Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

26.3.09

Em Perfeita Sintonia.

Em Perfeita Sintonia.
De repente, sem qualquer explicação, sentimos que a vida pulsa internamente querendo sair por todos os poros; transporta todos os limites do corpo físico, como se estivesse se libertando de uma prisão. Então, a desacreditada felicidade surge com força trazendo toda a certeza de que finalmente veio para ficar. As atividades que tornam a rotina árdua ganham um novo colorido e a música começa a brotar por todos os lados. A realidade se transforma e renasce a esperança em tudo o que já estava desacreditado. Os temidos e intransponíveis obstáculos são vistos claramente como oportunidades de crescimento e como num toque de mágica são superados. A consciência se expande nos posicionando como seres humanos em desenvolvimento, num mundo onde cada uma de nossas atitudes tem ação direta no seu desenvolvimento e preservação.
Sem que se perceba, versos de uma das músicas do momento, ou de uma velha canção saltam da garganta em doces melodias. O amor preenche os eternos buracos negros do vazio existencial, afastando qualquer ameaça de desânimo. As pessoas, com as quais convivemos e até mesmo os mais distantes desconhecidos tornam-se membros da própria família. Os objetivos pessoais dão lugar a metas mais amplas e ambiciosas envolvendo o bem estar social e o interesse pela felicidade alheia. A mais simples demonstração de carinho finalmente é reconhecida como uma benção, impulsionando-nos a praticar novos gestos que fortaleçam sempre mais o amor, a caridade e a solidariedade.
Os dias de sol e calor escaldante deixam de ser insuportáveis e dão lugar ao encanto e admiração pela luminosidade e o céu azul. Até mesmo a chuva vista como inconveniente é reconhecida como o alimento revigorador da vida. Tudo ganha novo e significativo sentido; velhas preocupações perdem o sentido e não encontramos qualquer razão para lutar por “controle e poder”, pois nos sentimos a própria fonte de satisfação e prazer. Todas as vivências interiores são virtuosas e nos impulsionam para novos valores, dos quais o materialismo deixa de ter o antigo valor. A consciência do desenvolvimento individualidade percebe-se insuficiente, e passa a requerer a interação social. Estas são apenas algumas das infinitas transformações diante do mar de novas percepções que passamos a ter. Enfim, as mudanças são tantas, é como se as a vida tivesse se transformado num verdadeiro mar de rosas, num passe de mágica.
Tudo isso não é fruto de uma inesperada paixão, como temporariamente poderia ser, mas sim, da presença divina na nossa vida. Esses momentos são a manifestação do toque divino, a intervenção direta do Alto nos empurrando para frente. Momentos ou curtos períodos que se manifestam na vida de todos os seres humanos, mas que infelizmente os deixamos escapar pela incapacidade de estabelecermos uma conexão estável.
Os instrumentos necessários para que a ligação seja permanente e cada vez mais sólida nos foram dados junto com o generoso presente da vida. Mas é preciso primeiro ter a sensibilidade de percebê-los e posteriormente a disposição e a coragem de utilizá-los. Diante de um mundo, onde muitos valores equivocados tornaram-se regras seguidas e incorporadas na vida de milhões de pessoas, levantar uma nova bandeira e principalmente seguir por novos caminhos é um desafio que requerer muito esforço. Porém, trata-se de um esforço que além de coragem, exige persistência, cujo resultado certamente vale à pena, pois diante da realidade que se apresenta à possibilidade de vivermos num mundo melhor parece impossível.
Não sou pessimista, embora não consiga identificar atitudes verdadeiramente inovadoras e transformadoras, mas tenho certeza que estamos diante de sucessivos acontecimentos que nos mostram a necessidade de trilharmos novos caminhos para a humanidade. Há evidências por toda à parte, basta querermos vê-las, contudo poucos têm a real percepção e compreensão do seu significado. Apesar de todos os avanços tecnológicos, se não nos apegarmos aos verdadeiros valores, esses que nos fazem sentir em um mar de rosas, não conseguiremos avançar como espécie humana, e consequentemente nos afastaremos da própria felicidade.
A presença Superior pode ser sentida de várias formas então, ao identificarmos esta transformadora energia, devemos fixá-la em nossa vida memorizando sua sintonia, afim de que possamos permanecer em contato o maior tempo possível. Assim, voltados mais a Deus, estaremos mais energizados e encorajados a fazer as mudanças necessárias para alcançarmos níveis mais elevados de amor, solidariedade e desenvolvimento humano. Boa semana.
 

