Caminhos

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer. Revisão Textual de Rosi Gotz.

3.10.09

Gente fina.

 

Gente fina.                                                                           

            Muitas vezes sem saber o porquê, uma música qualquer nos invade e passamos a cantarolá-la o dia inteiro. Agora mesmo, enquanto tento me concentrar para escrever algo produtivo, tenho minha atenção desviada para os versos da música de Lulu Santos: “eu vejo um novo começo de era / de gente fina, elegante e sincera /com habilidade pra dizer mais sim / do que não…”.
            Diante disso, decidi abandonar o assunto que pretendia abordar e aceitei estes versos como um “sinal” para escrever algo mais leve, mais primaveril, ou melhor, mais gente fina, elegante e sincera, fiquei imaginando como seria uma pessoa gente fina e se conheço alguma. Embora seja muito comum utilizamos a expressão “gente fina” para qualificarmos uma pessoa, aqui, me restrinjo àquelas pessoas que só conseguimos ver boas qualidades e comportamentos adequados em qualquer situação.
            O verdadeiro gente fina vai muito além de ser o cara: ele é um uma espéciede ser superior que domina a arte de engolir sapos sem precisar digeri-los; não é prepotente ou arrogante sem ser submisso e defende-se com precisos “tapas de luva”; adapta-se ao ambiente e deixa todos à vontade em qualquer lugar.Ele transgride de modo a não agredir porque opina sem julgar; é honesto; sincero; amável, chegando às vezes, a provocar dúvida nos mais desconfiados, ou seja, classificá-lo é algo extremamente difícil e, por ser tão especial, queremos tê-lo por perto.
Essas pessoas sem dúvida, são raras e admiráveis, portanto muito imitadas requerendo, inclusive, um certo cuidado, uma vez que existem boas falsificações. Não sei se essas pessoas nascem com esse dom, chamo de dom porque me parece ser mais um presente divino do que uma qualidade adquirida, apesar de não ter qualquer dúvida que essa é uma qualidade que pode ser adquirida e aperfeiçoada constantemente.
            As pessoas gente fina têm facilidade em nos transmitir entusiasmo, motivação e bem estar, isso por si só já as torna especiais, visto que essas são preciosidades muito escassas nos dias atuais. Mas, para falar o mínimo dessas pessoas é preciso ir além, talvez tão além que somente um gente fina poderia descrever e, neste aspecto não sou qualificado para fazê-lo, mas me atrevo a imaginar o tamanho do esforço que estes indivíduos fizeram para alcançar esse nível de comportamento, pois não deve ser somente dom divino. Ser gente fina em alguns momentos, dias, ou messes é algo possível para qualquer um, mas o tempo todo, sete dias por semana é algo realmente para poucos.
            Sei que para alcançar uma meta, transpor um obstáculo é preciso persistência, determinação e muito exercício. Quando o ideal ainda esta longe de ser alcançado é fundamental praticar com mais intensidade, mesmo que por apenas algumas horas por dia, pois é através da repetição que se aperfeiçoa a rotina e se incorpora um habito. Este por sua vez, é o principio dos atletas de ponta e dos vencedores que pode ser sintetizado pela seguinte frase: sem dedicação não há vitória.
            Desenvolver atitudes mais positivas é o alicerce para enfrentar os novos tempos, nos quais, não haverá espaço para negativismos de qualquer natureza. Precisamos nos preparar para os novos tempos de mais alegria, prosperidade e paz, onde a solidariedade e o amor ditem o caminho a percorrer. É neste espírito que os verdadeiros gente fina vivem, pois já compreenderam e por isso se prepararam para viver com mais harmonia entre todos os seres vivos. Estas pessoas captaram, talvez até de forma um pouco inconsciente, que a essência humana é de harmonia, paz e tranqüilidade e os eventuais desequilíbrios são apenas exercícios para a evolução. No novo mundo que se aproxima e, por favor, não entendam isso como uma profecia, mas apenas uma constatação de que a vida evolui e, portanto algo de novo virá. E por ser uma pessoa que acredita na justiça divina, tenho absoluta convicção de que basta sermos merecedores que uma vida nova, melhor e mais feliz se abrirá a nossa frente.
            Exercitando o talvez, me permito associar a música tempos modernos do Lulu Santoscomo uma mensagem para que cada um possa se permitir a mudar, a deixar-se levar pelo amor, pela paixão de viver e descobrir que somos todos um só. Tudo o que fazemos repercute no universo. O amor se liga ao amor, a inveja se liga na inveja e assim vai se propagando conforme escolhermos qual a freqüência que queremos nos sintonizar, qual energia captar, enfim, tudo isso é uma opção importante que deve ser feita, mas antes é preciso definir o que realmente se quer, para então podermos direcionar a antena e os esforços na direção certa.
Gente fina, tempos modernos e evolução são questões ligadas, embora difíceis de definir, mas é fundamental não associá-las a desesperança e negatividades para não repetirmos uma triste canção, cuja melodia além de duvidosa da sinais de estar nos últimos acordes. Aprenda a dizer mais sim do que não, espontaneamente, e descubra a alegria de um gente fina. Boa semana.

