Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

24.11.08

Todo problema tem solução

Todo problema tem solução

Viver dizendo que não agüenta mais, que o sofrimento está demais e que dessa forma não se pode viver é “pecado”. Viver assim é não acreditar em Deus ou no mínimo duvidar da sua misericórdia. É claro que para quem esta sofrendo, a dor parece insuportável e sem fim, sendo que a solução pode estar em si mesmo.Tente avaliar sua conduta, seja mais humilde, tolerante e compreensivo consigo mesmo e com os outros. Procure encontrar forças no seu interior.É nessas horas que a fé pode surgir como a única saída, mas sem paciência e resignação, a dor pode tornar-se insuportável, duvidando inclusive da fé. È bem verdade, que a fé muitas vezes é a única e verdadeira tábua de salvação até porque, sem fé não vale a pena viver.

Meu pai me ensinou que não devemos desanimar quando estamos com problemas, basta acreditar que podemos e que logo ali adiante serão solucionados, quase que automaticamente. Parece incrível, mas é assim mesmo que acontece, basta usar a inteligência para entender que a cada dia estamos mais próximos da solução. Dessa forma, não há razão para desistir e desanimar ou então, teria sido melhor se tivéssemos desistido lá no inicio e não quando estamos próximos da solução. É claro que persistir no erro por teimosia ou orgulho é infrutífero, mas dentro de elevados preceitos morais, acreditar é o caminho mais curto para solucionar os próprios problemas.

Outra coisa que podemos praticar diante das dificuldades da vida é a nossa flexibilidade, isto é nossa capacidade de escolher novos caminhos, novas alternativas, de conduzir a própria vida aceitando determinados aprendizados. Muitas situações de sofrimento são resolvidas apenas com a própria aceitação.Rebelar-se contra acontecimentos passados, por exemplo, traz muito sofrimento, além de ser totalmente inútil. Tomar as rédias do próprio destino é algo assustador para muitas pessoas, então, elas preferem continuar sofrendo diante dos acontecimentos que conduzir a própria vida para tomar sol.

Qualquer mudança causa temores no ser humano, pois significa trocar o conhecido pelo desconhecido. O conforto do conhecido, embora sofredor, sempre parece mais seguro que enfrentar algo novo, porém, perde-se a oportunidade de crescer, de solucionar os problemas, de ser uma pessoa mais forte e evoluída. Ninguém gosta de enfrentar dificuldades, mas quando elas aparecem sempre são as piores, mais dolorosas e terríveis possíveis para quem as sofre, sejam elas do tamanho que forem, a própria dor sempre é a mais dolorosa.

Há algum tempo estava na sala de espera de uma CTI de um grande hospital, um local cheio de angústias e sofrimento. Mas sem duvida, um local que me trouxe um grande aprendizado, que dividirei com vocês, um dia desses. Mas, por agora, quero apenas relatar que havia casos gravíssimos e outros que apenas necessitavam de cuidados. Supondo que todos nutrissem bons sentimentos para com seus entes queridos ali internados, seria natural que alguns se sentissem mais confortados e outros mais abatidos, conforme a gravidade de cada caso.

Mas na realidade, não era essa lógica que imperava. Alguns pareciam sofrer exageradamente, ou seja, de forma desproporcional diante de quadros de gravidade inversamente proporcionais. Sei que são muitas as variáveis envolvidas, mas dentro da simplificação que estou fazendo, o que podia ser facilmente observado, era um exagero nas diferentes formas de reagir diante da dor e sofrimento. Na realidade, cada um deixava transparecer que verdadeiramente estava sentindo uma dor profunda, mas o que me intrigava eram as diferentes formas que esta dor era manifestada. Quem estava sofrendo mais naquele momento?

Obviamente que os problemas não seguem a lógica, contudo, a usamos quando queremos argumentar, arranjar razões para justificar as nossas tristezas. Sempre temos argumentos para justificar nossas desgraças, mas não os encontramos para viabilizar uma saída para os problemas. Isto ocorre porque preferimos trabalhar na busca de explicações, invés de soluções para o insucesso. É uma questão de manter o foco no lugar certo para encontrar a solução.