criado por Jair Antonio Pauletto    23:08 — Arquivado em: Crônicas

6.3.09

Pão e Rosas

Pão e Rosas

            O homem parou de ser um errante pelo planeta e depender somente da caça para sua subsistência. Deixou de ser nômade e fixou-se em determinado lugar, não pelo modo de vida que levava, mas porque aprendeu, graças à mulher, que estabelecer território era vantajoso para sua saúde e de sua prole. O risco de morte era menor, já que não precisava guerrear com outros grupos que encontrava pelo caminho ou ser surpreendido por amimais ferozes. Enquanto os homens perseguiam a caça, tudo indica que a mulher, por permanecer mais fixa a terra, foi a primeira a perceber que as sementes germinavam e posteriormente davam frutos, dando início à agricultura aliado à domesticação dos primeiros animais.

Talvez tenha sido a mulher, a grande responsável pela sobrevivência do homem naqueles tempos primitivos, beneficiada pela fixação a terra e a organização das defesas e todo o primitivo sistema social. De qualquer forma, é inegável sua participação na multiplicação dos seres humanos e certamente na crescente civilidade.

No entanto, ao completarmos 152 anos que 130 mulheres operárias perderam a vida, queimadas em uma fábrica têxtil, ao reivindicarem melhores condições de trabalho, ainda temos diferenças salariais entre homens e mulheres no desempenho das mesmas atividades. Muito já foi conquistado, especialmente na primeira década do século passado, quando as mulheres americanas tomaram a iniciativa de se organizarem para buscar maior igualdade profissional com o slogan, “Pão e Rosas”, que simbolizava estabilidade economia e qualidade de vida. Em 1908, quase 15 mil mulheres marcharam pelas ruas de Nova Iorque, para reivindicar maiores direitos. Dois anos depois reunidas na Dinamarca, decidiram estabelecer, em homenagem àquelas 130 pioneiras, o dia 08 de março, como dia internacional da mulher. As Nações Unidas passaram a adotar a data a partir de 1975, sendo, portanto longa esta luta das mulheres por direitos iguais.

 Lutas mais do que justas, já que desenvolvem o trabalho com a mesma qualidade que o homem e ainda conseguem se dedicar às atividades domésticas, coisa que a maioria dos homens é avesso e possivelmente incapaz de suportar.

            Não estou dizendo que o homem seja inferior a mulher e sim, exaltando a capacidade das mulheres que conseguem suportar uma dupla jornada de trabalho, sem deixar de lado a atenção e o carinho com a família. Também é injusto considerá-la superior, já que homens e mulheres são equivalentes e complementares.

Neste sábado, e em todos os dias, nós do sexo masculino, teremos que reverenciar a mulher por ter-nos gerado e nutrido com amor e sabedoria. Em seu coração é que encontramos o paraíso terreno e a cura para todos os nossos males.

Mulher! Tua responsabilidade continua sendo gigantesca, pois as armas contra a mediocridade, a violência, o ódio e outros pecados do mundo estão nos teus dons femininos intrínsecos em tua alma. Não deixe este mundo de futilidades e corrupção macular teu caráter singular, Tu és a esperança para um mundo melhor.         

É com amor que desempenhas tua missão e sem rivalidade vais caminhando em direção ao coração do homem, espalhando tuas virtudes, arrancando os vícios que lá habitam, e assim transformá-lo num ser humano melhor.    

Não existem gestos ou palavras que posam expressar o sentimento que dedicamos a elas. Mas o homem sabe que ela pode senti-lo em seu coração, uma vez que tem o sublime dom de sentir o coração. Esta no transbordar das emoções, na delicadeza e na doçura a força de lutar com garra e determinação que a leva, suavemente a conquistar o seu espaço.

            Encerro com a certeza de que este texto é apenas uma partícula no universo de homenagens e especialmente de agradecimentos que devemos a mulher, certo de que não há exagero em dizer que a mulher é o pilar de sustentação e equilíbrio da humanidade. Desejo que todas possam sentir a felicidade que transmitem aos nossos corações, e que todo o amor e carinho que lhe dedicamos se transforme em força para continuarem sua jornada de amor. Parabéns.

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criado por Jair Antonio Pauletto    16:21 — Arquivado em: Crônicas — Tags:

2.3.09

Nos labirintos da Ilusão.