Pauletto J A

criado por Jair Antonio Pauletto    19:35 — Arquivado em: Artigos, Crônicas

24.9.09

Utilidades e Futilidades.

 

Utilidades e Futilidades.                                                                                            
 
Às vezes fico pensando como seria se pudéssemos classificar todas as coisas do mundo em somente dois critérios: úteis e inúteis. À vista disso, como seria o saldo das úteis? Certamente se levássemos em conta somente às criações Divinas, o grupo dos úteis levaria vantagem de 100%. Todavia, imagino que quando incluirmos todas as invenções, criações humanas, até mesmo as que são realmente úteis, o resultado ainda seria inferior ao das inutilidades. Pois, por mais subjetivo que possa ser este critério, tenho certeza que podemos afirmar que o homem produz muitas inutilidades, sejam elas materiais ou não. Aliás, as não físicas, como as psicológicas ou culturais, talvez sejam percentualmente superiores a todas as inutilidades materiais.
Ainda seguindo nesse raciocínio, devemos levar em conta as questões prejudiciais ao planeta, como a poluição e devastação dos recursos naturais para sua produção, mas principalmente os danos ao crescimento do ser humano como ser em evolução. Neste aspecto, são as questões subjetivas de manipulação, submissão e exploração que mais nos prejudicam. Esse meu excêntrico pensamento de classificar as coisas do mundo em somente dois grupos é altamente vulnerável nas questões da subjetividade dos critérios e, obviamente, se algum homem pudesse fazê-lo seria apenas seu modo de ver, sentir e avaliar as coisas, portanto, inválido para alguns e no máximo aceitável para muitos.
Imagino que se for uma pessoa sensível a executar a tarefa, as flores seriam classificadas como úteis, as guerras como inúteis, porém, se for alguém mais bruto a ordem seria inversa e ainda tentaria justificar-se perguntando indignado, para que sevem as flores afinal? Uma rocha pode ser classificada como algo inútil por uma consciência pouco aberta, ou perfeitamente útil por alguém que já tenha despertado para as potencialidades de todas as coisas existentes, uma vez que uma simples rocha, ao encontrar as condições ideais, pode transformar-se em um belo diamante ou numa pedra preciosa qualquer, obviamente que mesmo bruta pode servir de proteção e abrigo, mas tudo depende de como escolhemos, ou melhor, se tivermos consciência de sua existência. A avaliação de cada acontecimento da vida é inteiramente individual e é totalmente dependente do nível de consciência individual. Esta, por sua vez, desperta de forma única em cada ser e expande-se na proporção do esforço e dedicação que direcionamos para isso.
Nas questões mais humanas, por exemplo, o exercício seria ainda mais difícil. Imaginem classificar a utilidade de um bate-papo entre amigos no botequim da esquina, após de algumas rodadas de chope? Com certeza não passaria sequer perto de assuntos profissionais, de relacionamentos e muitas outras questões, teoricamente consideradas importantes, isto é, úteis. No entanto, o fato de “jogar um papo fora”, é na maioria das vezes uma grande terapia de reequilíbrio e renovação de forças para encarar os desafios da vida, além de ser uma necessidade humana, uma vez que nós somos seres sociais por natureza.
Identificar as coisas, pessoalmente úteis e inúteis, é um exercício para a felicidade, mas se não for feito conscientemente pode nos empurrar para vícios e, se isso acontecer, entra em ação outros instintos e sentimentos que servirão de argumentos para justificar qualquer ação inadequada. Essa é apenas uma das razões para despertarmos para o desenvolvimento da consciência, e para os que já despertaram iniciarem um novo processo de expansão, visando ampliar sua contribuição para a construção de um novo mundo. Conhecer as próprias necessidades é uma das formas fundamentais para selecionar o que é útil em nossas vidas, pois é desta seleção que construímos nossa felicidade e justamente por se tratar da própria felicidade deve ser feita em conformidade com as regras internas, a lei da consciência, fugindo dos auto-enganos que nos conduzem a atalhos infelizes.
Assim mesmo, muitas vezes, a classificação parece ter sido feita de forma errada, mas na realidade trata-se apenas de experiências necessárias ao aprendizado, a ampliação da consciência, ao autoconhecimento. No entanto, nestas ocasiões, é fundamental manter-se alerta para as reações inadequadas e quando for necessário expressar sentimentos, seja de raiva, indignação, vergonha ou medo deve-se procurar a forma equilibrada. 
Este é um texto proposto para exercitar a escolha entre o útil e o inútil em nossas vidas, embora tenha sido escrito com a intenção de ser útil. Alguns possivelmente o classificarão como inútil o que me é perfeitamente compreensível, visto que todos sabemos que não basta apenas à intenção, é preciso ação e neste caso, conteúdo. Todavia, seja qual for o posto que me atribuíram terão que escolher e principalmente avaliar sua utilidade, mesmo que eventualmente não desejem fazê-lo. Boa semana.
criado por Jair Antonio Pauletto    23:08 — Arquivado em: Artigos, Crônicas