A solução sempre está ao nosso alcance, basta ter fé e perseverança, não se deixar abater diante de pequenos contratempos. É preciso ter esperança e acreditar sermos merecedores de um amanhã melhor. Temos que buscar força e coragem dentro de nós, para que nos momentos que cairmos podermos levantar e andar, sabendo que novas quedas poderão vir, mas que sempre podemos dar um passo a mais. Ninguém anda em linha reta o tempo todo, existem dias que caímos, nos arrastamos e outros que queremos voar, mas se tivermos consciência de que podemos levantar quando estamos caídos e de “pousar na realidade” quando estamos voando, nos tornaremos pessoas equilibradas e capazes de enfrentar qualquer problema. Pense nisso.

criado por Jair Antonio Pauletto    21:00 — Arquivado em: Crônicas

18.11.08

Nas estações

Nas estações

Inverno,

Chuva gelada,

Amada irritada…

Distância.

Verão,

Sol escaldante,

Versos soltos…

Afastamento.

Primavera,

Clima ameno,

Coração correspondido…

Felicidade.

Outono,

Clima amarelo,

Amor enferrujado…

Solidão.

Hoje,

Você entre os dentes,

Coração ardente,

Clima quente…

Felicidade.

criado por Jair Antonio Pauletto    19:20 — Arquivado em: Miscelâneas

17.11.08

Domínio de si mesmo

Domínio de si mesmo

Estive visitando alguns ex-colegas de trabalho e me surpreendi ao perceber que todos me dirigiam uma única pergunta em comum, embora elaborada de forma diferente. Todos queriam saber se ainda escrevia a respeito de problemas que afetam o comportamento das pessoas. Obviamente que ninguém ficou surpreso quando afirmei que continuava escrevendo sobre o tema. A maioria dos meus textos são frutos da busca por autoconhecimento e das tentativas de aplicar os assuntos abordados ao meu crescimento pessoal. Continuo a escrevê-los, embora pareça trivial dizer isso, porque apesar de sermos únicos, o ritmo frenético de vida que levamos traz problemas comuns e as experiências individuais podem nos ajudar e, sobretudo, orientar outras pessoas que também necessitam. Para quem me acompanha semanalmente não há novidade nisso, muito menos, quando falo em autocontrole.

Sei muito bem, ao menos em teoria, que não existe uma fórmula para uma vida mais feliz, mas também tenho certeza que sem uma autodisciplina séria, não chegaremos lá. É claro que temos a liberdade de fazer as próprias escolhas, mas livre mesmo é quem conscientemente assume o dever de escolher para si mesmo a qualidade de vida que quer viver e o uso que quer dar a essa vida. É o autocontrole que dá a cada um de nós essa possibilidade de escolha, no entanto, não é verdadeiramente livre quem se sente isento de qualquer norma ou distante de qualquer disciplina. Basta ter a mínima orientação cristã para saber que a consciência aponta para uma liberdade limitada, alicerçada no autoconhecimento ético e nos valores perenes que vale a pena serem vividos.

As pessoas hoje se sentem limitadas por condicionamentos ocultos e não-ocultos, entre os quais, os primeiros são até mais numerosos que os segundos, que já não são poucos. São limitações que devem ser administradas cuidadosamente para que não afetem nossa espontaneidade e ânimo. São condições impostas para facilitar a vida em sociedade e que exigem um controle preciso para mantermos nossa “saúde mental” equilibrada. Digo isso, para que o autocontrole não seja visto como um atentado à liberdade ou alguma coisa que impeça a espontaneidade e a alegria. O que se sabe, é que as pessoas que tem se dedicado ao estudo do autocontrole e o praticam, sentem-se cada vez mais livres, autoconfiantes e independentes.

O autocontrole é uma técnica que amplia a liberdade individual, a qual pode ser compreendida nas palavras do filósofo dinamarquês Kierkegaard ao dizer: “a verdadeira liberdade existencial não é a liberdade de escolher isto ou aquilo, porém, a de escolher a si mesmo, a qualidade de vida que se quer viver e o uso que se quer fazer da vida”.

Limitações “impostas” pelo autocontrole, mesmo que inicialmente pareçam restritivas são libertadoras e isso se evidencia somente depois de algum tempo, quando a pessoa se abrir a uma integração mais harmoniosa. O que começa como uma “limitação” termina com a liberdade, em outras palavras, podemos afirmar que o autocontrole é libertador.

