Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

30.5.09

Perdoar é um ato sublime.

Perdoar é um ato sublime.
 
Há algum tempo escrevi um texto intitulado desculpas e perdão; sobre a dificuldade que temos em perdoar; os benefícios que este gesto pode trazer para a nossa vida. Assim que o publiquei, uma amiga fez um comentário, que ficou marcado na minha mente: “Perdoar é um ato sublime” e ainda complementava falando que Jesus ensinou que devemos perdoar não sete, mas setenta vezes sete…
Não me atrevo a contrariar os ensinamentos do Mestre Jesus, porque também acredito que devemos sempre perdoar, mas confesso que muitas vezes isso é algo que parece impossível, principalmente na hora da discussão, em que a emoção está à flor da pele. Só depois, quando estamos menos exaltados é que conseguimos processar, melhor, os acontecimentos e geralmente perdoamos, porém, em alguns casos precisamos um tempo maior e acabamos deixando-os de lado, que por fim não sabemos se realmente perdoamos ou simplesmente esquecemos o fato.
Perdoar é o recomendado, o certo, o saudável e de preferência o mais rápido possível, apesar de nem sempre conseguirmos fazê-lo. Algumas vezes, as pessoas se auto-enganam com o: “deixa pra lá” ou com a preocupação de parecerem “civilizadas” realmente apagam aquilo da memória, ao menos temporariamente. No entanto, assim que aquele fato ou episódio semelhante vem à tona novamente, se remoem de raiva, se exaltam e finalmente percebem que não haviam perdoado de fato. Aliás, esse é um comportamento que serve como um bom indicador para avaliarmos a nossa capacidade de perdoar que devemos estar sempre atentos.
Mas, quando se fala em perdão, não tem nada mais decepcionante que ter que perdoar alguém que amamos. Calma! Apesar de ser isso mesmo, deixe-me esclarecer. Não estou dizendo que é mais difícil perdoar quem amamos do que as outras pessoas, embora às vezes seja, mas assim mesmo devemos sempre fazê-lo. Refiro-me a relação que existe amor verdadeiro, sincero e saudável, aquela que devemos deixar espaço para que surjam discussões e desentendimentos, que ofendam ou machuquem quem nos ama. Assim, quando precisamos perdoar é porque esse limite foi ultrapassado e consequentemente feriu o amor. Ainda mais impróprio que ultrapassar o limite das “discussões saudáveis” é indispor-se com quem amamos. É claro que não devemos ser submissos e deixar de expor nossos incômodos, pois quando existe amor, tudo é possível, tudo é conciliável, no qual não existe espaço para a discórdia, para a ofensa e briga. Então, quando precisamos perdoar com frequência quem amamos é um sinal de que nosso amor é insuficiente para quem o recebe. Podemos dizer ainda que quando se chega ao ponto em que se torna difícil perdoar quem pensamos amar, é porque o sentimento presente já não é amor, uma vez que o amor sempre perdoa.
Diante disso, torna-se fácil identificar a presença do verdadeiro amor, mas devemos observar que o amor também precisa ser alimentado e cultivado no coração de quem nos ama, pois ele cresce no coração do outro para desaguar no nosso. Essa é a verdade que poucos observam e assim esquecem de alimentar a fonte que os abastecem e passam a exigir, determinar e impor condições a quem lhes oferece o melhor dos sentimentos. Esquecem que o amor não pode ser exigido, precisa ser conquistado e preservado. A necessidade de amor é tanta que passa a dominá-los, por isso exigem cada vez mais amor a qualquer custo, sem se preocupar em avaliar as condições que oferecem para que este floresça no outro para abastecê-lo. É exatamente aqui que entra o perdão, pois podemos observar que a exigência de amor é uma necessidade verdadeira, mas é nessa hora também que algo, lá no nosso interior mais profundo se manifesta e nos alerta a avaliar a qualidade deste relacionamento. Talvez seja o temível egoísmo ou danado do orgulho que nos sopra inúmeros questionamentos, como: Só porque você a ama, não lhe dá o direito de esse alguém fazer tais exigências? Se essa pessoa realmente me amasse como a amo me compreenderia? Surgem tantos se, que nos deixamos envenenar pela dúvida e eliminamos qualquer possibilidade de perdão.
E é neste momento, que até mesmo as mais sinceras desculpas já não comovem mais e o amor deixa de desaguar no coração do outro, dando lugar a sentimentos de ressentimento e até ódio. Lamentavelmente muitos promissores casos de amor terminaram por acontecimentos muito semelhantes aos que relatei aqui. Entretanto, o que pretendo aqui é fazer um alerta para que possamos ficar mais atentos à necessidade de perdoar, mas perdoar verdadeiramente e não apenas “deixar de lado”. Sei que esta é uma tarefa difícil, visto que em certos casos é difícil perdoar, mesmo quando se trata da pessoa amada. Agora, imaginem, se temos dificuldades de perdoar quem amamos, quando conseguiremos perdoar o nosso inimigo? Boa semana.
 

criado por Jair Antonio Pauletto    20:13 — Arquivado em: Artigos, Crônicas

8.5.09

Mãe, Instrumento Divino.