20.9.09

Tradições e Mudanças.

Tradições e Mudanças.

Foi-se o tempo em que o chapéu era parte obrigatória da indumentária de um homem elegante. Esse e outros costumes foram se perdendo com o tempo, influenciados pelo “evolucionismo” da indústria da moda. Hoje, por exemplo, o chapeu é um acessório raro de ser visto em nosso cotidiano, embora, muito útil, especialmente para proteção do frio, da chuva do inverno, ou até no verão para defesa dos temidos raios ultravioleta. Eu, mesmo alheio a qualquer um destes motivos, recentemente resolvi comprar um chapeu, não desses tradicionais de uso urbano, raramente vistos na cabeça de algum senhor mais velho, tampouco daquele tipo moderno, estilo cowboy, que os peões exibem por ai. O meu chapeu é do modelo tradicional da indumentária do gaúcho, adquirido lá em Vacaria, onde a tradição marca presença.
Estreei o chapeu na feira da Expoínter, exibindo-o orgulhosamente quase todos os dias, assim como, também, pretendo usá-lo até o final das festividades da Semana Farroupilha no Acampamento Farroupilha.
O orgulho e a alegria de ver os hábitos culturais sendo cultuados é emocionante, mesmo para quem não tem um coração gaúcho. Logo ali, na beira do Guaíba, no Parque Harmonia, no coração da capital do Estado, centenas de piquetes se instalam e comemoram as tradições gaúchas. As crianças escutam com orgulho, atenção e encantamento os causos e as narrativas dos mais velhos; os adultos revezam o chimarrão e preparam o churrasco sob o toque da gaita e do violão, atividades obrigatórias em todos os piquetes do parque. As prendas exibem seus longos vestidos erguendo a saia até meia canela, para evitar o barro nos dias chuvosos, já os peões, se dedicam aos cuidados com os cavalos, mas sempre com um olho atento no andar das prendas. E assim, entre inúmeras atividades, o mês de setembro vai passado em meio às tradições do nosso Estado e, obviamente, com isso tudo, eu não poderia me privar de exibir meu chapeu.
No entanto, narrar esses eventos aos gaúchos é o mesmo que descrever o carnaval para os cariocas, mas a verdadeira razão de eu estar falando do meu chapeu é que ele me faz lembrar, entre muitas outras coisas, a importância de mantermos as tradições, especialmente da necessidade de permitirmos a renovação, ou seja, a mudança. Aparentemente tradição e modernidade não podem conviver, aliás, elas só aparecem bem nas campanhas de marketing, onde as empresas tentam aliar sua tradição à inovação tecnológica, mas, quando falamos em cultura a compreensão é muito mais difícil.
Os mais velhos rejeitam as inovações dos mais jovens e estes desqualificam a tradição dos mais velhos, resultando numa grande perda para ambos. A perfeita convivência entre o novo e o moderno não só é possível como inevitável, uma vez que a evolução é algo natural, uma vez que o segredo está em saber aceitar a mudança e encontrar o equilíbrio entre ambos. Contudo, essa dificuldade de aceitação ocorre não somente nas questões culturais, mas principalmente na vida pessoal. A diferença é que ao tratar-se do pessoal, o nível de percepção é muito menor que o das questões sociais. Resistimos à mudança, como se fosse algo fatal e realmente é, porém não fatal à vida, mas, fatalmente a mudança sempre virá, pois a vida muda constantemente e, tentar impedir a mudança é inútil, porém podemos concentrar esforços para moldá-la a algumas das nossas necessidades.
Outra questão importante que envolve choque de realidade são os valores que estão cada vez mais fúteis e sujeitos a equívocos em nome da modernidade. Os verdadeiros valores humanos não se perdem e nem se opõe à modernidade, eles simplesmente dão consistência à vida, e devem ser utilizados para nortearem as ações, mas jamais como empecilhos a verdadeira mudança.
Não podemos esquecer, que se renovar é fundamental para uma vida feliz e, ser capaz de renascer todos os dias, acrescentar algo de bom a cada momento da vida é um desafio necessário para uma vida feliz, porém, ao mesmo tempo em que não podemos viver do passado não podemos ignorá-lo, uma vez que o que somos hoje é resultado do que fizemos ou deixamos de fazer no passado. As tradições mais antigas ou os atos mais recentes é o passado que deve ser levado em conta não somente para o aprendizado, mas como um fator importante para projetar o futuro. A boa notícia é que por mais que o passado tenha sido “ingrato” ou “injusto” com os nossos objetivos, sempre podemos utilizar o presente para fazer um futuro melhor. Na realidade o que temos, é somente o momento presente, e este não pode ser desperdiçado com lamentações ou divagações infrutíferas. Precisamos aprender a viver o agora fazendo o que deve ser feito de forma consciente e acreditar que este aprendizado é o que irá nos proporcionar as melhores condições para o vivermos o futuro.
O meu chapéu, o Acampamento Farroupilha, a Expoínter, são apenas elementos que me fizeram refletir sobre as belezas culturais e a importância do equilíbrio entre a tradição e a modernidade, bem como a inútil luta para evitar a mudança. Contudo, é muito bom perceber que tudo pode conviver harmoniosamente quando existe respeito. Boa semana.
 