O autocontrole, como tudo o que diz respeito ao universo interior é conhecido mais pelos reflexos, sobre o comportamento do que a partir de seus efeitos íntimos. Não podemos ignorar que, para chegar à difícil meta do domínio de si mesmo é necessário um árduo trabalho que requer muita paciência. É impossível alcançá-lo da noite para o dia, pois são muitas etapas a serem percorridas. É preciso avançar em pequenos passos, começar pelos setores mais fáceis, como o de respeitar o pensamento dos outros ou acordar em um determinado horário. Quem não consegue acostumar-se a levantar na hora pré-estabelecida, dificilmente conseguirá organizar bem todo o seu dia. Somente o hábito e o exercício diário, podem nos levar a alcançar o controle interno. É através do domínio de nós mesmos que conseguiremos domar os impulsos ou expulsar os “diabos” internos que nos atormentam.

No entanto, um autocontrole que não seja equilibrado, isto é, que não tenha sido avaliado criteriosamente todas as dificuldades para obtê-lo, pode levar-nos a um sentimento de frustração que impede qualquer progresso. Precisamos aprender a nos adaptar rapidamente as circunstâncias, pois, muitas vezes, opor-se a determinadas circunstâncias é somente um sinal de estupidez, arrogância e falta de realismo. O autocontrole é libertador sempre que for lúcido e flexível, caso contrário, abre o caminho à neurose, trazendo enormes prejuízos.

As difíceis renúncias que o autocontrole exige, devem ser claramente motivadas e justificadas. A flexibilidade se faz necessária quando é preciso ajudar a quem se encontra em necessidade e em sofrimento, ou qualquer propósito de melhoria íntima. Se, somente se dá àquilo que se têm é certo nada melhor que aprender por meio do autocontrole a ser dono de si mesmo. Não sei quanto tempo isso leva, mas tenho certeza que cada dia nos proporciona as condições necessárias para este aprendizado. Temo não conseguir aproveitá-las plenamente, mas acredito que a distância é cada vez menor. Que a caminhada nos seja leve. Boa semana.

criado por Jair Antonio Pauletto    20:46 — Arquivado em: Crônicas

16.11.08

Influenza

Influenza

Sábado de manhã, com cheiro de maçã,

Chuva gelada, desde a madrugada.

Embaixo do cobertor, todo o seu calor…

Final de semana, com festa na cama,

Amor renovado, desejos saciados.

Festa encerrada, energia esgotada,

Corpos suados adormecem.

Acordam gelados,

Mais dois gripados.

criado por Jair Antonio Pauletto    21:09 — Arquivado em: Miscelâneas

Poder

Poder

Alcançar uma meta profissional, assumir determinado cargo ou função sempre traz reconhecimento profissional e eleva a auto-estima. Porém, o maior benefício não esta na valorização profissional ou ganho financeiro, mas sim, no aprendizado pessoal e crescimento interior.Digo isso com convicção, por ter passado por situações parecidas quando ainda muito jovem, e que me trouxeram grandes aprendizados.

Alguns anos depois, a importância atribuída a uma conquista profissional é totalmente diferente. A felicidade pelas novas conquistas ainda é a mesma, o que mudou foram às expectativas que agora levam em conta aspectos que antes eram desconhecidos. Um comportamento provocado pela maturidade e aprendizado, marcado pelas cicatrizes e tropeços de algumas experiências frustradas colhidas no decorrer do caminho.

Todas as conquistas, inclusive aquelas que considerei fracassadas, depois se mostraram grandes e fundamentais experiências, que me levaram a um imensurável aprendizado pessoal, além de novos postos profissionais. Todos estas experiências foram extremamente importantes para o meu desenvolvimento e contribuíram decisivamente para que eu me tornasse um ser humano melhor. No entanto, o que mais me marcou foi a questão do poder que um cargo ou função traz, ou seja, aquele “poder” inerente à atividade, posição hierárquica ou social.