Mãe, Instrumento Divino.
 

Quando os antigos gregos tiveram a idéia de homenagear Rhea, a mãe dos deuses, sabiamente escolheram o inicio da primavera como a data mais propícia. Nada mais justo que associar esta maravilhosa estação com o papel de mãe. Desde aquela época, passando pela criação de uma data oficial e sua exploração comercial, tudo o que se fez, visa tentar reconhecer a importância da mãe no desenvolvimento da humanidade, porém, por mais criativas e calorosas que sejam as homenagens é impossível retribuir a dedicação e o amor que as mães dedicam a seus filhos.
Dotada de um sentimento proveniente do fundo da alma, ela é a responsável pelo abrandamento das tensões entre os homens, e consequentemente do progresso da civilização humana. Foi através das atitudes e gestos maternos que o homem se afastou da selvageria e brutalidade do desejo de guerrear. A delicadeza e suavidade da mãe permitiram ao homem descobrir a força do amor, que com o passar dos tempos, floresceu em cada nova geração, frutificando-se nos dias atuais, como o alicerce dos mais elevados princípios da humanidade.
Foram às mães, as responsáveis pela sobrevivência da humanidade, não somente por reproduzirem em seu ventre a vida e assim garantirem a multiplicação da espécie, mas principalmente por elevar-nos como seres diferenciados, afastando-nos do domínio dos instintos animalescos, humanizando-nos. Sem este gesto, possivelmente não evoluiríamos como seres humanos e certamente os sentimentos de afeto, aconchego e proteção não seriam experimentados.
O desenvolvimento da força da maternidade foi fundamental para frear a brutalidade masculina, que embora importante em épocas mais remotas, teria colocado em risco ou até extinta a própria espécie, já que a experiência do aconchego materno experimentado logo nos primeiros momentos de vida foi e é fundamental para o desenvolvimento da personalidade, fato hoje comprovado cientificamente. No entanto, é o sentimento, o afeto que a mãe transmite ao filho, que marca e os liga para a vida toda; esse amor materno é tão importante quanto o alimento que todos necessitamos para viver; nele encontra-se o DNA de todas as formas de amor e alegria que a vida nos oferece. É também, através da pureza e intensidade da energia amorosa que liga mãe e filho que o ser humano encontra forças para trilhar seus caminhos pelo resto da vida.
A mãe é o instrumento utilizado pelo Alto, para promover o crescimento humano, despertando-o como ser espiritual, uma vez que ela é o elo entre o corpo e a alma, ou seja, ela nos abriga e molda fisicamente em seu ventre, enquanto Deus nos atribui a alma. Dotada de uma alma especial, a mãe consegue estabelecer uma conexão permanente com o filho, isto faz com que a dor ou a alegria do filho se tornem extensão da própria alma. Acordar em plena madrugada, cansada pela exaustiva dupla jornada de trabalho e atender ao filho sem reclamar é um ato de amor, que somente as mães são capazes de cultivar em seus corações.
Todo o trabalho dos grandes mestres da humanidade, especialmente dos lideres espirituais, não teriam alcançado e prosperado no coração do homem se não fosse o papel da mãe. É ela que dá as primeiras direções na vida; é ela que introduz os princípios e valores que nortearão os passos do filho, que o incentiva a aperfeiçoa-se e a buscar novos ensinamentos. Por mais distantes que possam estar fisicamente, jamais perderão o vinculo, assim como os ensinamentos maternos sempre servirão de base para a orientação dos próprios filhos ou simplesmente efetuar as escolhas da vida.
A multiplicação dos valores e ensinamentos dos grandes mestres deve-se muito mais ao papel das mães em plantar no coração dos filhos, as primeiras sementes que o papel dos diferentes missionários contemporâneos ou da leitura de livros sagrados. É a mãe, que nem sempre é reconhecida e insuficientemente valorizada, é a primeira a semear os principais valores humanos que posteriormente constituem no caráter do homem. Portanto, homenagear as mães é tarefa impossível, mas mesmo sendo impossível expressar o que ela significa na vida de cada um nós, devemos manifestar constantemente todo o nosso amor, de forma que ela possa sentir um pouco da nossa imensa gratidão. Beijos, abraços e todas as manifestações de carinho possíveis estão liberadas, e devem ser usadas em abundância neste domingo.
Desde criança, sempre desconfiei que a mãe tivesse uma ligação divina para poder desempenhar um papel tão importante: na família, na sociedade e em toda a história da civilização humana. Mas, somente agora, percebo isso com mais clareza o que me permite dizer de todo o coração: Mães, Obrigado! Sem sua presença nossa existência não teria o mesmo sentido. Feliz Dia das Mães.

 Veja outras homenagens as mães clicando nos liks abaixo:

Homenagem as Mães

Mãe. Única e Sempre

criado por Jair Antonio Pauletto    16:24 — Arquivado em: Sem categoria

1.5.09

Posicionamentos isentos, porém ativos.