criado por Jair Antonio Pauletto    22:32 — Arquivado em: Artigos, Crônicas

14.9.09

É Tempo de Primavera.

É Tempo de Primavera.
 
A alternância das estações está cada vez mais imperceptível devido às alterações climáticas, efeito da ação do homem no equilíbrio do planeta. Nós, moradores do sul do país, acostumados com estações bem definidas, podemos perceber com maior facilidade essa mistura de estações com as frentes frias inesperadas, dias de calor intenso e até geadas fora de época. Este é um fato que deve permanecer e até piorar, pois as agressões ao meio ambiente continuam e isso é apenas um dos reflexos. Contudo, já é possível observar que a primavera se aproxima: na alegria das flores, árvores brotando, os ipês florescendo com suas cores vermelho, violeta e amarelo e são os mais exibidos, desapontando sempre como os primeiros a encher o chão com seus tapetes de flores, competindo é claro, com uma imensa quantidade de árvores ornamentais e frutíferas, típicas de cada região.
Essa época de renovação, com o intenso brotar das árvores que antecipa a primavera, me faz lembrar da minha avó, Maria. Tenho claras lembranças dos seus conselhos e ditados, embora tenha nos deixado há mais de dez anos. Neste período, ela costumava dizer que essa era época dos velhos morrerem, pois a renovação das árvores e o intenso fluxo das seivas que fazia a flora renovar-se, interferiam no metabolismo humano e a afetavam. Essas falas se repetiram por tantos anos, que um belo dia o Alto atendeu o seu pedido e ela se foi num belo dia de primavera. Eu, sinceramente, desconheço qualquer comprovação científica quanto a isso, mas tenho absoluta certeza do seu medo de enfrentar a morte, e foi desse temor, dela, que encontrei a melhor explicação para o comentário que ela repetia em cada primavera.
Como já é sabido, o medo é um veneno terrível que nos mata aos poucos e se apresenta de várias formas, como: perder o emprego; colher uma safra ruim; ser assaltado; sofrer um acidente, ou qualquer outro dos infinitos e típicos medos da maioria dos cidadãos deste país. O medo, além de ser enorme e mal encarado, não tolera a companhia da felicidade e uma vez instalado no coração, não permite a vida florescer, faz com que a vida seja vivida pela metade. O melhor antídoto disponível é a fé, porém, precisa ser ingerida, renovada diariamente e o melhor a fazer é rezar, mas rezar sem medo, rezar acreditando, agradecendo a vida de forma sincera e verdadeira, independente de credo. Tenho dificuldades em recomendar a oração, embora seja extremamente necessária, pelo fato de muitas vezes se tornar um fanatismo que paralisa as pessoas causando efeito contrário na busca da felicidade.