Lembro que em determinado momento fui atacado por este mal e tive que fazer um gigantesco esforço para sufocá-lo. O período mais vulnerável para este verme se instalar é quando a vaidade e o orgulho estão presentes em excesso, assim como a frustração ou qualquer imprevisto que aparece, cujas causas requerem esforço para superá-las, e ao invés de tentarmos solucioná-las optamos em utilizar este “poder” como solução. Uma das maiores cicatrizes que carrego até hoje e, da qual me orgulho, decorre deste ataque, pois aprendi o valor da humildade.

Tudo isso me veio à mente por ter presenciado um renomado profissional assumir um cargo importante e, recentemente venho acompanhando de perto suas atitudes ou, se preferirem “atividades” profissionais. Logo nos primeiros dias, percebi que estava diante do supremo poder personificado. Essa foi a única expressão que me ocorreu, tamanho eram os absurdos de autoritarismo e vaidade que presenciava. E, por fim, ainda parecia ter prazer ao falar alto e em bom tom, que “poder era para ser exercido”. Não posso discordar dessa afirmação, até por ela ser verdadeira, mas sim, da maneira que ele exercia “seu poder”, algo inaceitável, nos tempos atuais. Lembrando é claro, aos desavisados, que liderança é outra coisa, assim como o “querer é poder”.

Existem inúmeras formas de poder, os mais falados são o poder político, militar, religioso, financeiro e o sempre lembrado poder das elites, entre tantas outras formas e expressões de poder. Entretanto, existem três formas clássicas de poder de uma pessoa sobre a outra, que são: o poder coercitivo, o poder normativo e o poder utilitário;

Particularmente o coercitivo foi o primeiro que aprendi, através do meu primo, um pouco mais velho e muito mais forte que eu. Lembro que ele adorava dizer: “Faça isso ou tu apanha”. Este é o poder da agressão, infelizmente muito utilizado neste mundo dito, civilizado.

Já o poder utilitário, meus pais se encarregaram de ensinar, aliás, começaram antes mesmo do meu primo me ensinar o Coercitivo, mas só fui entendê-lo um pouco mais tarde. Eles me induziam com “boas intenções”, para me incentivar é claro, a seguinte frase: Faça isso que eu te dou isto. Esse é o poder do dinheiro.

E o terceiro, esse foi o mais difícil de perceber. Este é mais sutil, tanto que a minha ficha demorou em cair e, quando caiu, me senti enganado. Porém, superei esta frustração ao perceber que esse poder é tão sutil, que em certas situações até traz benefícios sociais. Um exemplo é quando somos convencidos a fazer um determinado trabalho voluntário, totalmente a contra gosto. Este poder pode ser resumido na frase: Faça isso que te sentirás bem e ainda serás reconhecido. Aliás, este poder me fez lembrar o esforço para alguém conquistar um cartaz na parede com sua foto, como destaque do mês. Agora imagine a diferença de esforço e beneficio, para os dois lados.

Não se trata de negar o valor do trabalho voluntário, do dever cumprido, de alcançar determinada meta, ou da satisfação em proporcionar bem estar ao próximo, e sim, de utilizar-se desse sutil expediente para alcançar um benefício pessoal, profissional, ou financeiro de forma enganosa. Contudo, o poder pode ser exercido de muitas formas e inúmeras finalidades, mas se não observar princípios morais, de respeito, dignidade e igualdade entre os homens não terá nenhum valor. Como é triste ver que alguém alcança determinada posição profissional ou social e se deixa dominar pelo poder, deixa a vaidade pessoal alimentar o desejo de poder e, sobretudo, ainda o exerce indevidamente, considerando-se superior.

Assim, este renomado profissional que aparentava possuir o conhecimento e as virtudes necessárias ao cargo, em pouco tempo deixou-se dominar pelo mal do poder. Este é um caso onde se aplica o velho ditado “o poder sobe a cabeça” e quando se instala sob o crânio, a única forma de removê-lo é expandir a consciência, caso contrário, nos resta apenas remover a pessoa do “cargo de poder”, já que o poder é intrínseco ao cargo.

Espero que este relato sirva para lembrar a importância da humildade como virtude para o progresso interior e para que os ambiciosos e detentores do “poder” reflitam, alertando-os para a necessidade da constante vigilância na prevenção contra este verme. Um verme que costuma atacar muitos agentes públicos. Pense nisso

criado por Jair Antonio Pauletto    21:05 — Arquivado em: Crônicas

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