        

        Há algum tempo incorporei no meu vocabulário a palavra ilusão, não que eu goste dela, mas é a que melhor define a forma como interpretamos determinadas situações. A ilusão é um engano da mente, que faz com que interpretemos erroneamente fatos ou sensações. A incessante busca do bem estar e da felicidade é um dos principais fatores para que interpretemos determinados fatos de forma a satisfazer nossas necessidades e expectativas. Porém, estas falsas percepções acabam se defrontando com a realidade e trazem grande sofrimento.
     Recebi um e-mail, justamente no momento em que me questionava se estava utilizando esta palavra com freqüência, pelo real aumento da ilusão na vida das pessoas, ou pela própria auto-ilusão de considerar-me realista e, de forma privilegiada, perceber com facilidade este erro tão comum. Li e reli várias vezes as inúmeras páginas e percebi como é fácil cairmos nesse “engano”. A Ilusão, esta temível fonte de sofrimento, está ligada aos mais diversos mecanismos de defesa, seja de forma consciente ou inconsciente, voltados a evitar eventos e fatos de nossa vida que nos são inadmissíveis. Portanto, os interpretamos de forma a satisfazerem nossas expectativas e assim minimizar a sobrecarga do sistema emocional.
     O texto trazia a ilusória situação, na qual a pessoa quer fazer tudo com perfeição, ser o “modelo perfeito”. Na realidade trata-se de um processo neurótico que faz com que a pessoa assimile cada manifestação de contrariedade dos outros, como um sinal de seu fracasso e a interprete como uma rejeição pessoal. Quem é extremamente critico consigo mesmo, tem a necessidade compulsória de ser considerado irrepreensível. Conseqüentemente é incapaz de aceitar como os outros são, refletindo a própria incapacidade de aceitar-se. Um perfeccionista exigirá amigos, parentes e companheiros perfeitos.
     Outro aprendizado foi que uma das ilusões mais freqüentes é a sensação de que podemos controlar a vida dos que nos são queridos, no entanto, nem sempre é fácil diferenciar a ilusão de controlar e a realidade de amar e compreender. Este controle deve ser evitado, pois é como um nó que estrangula o relacionamento e com o tempo, extinguirá até mesmo o amor dos que convivem conosco.
     Envoltos em devaneios tudo se torna perfeito, imaginamo-nos merecedores de todo o êxito, dignos de toda a benevolência e graça divina, pelo simples fato de assim o querermos. Quando isso não acontece, ficamos profundamente feridos e indignados contra a outra pessoa, sem perceber que deveríamos nos livrar da auto-ilusão. Freqüentemente acabamos escolhendo as pessoas erradas para depositar nosso carinho e afeto. Então, quando a ingratidão, a indiferença e a traição vêm em troca, às culpamos, cheios de ódio e raiva, esquecemo-nos de que fomos nós mesmos que nos iludimos ao exigirmos reciprocidade. Não podemos esquecer que as pessoas não podem nos oferecer o que não possuem, bem como não podemos exigir que ajam como nós achamos que deveriam agir.
     Fascinado com tantas explicações detive-me num parágrafo, explicando que criamos ilusões para nos defendermos de realidades amargas, que a principio podem servir para nos poupar momentaneamente de algumas dores, posteriormente nos aprisionam na irrealidade. Isso me deixou muito impressionado, imaginem como deve ser triste ser prisioneiro da irrealidade. É como passar a vida toda acreditando que somos príncipes socorrendo donzelas em perigo, ou vice-versa.
     A abordagem era ampla, interessante e extremamente didática, mais que o dobro deste espaço, ainda seria insuficiente para resumir todo o seu conteúdo, porém, não poderia deixar de abordar uma passagem que falava que muitos de nós conservamos a ilusão de que a posse material proporciona a felicidade, fama e poder garantem amor, entre outras ilusões desse tipo, quase sempre desenvolvidas na infância, com os próprios pais, professores e outros adultos. Na verdade não passavam de pessoas com crenças distorcidas, ou melhor, com terríveis ilusões, mas que incrivelmente, mesmo depois de crescidos e esclarecidos ainda têm medo de abandoná-las. Não será fácil renunciarmos a esse tipo de ilusão se não percebermos que a alegria e o sofrimento não estão nas coisas ou fatos da vida e sim no modo como a mente os percebe.
     Estou dividindo esse aprendizado com vocês, embora de forma muito singela, pois precisamos viver com senso de realidade para amadurecer como seres humanos. Essa é uma tarefa difícil, pois a vida nos expõe a uma dura realidade, porém produtiva e benéfica para o nosso crescimento e, certamente menos árdua que procurar a saída nos labirintos da ilusão. Transitar pelos labirintos da ilusão é um caminho difícil de evitar até mesmo para a mente mais disciplinada e realista, porém, será a assimilação do aprendizado que irá determinar o tempo de percurso, bem como será o guia a nos conduzir para a liberdade. Boa semana!
 

criado por Jair Antonio Pauletto    22:30 — Arquivado em: Crônicas, Sem categoria

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