O medo nos aprisiona e nos empurra para o lado oposto da felicidade, ele se disfarça de cautela, perfeição, prudência e tantas outras formas de postergação. Obviamente que não devemos ser impudentes e precipitados, mas precisamos perceber quando a insegurança e a postergação são fruto do medo, pois este é muito sorrateiro e se utiliza destes argumentos para fortificar-se e instalar-se tão fortemente no nosso intimo, como se fosse parte da personalidade. Imaginem a leveza da vida, livre do medo de fracassar, pois é assim que fomos feitos, ou seja, destinados ao sucesso, no entanto, gradativamente deixamos o medo nos dominar, seja através da insegurança, da dúvida ou da ausência da fé. Para os medrosos que discordam do que estou dizendo, não vou tentar persuadi-los, apenas esclarecer que nem todo o medo é maléfico, pois certamente em várias ocasiões é um excelente aliado para nos manter vivo, aliás, este é o medo natural que faz parte do instinto humano necessário à sobrevivência e que permite a sobrevivência humana. Então, nada de exageros, não se escondam atrás do medo para justificarem suas frustrações. Abandonar o medo e experimentar a vida, confiantes e sem temer é possível viver com mais alegria, saúde e prosperidade.
Viver amedrontado é uma tempestade na primavera da vida, portanto, lembre-se que nem todas as tempestades se formam de repente, geralmente é possível ver a formação das nuvens e os trovões antes da chuva cair. O medo a ser combatido é esse que vai se formando pelo atrofiamento de potencialidades, começando pela autoconfiança e fé. Alem disso, ele alimenta a tristeza e faz com que abandonemos sonhos e projetos importantes para o nosso crescimento e o desenvolvimento da sociedade e muitas vezes, inclusive, coloca em dúvida a bondade de Deus.
A busca de alívio, nos vícios, é uma das formas mais comuns de tentar fugir do medo, que o transforma no principal fator a nos fazer perder o controle dos próprios rumos. Quantos já não ingressaram no caminho das drogas, enquanto pensavam estar fugindo do medo?
Apesar de a minha avó temer a chegada da primavera e por associá-la equivocadamente ao medo da própria morte, a primavera não combina com o medo, ela é a demonstração Divina da renovação, na mudança e da alegria de viver. È uma clara demonstração de que podemos nos renovar, nos transformar e principalmente acreditar que podemos fazer a diferença, mesmo que no decorrer da jornada o sol escaldante do verão, queime algum sonho. Sempre podemos dar alguns frutos no outono e aproveitar o inverno para reavaliar e fortalecer nosso íntimo para continuarmos a caminha evolutiva. Boa semana.

criado por Jair Antonio Pauletto    21:18 — Arquivado em: Artigos, Crônicas

6.9.09

Carinho, uma necessidade humana.

Carinho, uma necessidade humana.    

