da qual se retira a lamina” e completar que nada é uma palavra de quatro letras sem consoantes na qual se retira o a, como já referi em um certo texto, mas seria assunto demais.

Diante disso, poderia então, falar de alguns tipos de personalidades que, sempre encontramos nos feriados, falo daquelas pessoas que desconhecem a palavra humildade. Na verdade, desconhecem a si mesmas, mas querem, sobretudo, nos dar uma lição, achar um jeito de parecerem superiores. Sempre tem muito que se aprender, ou melhor, que não se aprender com esse tipo de gente, mas, ao invés de falar dessa “gente”, resolvi ser radical e falar das aves, ou melhor, algumas coisas que aprendi com as galinhas, isto é, as muitas semelhanças que observei do comportamento das galinhas com as atitudes humanas. Tudo isso é fruto deste feriado que me deixou assim, “preguiçoso”. Pode até parecer pura enrolação, muito mais que preguiça, mas não é não. Garanto que, mesmo assim, o texto vai te levar a algumas boas reflexões.

Veja só, estava eu na serra, dirigindo tranqüilamente pela sinuosa estradinha de chão batido, entre as encostas cobertas de parreirais e pastagens de inverno, quando de repente fui surpreendido por algumas galinhas, que me obrigaram a acionar vigorosamente os freios e diminuir cada vez mais a velocidade. Quase parando, de modo que as galinhas pudessem atravessar a estrada, pois parecia ser este o objetivo que se propunham. Mas elas optaram em permanecer cacarejando a beira da estrada. Diante disso, acelerei lentamente, quando subitamente elas optaram em novamente tentar atravessar, obrigando-me a frear bruscamente.

Quando voltei à velocidade, elas já estavam quase que na outra margem da estrada, mas, surpreendentemente retornaram. Neste instante, pisei no pedal do freio com força e ouvi um barulho sob o assoalho do carro, que me dizia que o pior tinha acontecido. Esperando pelo pior, olhei pelo espelho, mas felizmente só vi uma nuvem de poeira e algumas penas, além dos galináceos correndo desesperadamente encosta acima. Logo pensei, que atitude burra, mas reconsiderei, uma vez que possuem um cérebro minúsculo e provavelmente ainda o subtilizam como nós humanos. Assim, foi fácil compreender que são desprovidas de uma vasta inteligência, mas essa atitude era um atentado a própria vida, era uma ação que contrariava os instintos de sobrevivência que até mesmo os menores animais possuem.

Se analisarmos, esta atitude é muito comum quando estamos com medo ou diante do perigo. Parece lógico, se não ridículo, que somos infinitamente superiores às galinhas, mas quantas vezes, o instinto tenta nos preservar e nós, com a nossa suprema inteligência acabamos vítimas do medo e morremos atropelados pela indecisão.

Essa mesma inteligência nos faz agir novamente como estas aves, quantas vezes agimos como esses frangos, criados em confinamento, que têm suas necessidades vitais atendidas; comida e água e exclamam em coro diante de uma possível ameaça, como a presença de um animal maior ou um ruído estranho, mas logo se acostumam e voltam ao prato de comida, mal sabem do interesse do granjeiro e do destino que em breve os espera. Quantos granjeiros e frangos não existem no Brasil?

Já que o assunto desta semana é um tanto exótico, não posso deixar de falar daquele galo que resolve cantar, seja lá qual for a sua razão, e todos os outros galos que o ouvem imediatamente começam a cantar também. Será que a resposta é uma bela demonstração de gentileza, coisa que anda em falta entre os humanos, ou mais uma disputa de vaidades?

É impressionante como esta questão acabou rendendo tanto assunto, que vou ter que simplificar, mas para não pensarem que vejo as coisas apenas por um ângulo, quero registrar, mesmo que um só, um grande exemplo das galinhas, é o caso da extrema dedicação e persistência em chocar por várias semanas os ovos e depois cuidar dos pintinhos com tanto zelo, sem falar no desespero com que tentam proteger e esconder os filhotes diante de uma ameaça.

Obviamente que somos dotados de inteligência e outras capacidades infinitamente superiores a destas pobres aves, contudo, às vezes, temos comportamentos parecidos. Esta é uma pequena mostra do quanto somos pretensiosos em nos acharmos superiores, desrespeitando outras formas de vida e até mesmo o nosso semelhante, seja por posição social, raça, sexo, ou qualquer outra forma de descriminação. Não podemos esquecer que somos todos mortais, os que hoje se consideram superiores, para evoluir obrigatoriamente, terão pela frente uma só opção, seguir o caminho da dor ou do amor. O caminho da dor parece ser a opção preferida dos arrogantes e preconceituosos, enquanto o caminho do amor, o mais fácil e feliz, acaba sendo a opção dos de coração humilde. Sempre é tempo para escolher, sem medo, pois neste caso para ser atropelado basta não fazer nada. Boa semana.

criado por Jair Antonio Pauletto    22:00 — Arquivado em: Crônicas

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