 

Posicionamentos isentos, porém ativos. 
 
Diariamente, acompanhamos pelos noticiários, fatos que colocam em dúvida o progresso e até mesmo a sobrevivência da espécie humana, atribuídos em grande parte ao sistema econômico ou ao desempenho da economia, que é fator determinante do bem estar e sobrevivência das famílias. Assim, impotentes diante dos movimentos econômicos, tememos pelas finanças pessoais, e procuramos desesperadamente minimizar seus efeitos. Sejam quais forem às atitudes que adotarmos, estas, apenas nos permitem permanecer vivos, como que flutuando no gigantesco oceano que envolve o sistema econômico mundial. Nos sentimos confortáveis por alguns momentos, quando conseguimos saldar as contas, mas logo precisamos voltar a nos preocupar para garantir o próximo pagamento e ganhar mais alguns momentos de conforto. Além de estressante e até desumano esse circulo vicioso só serve para alimentar e fortalecer ainda mais o sistema econômico atual. Digo isso sem condenar o sistema capitalista ou defender o falido sistema socialista, mas sim, para demonstrar a necessidades de pensarmos em alternativas.
Dito isso, preciso também externar a minha repulsa ao radicalismo que sempre nos coloca como defensores de um ou de outro sistema econômico. Este radicalismo de posições que sempre tenta nos empurrar para um dos lados é extremamente nocivo para a busca de novas alternativas. São esses posicionamentos, fundamentados em um radicalismo ultrapassado que ainda permeia o pensamento da sociedade atual, que encontra na política o seu maior propagador, um dos grandes entraves para buscar uma alternativa melhor. Precisamos urgentemente acabar com o discurso de que determinado posicionamento é melhor que o outro, bem como estar conscientes que permanecer no centro esperando que algo aconteça, não é contribuir para a solução. Aliás, é a posição mais covarde, pois pretende dar a ideia de sensata, mas não apresenta alternativas, apenas espera a definição do sistema para juntar-se a ele. Essa é a postura da grande maioria das pessoas, pois permite condenar os que estão nos extremos, apenas apontando as falhas. Essa é a típica posição adotada por pessoas acomodadas e volúveis, que no final só servem para fortalecer o lado vencedor, pois assim que o identificam, aderem em massa.
O que realmente precisamos, é acabar com todas essas posturas, tanto dos extremos radicais quanto o centro inerte; deixar o orgulho e as vantagens pessoais de lado e procurar alternativas que possibilitem a construção de um novo sistema, um sistema, isento, livre e justo, no qual toda a humanidade possa usufruir maior prosperidade.
Construir um novo caminho para o destino na humanidade urge, pois os que nos trouxeram até aqui se esgotaram, precisam ser abandonados e lembrados somente como instrumentos que permitiram certos aprendizados. Não se trata de um sonho, é uma realidade que bate a nossa porta e não esta tendo a atenção devida, embora se apresente de forma cada vez mais forte e visível até mesmo para os olhares mais estreitos.
A mudança para esse novo tempo é inevitável, não há como fugir da realidade da mudança, uma vez que ela faz parte da vida. Então, não podemos mais esperar que outros façam; devemos assumir um papel mais ativo para que um novo sistema surja e se fortaleça. Existem vários ensaios promissores, porém muitos ainda contaminados, mesmo que inconscientemente por mentes impregnadas pelo velho extremismo. Já o novo, requer mentes abertas, colaborativas, capazes de construir sobre as ideias alheias, num trabalho de sinergia capaz de criar as alternativas corretas para o bem estar de todos.
Uma das questões relevantes reside na passagem do sistema atual para o novo, pois deve ocorrer com o mínimo de impacto possível, mas a transição é inevitável. Assim, torna-se compreensível que muitos trilhões de dólares sejam injetados no sistema financeiro e econômico mundial, a fim de reaquecer a economia. No entanto, é evidente que isso é apenas de uma tentava de restabelecer o sistema atual. Esse, assim como outros que ficaram para trás, trouxeram avanços, porém não conseguiram proporcionar benefícios justos e harmônicos para a humanidade como um todo. Portanto, é necessário que se empregue esforços, para criar uma nova alternativa para a humanidade sem radicalismo, apegos ou paixões. Basta estarmos conscientes de que tudo tem seu tempo e lugar e que é preciso mudar, avançando sempre.
Sei que é difícil encontrar uma solução melhor ou mais adequada a tudo o que nos cerca, porém é certo que se conformar ou apenas reagir para sobreviver não é suficiente para efetivar a mudança. O que fazer, é uma pergunta que devemos ter em mente para que, embora ainda não possamos abandonar definitivamente as nossas atitudes de reação que apenas nos permitem sobreviver, possamos agregar atitudes de ação verdadeira, mesmo que ainda sejam, sementes em terreno duvidoso. Boa semana.
criado por Jair Antonio Pauletto    19:59 — Arquivado em: Crônicas

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