Ser bem tratado, recebido com carinho e atenção é tudo que sempre desejamos, seja pelos familiares, na busca de um serviço como cliente ou, simplesmente como turista. Passei por uma destas surpreendentes experiências de bom atendimento recentemente, ao ausentar-me da minha casa por alguns dias, em função de uma viagem de trabalho. A cortesia e o bom atendimento que recebi tornaram o trabalho mais agradável e amenizaram a saudade de casa, fato raro nos dias de hoje, uma vez que a prestação de serviços, de modo geral, ainda necessita de qualificação, principalmente na área do bem servir. O bom serviço, aliado as belezas naturais e a cultura regional que fazem de cada região deste país um país à parte e nos enriquece como pessoa, tornou minha viagem muito proveitosa.
Consequentemente, vivi dias agradáveis apesar de muito trabalho, mas o melhor mesmo de uma viagem, e o que realmente importa, é retornar para o mundo que construímos, seja para o familiar ou profissional. Neste sentido, fui surpreendido pela alegre recepção da Mandy, minha cadelinha, que como qualquer cão, me recebeu com muita festa. No entanto, as entusiasmadas demonstrações de contentamento com a minha presença e a clara manifestação do desejo de ser acarinhada, através de um de seus gestos típicos, ou seja, estirar-se no chão de barriga para cima passando a própria pata na região da bochecha. Fiquei um pouco surpreso, mas logo tudo ficou esclarecido quando os familiares me informaram da tristeza do pequeno animal pela minha ausência. Embora tenham me garantido que a rotina havia sido mantida, bem como todos os cuidados com o seu bem estar, percebi que ela estava carente, mesmo não sendo o único a acariciá-la ela sentia a falta do meu carinho e afeto. Necessitar de carinho e afeto é natural, até mesmo para um animal de estimação então, imagine para nos humanos, teoricamente dotados de sentimentos mais sensíveis.
Tudo isso me faz pensar na importância do carinho que, nós, humanos, tanto necessitamos e o quanto nos custa fazer uma pequena demonstração neste sentido. Demonstrar e dar um pouco de carinho às pessoas, seja através de gestos ou palavras nos engrandece e transforma à vida, tanto de quem o dá, quanto de quem o recebe. Tratar bem as pessoas é a primeira forma de carinho que podemos manifestar; é algo que vai além da boa educação; requer um estado de espírito adequado; um sorriso; um olhar sincero e acolhedor. Posso compreender perfeitamente que essa é uma questão que passa por vários pontos sociais, especialmente pela educação formal e aspectos culturais, entretanto não podemos deixar de considerar que a ausência destes não impede o autoconhecimeto, a busca do o próprio bem estar e a evolução pessoal.
Esses aspectos, verdadeiramente importantes, independem de qualquer fator exterior, pois são de carater pessoal, individual e, compreendê-los é um dos caminhos para uma vida mais feliz. Existe uma consciência maior que detém esse conhecimento e espera ser acessada para nos ajudar a crescer. Tudo isso pode ser obtido no próprio interior, observando a natureza em seus ciclos e diversidades, os próprios comportamentos ou simplesmente seguindo a verdadeira essência humana, pois até mesmo um ser irracional sabe que carinho, atenção e amor são obtidos através de um caminho de mão dupla e que quanto maior o fluxo mais riqueza e crescimento pessoal obteremos. Existem várias coisas, entre elas, o carinho, em que a melhor forma de aprender seu funcionamento e conhecer seus benefícios é praticá-lo, portanto não podemos mais perder tempo, a ordem é praticar.
Fico imaginado, que se um cachorro consegue demonstrar carinho para o seu dono e ao mesmo tempo deseja ser acarinhado, o que dizer de um pai ou um adulto qualquer que ignoram essa realidade. E olha que existem pessoas que sequer tem a sensibilidade de demonstrar um pouco de compaixão pelos animais, aliás, acredito que quem não gosta de animais dificilmente gosta de alguém. Então, imaginem os insensíveis que se privam de experimentar os benefícios do carinho, não manifestando qualquer gesto neste sentido, seja para dar ou receber? Devem ser pessoas extremamente inseguras, fechadas, infelizes, que não tem coragem de mostrar suas fraquezas, suas necessidades e principalmente compreender que é através delas que se tornarão verdadeiramente fortes, ou também sempre sobra à possibilidade de serem inferiores aos animais, mas esta não é uma condição natural, apenas uma opção errada de viver a vida.
Eu sempre gostei de animais, mas também não significa que eu consiga dar e receber carinho como gostaria ou deveria, mas também sei que exercitando se chega lá, muito menos que o fato de gostar de animais seja um indicador de sensibilidade e carinho. Quero apenas alertar que carinho, atenção e amor devem ser praticados com frequência, é uma necessidade em nossa vida e lembra que aqui também vale a lição de São Francisco, “pois é dando que se recebe”. Boa semana.

criado por Jair Antonio Pauletto    22:55 — Arquivado em: Sem categoria

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